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A Formação Psicológica do Médico 03/06/13

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Editora: Renata Dal Bó Mazzuco

Colaboradores: Ana Santin, Jessé Lana, Leandro Rosin, Nicolas Dominico


A Formação Psicológica do MédicoEditar

O Estudante de Medicina e o Paciente


IntroduçãoEditar

Medico dos medicos.jpg

"Deus é o médico dos médicos" Fonte: http://oraculoanunciandoapalavradedeus.blogspot.com.br/2012/01/boa-noite-todos-hoje-estou-aqui-para.html

A Medicina não é somente uma profissão, é vista pela sociedade como um dom, vocação, dádiva e até como uma arte.

A sociedade deifica do médico. Ao longo dos anos o médico sempre teve uma posição de status e poder.

Podemos citar como características da profissão médica:

-Atividade Mística - na antiguidade, quem cuidava da saúde eram os cuidadores do lado espiritual, como os sacerdotes, pajés.

-Poder - sobre a vida e a morte, o médico é quem atribui causa a morte.

-Status da profissão - é a única profissão que tem um titulo natural, os médicos são chamados de Doutor. 

-Vocação - espera-se o altruísmo, a disponibilidade 24 h, o médico muitas vezes abre mão da vida pessoal para o bem comum.

A sociedade alimenta a expectativa que o médico tenha características lógicas e racionais como competência técnica e objetividade, capacidade de tomar decisões, indiscriminação social, e também características subjetivas como afetividade, ser acolhedor e atitude altruísta. É a soma dessas características que formam a identidade do médico. 

Um pequeno trecho do clássico juramento hipocrático, ainda repetido a cada formatura de novos médicos, exemplifica esta idealização: “... Manterei a minha vida e a minha arte com pureza e santidade; qualquer que seja a casa em que penetre, entrarei nela para beneficiar o doente; evitarei qualquer ato voluntário de maldade ou corrupção...”.

Por escolhemos essa profissão?Editar

A escolha pela medicina traz muitas mudanças na vida do adolescente, visto a grande concorrência já no momento de ingressar no curso. Esta escolha tem como consequencia a renuncia de muitos prazeres e horas de lazer.

Os motivos são conscientes ou inconscientes. As motivações conscientes mais apontadas são: o desejo de compreender, de ver, o desejo de contato, o prestígio social, o prestígio do saber, o alívio prestado aos que sofrem, a atração pelo dinheiro, a necessidade de ser útil, a atração pela responsabilidade ou pela reparação, o desejo de uma profissão liberal e a necessidade de segurança. As inconscientes podem colocar em xeque valores morais do estudante. Rocco (1992, p.49) apontou algumas destas motivações: “identificação maior ou menor com os pais, o que o leva a preservar e continuar seus valores”; “desejo de expiar impulsos agressivos - desejo que se manifesta pelo ato de curar, como reparação da agressividade”; “curiosidade inconsciente de conhecer o corpo da mãe”; a “negação da morte”

Importante lembrar que a escolha de ser médico tem suas glórias, mas também remete a aventurar-se na experiência do sofrimento humano, no risco de perder a própria saúde e da vida, no limite da morte, independente da especialidade escolhida. A maneira que vivenciamos o sofrimento é parte da formação da identidade do médico.

Os primeiros anosEditar

No primeiro ano e estudante de medicina se dá conta que não se livrou da concorrencia. Ela persiste, mas agora os concorrentes são os próprios colegas de classe, com rostos e nomes.

A adaptação a universidade na maioria das vezes soma-se a experiência de morar sozinho, longe da família e amigos. Não há garantia de afeto e cuidados, acentuando mais sua insegurança adolescente. Muitas vezes é o primeiro contato com festas, drogas muitas vezes impostas e com as primeiras decepções.

A visão idealizada da faculdade de medicina traz muitas vezes a frustração. São comuns frases do tipo "a didática do professor é ruim" "bom mesmo era no cursinho, as aulas eram apostiladas e organizadas". As disciplinas básicas muitas vezes são encaradas como "adiamento com o contato com a Medicina".

Não há espaço para emoções, sobe o risco de parecer muito frágil, sensível e não servir para ser médico. Também não há espaço para dúvidas, a desistência e vista como um fracasso.

A entrada no hospitalEditar

Superada ou não a adaptação, dá-se início ao ciclo aplicado, o terceiro ano, a entrada no hospital, o contato com o doente. O primeiro contato com a doença, com a morte. O estudante ou aprende a lidar com esses sentimentos, fragilizando-se e buscando ajuda, ou constroi defesas modeladas pelos mais velhos, distanciando-se do paciente, refugiando-se na racionalidade técnica, no organicismo. Esse é o momento que estudante se aproxima da atuação médica e teme não realizá-la plenamente.

Tripé da formação do médicoEditar

(base da sustentação da formação médica, que determinam o exito ou o fracasso).

1)Sólido conhecimento teórico-técnico (constante e ad eternum, educação continuada);

2)Aquisição de habilidades na prática médica (propedêutica);

3)Desenvolvimento de atitudes autenticas perante qualquer ato médico (características de personalidade, bases éticas e responsabilidade do indivíduo médico adquiridas na vida e na formação médica). 


A identidade médicaEditar

Identidade do médico pode ser definida como “a propriedade de o indivíduo, independentemente das circunstâncias e de pressões, manter-se basicamente o mesmo e, portanto, é a expressão do que de fato ele é”.


Cada médico tem a sua personalidade, mas na formação deveremos desenvolver a capacidade de:

1)Somar a personalidade individual com a da identidade médica adquirida na formação médica. Na formação devemos aprender que algumas características obrigatoriamente devem estar presentes. O ponto principal é a constância de humor e de comportamento (não colocar situações pessoais na prática médica, oferecer as mesmas possibilidades (de tratamento por exemplo) a todos os pacientes, tratar pacientes SUS da mesma maneira dos pacientes que pagam a consulta);

2)Ser empático;

3)Ser continente - conter o paciente é um termo muito usado na psiquiatria, é fazer que ele se sinta acolhido;

4)Ter comunicação adequada - transmitir informações corretas ao paciente, se certificar que ele entendeu o que precisava ser entendido, ficar atento a comunicação não verbal;

5)Ver e enxergar - ver: visão, enxergar: ir além.

6)Uma visão sistêmica da medicina: biopsicossocial - considerar dados sociais, história familiar individual, dados psicológicos além dos dados fisiológicos e patológicos na busca do diagnóstico.

Um resultado indesejável na formação da identidade é o adoecimento do estudante/médico. Embora saúde mental e identidade sejam questões distintas, no campo profissional elas podem se encontrar. O enfrentamento de conflitos durante a graduação deixam marcas na sua identidade profissional. Características pessoais antes contidas, podem aflorar no exercício da medicina.

Formação do médicoEditar

Algumas dificuldades devem ser superadas pelo jovem estudante:

-Desenvolver subjetividade;

-Aprender a ouvir e escutar, ver e enxergar;

-Observação, exemplo de trocas com outros profissionais. Desde o 1º ano observamos condutas que servem de exemplos positivos ou negativos. No decorrer do curso de medicina, a deificação cai por terra.

-Superar conflitos - suas inibições e cautelas quanto ao sexo deverão ceder lugar a frieza e serenidade para estudar estruturas anatômicas e fisiológicas e examinar excrementos sem repugnância;

-Deve dissecar cadáveres, superando o respeito aos mortos que lhe foi ensinado pela cultura;

-Deve inspecionar e questionar sobre o mais íntimo de homens e mulheres: perguntar sobre relações sexuais, numero de parceiros;

-Deve assistir a morte de pacientes, dominando seus sentimentos e prosseguir seu trabalho sem se deixar abater pelas emoções (todos irão perder pacientes), aprender a dar notícias ruins;

Bases Éticas da Relação Médico PacienteEditar

O cuidado que um ser humano pode dispensar a um semelhante é vário e plural. Uma das formas possíveis é exatamente a atenção médica, apoiada nos pontos considerados críticos, a saber:

-Sigilo - subprincípio vinculado a autonomia e justiça. Exceto casos especiais, como o paciente que diz que vai se suicidar.

-Respeito ao pudor do paciente - narrar as etapas da entrevista clínica, antecipar os passos, falar a parte do corpo que será tocada.

-Empenho de meios - se colocar inteiramente na melhora da paciente, realmente querer a melhora do quadro inicial, usar todas as possibilidades e conhecimento. emprenho bilateral que sela  o compromisso de uma parceria do médico e do paciente no esforço comum de alcançar a cura.

-Expectativa cerimonial - devido deificação do médico, mesmo inconsciente existe uma expectativa do encontro com o médico. A apresentação pessoal, como o uso de roupas adequadas e a manutenção da identidade médica é muito importante para a satisfação do paciente.

-Consentimento esclarecido - explicar os riscos e benefícios e obter o consentimento;

-Busca da verdade - incansavelmente, até achar a resposta;

-Princípio da Beneficência;
Principios bioética.png

Princípios da Bioética na pesquisa médica. Fonte: http://www.efdeportes.com/efd78/etica.htm

-Princípio da Não Maleficência;

-Respeitar a autonomia do paciente -  transparece no direito do paciente ser ouvido,ele pode não querer fazer uma cirurgia para retirada de um câncer ou qualquer procedimento, e deve ser respeitado.

-A atenção ao paciente- o médico deve escutar, se interessar pelo relato do paciente. Anular a relação de submissão do paciente frente ao médico.

-Exame físico - não é apenas a busca de informações para o diagnóstico, é um cumprimento manual, um "beijo cerimonial na face", um gesto de doçura. Fazer o exame necessário para a consulta.

-Solidariedade - junto com empatia, se colocar ao lado do paciente em momentos ruins;

-Sujeição tecnológica - São acessórios para a prática do bem, não deve ser mais importante que a realçao médico paciente. aprender a usar os artifícios e instrumentos técnicos disponíveis, utilizar com racionalidade;

-Justiça - "A lei é igual a todos, aí começa a desigualdade" Karl Marx. Princípio do SUS de equidade: dispensar a cada um o que cada um precisa;

-Responsabilidade - não só responsabilidade legal, agir principalmete com responsabilidade moral.

O Estudante de Medicina e o PacienteEditar

Podemos pontuar alguns tópicos importantes:

-Transição entre o papel de aluno e profissional - ansiedade ao rito de passagem;

-Estudante jovem e pouco experiente (na vida e na técnica médica). A personalidade e caráter do aluno deve ser sólida. A aplicação dos conhecimentos técnicos se somam a personalidade do médico;

-O estudante é permanentemente avaliado quando em contato com o paciente: - Por ele mesmo, pelo professor e pelo paciente.

-Dúvidas do aluno. Ao longo do curso, várias questões são frequentes nos alunos, como a capacidade de conseguir fazer ou não, se é capaz de ser médico.

-Muitas vezes surge o sentimento de culpa por talvez não atender a expectativa do paciente.
Medico-tristeza-hg.jpg

Solidariedade no sofrimento - Fonte http://www.ahesc-fehoesc.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=984:solidariedade-no-sofrimento&catid=42:geral&Itemid=166

-É importante aprender a lidar com os próprios sentimentos e de alguma maneira superar as adversidades,

-Muitos alunos tem preocupações em invadir a privacidade dos pacientes, mas devemos ter em mente que ao entrar no consultorio (aulas práticas) vestimos o jaleco (que foi referido em aula como armadura, uniforme) estamos no papel de médicos aprendizes e devemos fazer as perguntas e atos médicos que precisam ser feitas.

O desejo de mostrar aos pais que é capaz de exercer a profissão, o desejo de poder cuidar de um familiar doente, o desejo de identificação com um médico de sua família, ou de um médico que “curou” sua família, o desejo de salvar vidas, o contato precoce com cadáveres e com a morte, a impossibilidade de fragilizar-se ou até desistir, entre tantos outros aspectos da formação médica, serão os ingredientes do conflito vivido pelo estudante. O aluno deve cuidar para:

-não menosprezar os sentimentos descritos acima, pois a longo prazo podem ser causa de problemas sérios;

-buscar supervisão em caso de dúvidas, não ser tímido. Agora é a hora de fazer todas as perguntas, por mais bobas que parecem ser;

-procurar a troca de informações entre colegas e professores;

-evitar ocultar ansiedades com atitudes defensivas.

Referências BibliográficasEditar

Gomes, J. C.M.;Capítulo: As bases éticas da relação médico-paciente in A Relação com o Paciente: Teoria, Ensino e Prática;1 ed:Guanabara Koogan; Rio de Janeiro; 2003 Número de páginas:9;  ISBN:85-277-0864-7

Mazzuco, R.D. Anotações em sala de aula. 03/06/2013

RAMOS-CERQUEIRA, Ana Teresa de Abreu; LIMA, Maria Cristina Pereira. A formação da identidade do médico: implicações para o ensino de graduação em Medicina.Interface (Botucatu),  Botucatu,  v. 6,  n. 11, Aug.  2002 .   Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-32832002000200008&lng=en&nrm=iso

Souza, A. N. D.;Capítulo: A relação médico-paciente no contexto da graduação in A Relação com o Paciente: Teoria, Ensino e Prática;1 ed:Guanabara Koogan; Rio de Janeiro; 2003 Número de páginas:9;  ISBN:85-277-0864-7

Links ExternosEditar

Assistência psicológica ao estudante de medicina: 21 anos de experiência

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42302008000100027


A angústia na formação do estudante de medicina

http://www.scielo.br/pdf/rbem/v32n1/02.pdf


Sintomas depressivos em acadêmicos de medicina da Universidade Federal de Goiás: um estudo de prevalência

http://www.scielo.br/pdf/rprs/v30n2/v30n2a08.pdf

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