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Amebíase

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Editora: Maria Eduarda Kostecki

Colaboradoras: Ana Gabriella Tesarollo e Thais Yuri Miura

IntroduçãoEditar

A maioria das espécies do gênero Entamoeba vive no intestino grosso de humanos ou de animais de forma comensal.
As espécies de ameba que podem ser encontradas no homem são:
- Entamoeba histolytica
- E. hartmanni
- E. dispar
- E. coli
- Iodamoeba butschlii
- Endolimax nana
- Diantamoeba fragilis
- E. gengivalis

Dessas 8 espécies, a E. gengivalis vive na cavidade bucal e as demais vivem no intestino grosso. A E. histolytica é a única que pode ser patogênica em determinadas situações.

MorfologiaEditar

As amebas distinguem-se umas das outras pelo tamanho do trofozoíto e do cisto, pela estrutura e pelo número de cistos. Porém, a distinção entre as espécies não é fácil. Para fazer um diagnóstico diferencial seguro é necessária a observação das várias estruturas de mais de uma ameba.
Os trofozoítos são encontrados no intestino, nas úlceras, nas fezes diarréicas e os cistos imaturos ou maduros são encontrados nas fezes normais.

Entamoeba histolyticaEditar

Por ser a única patogênica, será descrita em detalhes.


Trofozoíto
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A forma trofozoítica pode medir de 20 até 60 micrômetros. Geralmente tem apenas um núcleo, nitidamente visto nas formas coradas e pouco visível nas formas vivas. Apresenta-se alongado, com emissão contínua e rápida de pseudópodes, movimenta-se semelhante a uma lesma ou caracol. A ingestão de alimentos se dá por fagocitose (hemácias, bactérias ou restos celulares) ou por pinocitose para partes líquidas. Quando provém de casos de disenteria, é comum encontrar hemácias no seu citoplasma.
O trofozoíto, quando corado pela hematoxilina, apresenta diferenças entre ectoplasma e endoplasma, o núcleo fica bem visível e geralmente esférico. O ectoplasma seria o citoplasma, claro e hialino, e o endoplasma, granuloso, com vacúolos, núcleos e restos alimentares
A membrana nuclear é bem delgada com cromatina justaposta dando ao núcleo um aspecto de anel (aliança de brilhante).
Na parte central do núcleo encontra-se o cariossoma (massa de cromatina), também chamado de endossoma.
Na microscopia eletrônica, os trofozoítos da E. histolytica não apresentam mitocôndrias, aparelho de Golgi, nem retículo endoplasmático que são organelas encontradas nas células eucariotas.
Os trofozoítos da E. histolytica tem como ambiente natural o intestino grosso. As amebas são essencialmente anaeróbias, podendo crescer na presença de no máximo 5% de oxigênio.
O catabolismo da glicose é de forma anaeróbica tendo como produtos o etanol, CO2 e ATP.
A multiplicação dos trofozoítos ocorre por fissão binária.


Pré-cistoEditar

É a fase intermediária entre trofozoíto e cisto. É ligeiramente arredondado e menor que o trofozoíto.


MetacistoEditar

Caracteriza-se pela forma multinucleada que emerge do cisto no intestino delgado, dando origem aos trofozoítos.


CistosEditar

São a forma de resistência do parasito às condições ambientais. São esféricos ou ovais. Sua parede é rígida e constituída de quitina e glicoproteínas. Seus núcleos tornam-se visíveis quando corados pela hematoxilina tomando a cor castanho-escuro. Os núcleos variam de um a quatro. O cariossoma é pequeno e situa-se no centro do núcleo. No citoplasma também encontram-se “vacúolos de glicogênio” que são reservas de glicogênio, em lugar dos vacúolos digestivos.


Ciclo Biológico (não patogênico) e TransmissãoEditar

Os trofozoítos da E. histolytica normalmente vivem na luz do intestino grosso podendo, ocasionalmente, penetrar na mucosa e produzir ulcerações intestinais ou até em outros locais do corpo, como no peritônio, fígado (abscesso hepático), pulmão, rim e, raramente, no cérebro.
A membrana plasmática desse parasita é constituída de carboidratos, lipídios e proteínas.
O ciclo é monoxênico, ou seja, tem apenas um hospedeiro para fechar o ciclo biológico.
O ciclo inicia-se pela ingestão de cistos maduros, junto com alimentos ou água contaminados. Passam pelo estômago e resistem à ação do HCl (raramente, o HCl pode contribuir para o desencistamento precoce do parasita). Os cistos chegam ao final do intestino delgado e início do grosso, no qual ocorre o desencistamento liberando os metacistos. Os metacistos passam por divisões nucleares e citoplasmáticas e dão origem a 4 e depois 8 trofozoítos metacísticos. Estes migram para o intestino grosso onde se colonizam. Ficam aderidos à mucosa intestinal, vivendo de forma comensal, alimentando-se de detritos e bactérias.
Por circunstâncias ainda desconhecidas, os trofozoítos se desprendem da mucosa intestinal, sofrem desidratação eliminando substâncias do seu citoplasma, e transformam-se em pré-cistos. Os pré-cistos secretam uma membrana cística transformando-se em cistos mononucleados e depois em cistos tetranucleados e são eliminados com as fezes normais (não diarréicas).
A partir daí se dá a forma de transmissão da amebíase. A ingestão de água ou alimentos contaminados por dejetos humanos são importantes veículos para os cistos maduros. Os cistos também podem ser trazidos por baratas e moscas que regurgitam cistos ingeridos. A falta de higiene domiciliar pode facilitar a disseminação dentro da família. Os portadores assintomáticos são os principais disseminadores dessa protozoose.

Ciclo não-patogênico.jpg

Ciclo não-patogênico













Ciclo patogênicoEditar

Por razões também desconhecidas, os trofozoítos podem invadir a mucosa intestinal e se multiplicar nas ulcerações e, por vezes, podem atingir a circulação porta e infectar outros órgãos causando a amebíase extra-intestinal. O trofozoítos presente nas ulcerações são denominados de forma invasiva ou virulenta.
Uma vez vencida a barreira epitelial, os movimentos amebóides e a liberação de enzimas proteolíticas (hialuronidades, proteases, mucopolissacaridases) favorecem a destruição tecidual. Não é tão recorrente, mas pode acontecer de os trofozoítos induzirem uma resposta inflamatória com formação de uma massa granulomatosa, chamada “ameboma”.
As amebíases podem causar disenterias, colites não-disentéricas, apendicite amebiana ou amebomas.
Como acometimento extra-intestinal, o principal órgão é o fígado, formando abcessos ou necrose coliquativa. Também pode acometer o pulmão, rim, pele, períneo, peritônio e cérebro.
O período de incubação pode variar de 7 dias até 4 meses. Porém, 80 a 90% das infecções humanas pela E. histolytica são assintomáticas e a infecção é detectada pelo encontro de cistos nas fezes.


Quadro clínicoEditar

As formas sintomáticas caracterizam-se por colites disentéricas e não-disentéricas.
A colite não-disentérica é a forma clínica mais freqüente e manifesta-se por duas a quatro evacuações (diarréicas ou não) por dia. Pode apresentar cólicas e raramente há febre. Ocorre alternância entre manifestação clínica e período silencioso.
A forma disentérica aparece de modo agudo, acompanhada de cólicas intestinais e diarréia mucossanguinolentas, podendo ocorrer tenesmo (dor ao evacuar) e tremores de frio. Pode haver 8 ou mais evacuações por dia. Esse tipo de amebíase pode evoluir para complicações mais graves.


DiagnósticoEditar

As manifestações clínicas da amebíase podem ser confundidas com de outras doenças intestinais como síndrome do cólon irritado, salmoneloses, esquistossomose.

O diagnóstico correto pode ser feito pela detecção da presença do parasito nas fezes.

Em caso de abcesso hepático, podem ser feitos exames de raios X, ultrassom, tomografia ou cintilografia.
O diagnóstico laboratorial é feito através da análise das fezes, soros sanguíneos (geralmente pelo método ELISA) ou exsudatos de lesões.
O exame de retossigmoidoscopia permite a visualização das ulcerações intestinais e coleta do material das lesões.

ProfilaxiaEditar

Educação sanitária: Combate às moscas, higiene dos alimentos, da água e das mãos dos manipuladores de alimentos que podem ser portadores assintomáticos.

Imagens do ciclo biológicoEditar

Dna2life-life cycle of Entamoeba histolytica.png

Ciclo biológico 1




Ciclo biológico 2.gif

Ciclo biológico 2





Ciclo biológico 3.jpg

Ciclo biológico 3













Referências bibliográficasEditar

NEVES, D. P. Parasitologia Humana. 11 ed. São Paulo: Atheneu, 2005.

KOSTECKI, M. E. Anotações da aula da Disciplina de Microbiologia e Parasitologia. UNIVILLE. 12/07/2013

Doenças Infecciosas e Parasitárias. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/doencas_infecciosas_parasitaria_guia_bolso.pdf> Acesso em 06/08/2013

Links relacionadosEditar

Amebíase

Entamoeba histolytica

Amebíase (o que é, sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção)

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