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As bases biológicas da personalidade - 19/03/13

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Editora: Ana Luyza Santin

Colaboradores: Renata Dal Bó, Jessé Lana, Leandro Rosin e Nicolas Dominico

As bases biológicas da personalidadeEditarEditar

Em 1848, Phineas Gage, operário da construção civil, sofre um acidente de trabalho no qual uma barra de ferro atravessa sua cabeça, e penetra na parte frontal de seu cérebro. Gage sobrevive, porém seu comportamento não é mais o mesmo de antes do acidente. O operário passou de homem sério, diligente, vigoroso e responsável para um homem irresponsável, descuidado, imprevidente e indiferente as conseqüências de  seus atos.

O neurologista, Antonio Damasio (1944), infere que essa pequena história sugere a importância de se reconhecer áreas cerebrais relacionadas com habilidades específicas. A busca da relação entre a biologia e a personalidade é histórica. E para melhor entende-la começaremos estudando o conceito de temperamento.

TemperamentoEditar

O temperamento é constituído pelas diferenças individuais de humor ou de resposta emocional que surgem cedo e permanecem razoavelmente estáveis. Acredita-se que as diferenças de temperamento sejam amplamente hereditárias e que elas possuam uma bas

e biológica.  

Hipócrates e Galeno sugeriram que os quatro elementos da natureza (ar, terra, fogo e água) estavam representados no corpo humano pelos quatro humores: sangue, bile negra, bile amarela e fleuma. A partir disso, acreditavam que as diferenças comportamentais estavam relacionadas com a predominância de um dos humores. Por exemplo, o excesso de bile negra causava a depressão.

Na tentativa de relacionar o temperamento com áreas especificas do cérebro, Franz Joseph Gall estudou cérebros de pessoas mortas e comparou com os traços da personalidade de cada pessoa antes de morrer.  Esse estudo foi denominado frenologia e apesar de ter sido visto como charlantarismo e superstição,foi um importante marco no estudo do funcionamento da personalidade em determinadas áreas do cérebro.

Pesquisas Editar

- Século XIX

Galton diferenciou nature (hereditariedade) e nurture (ambiente), dando início a controvérsia entre os dois.

Kraepelin conceituou transtornos de humor como psicose maníaco depressiva, atualmente conhecido como Transtorno Bipolar.

Século XX

Ernst Kretschemer relacionou tipo de corpo com a personalidade.     

Tabela 1.jpg

Classificação - Ernst Kretschemer. Fonte: Ana Luyza Santin

Metodologia deficiente: pessoas podem se tornar obesas com a idade, por exemplo.

William Sheldon propôs que cada pessoa possui uma estrutura biológica básica que é herdada e que determina seu temperamento.


                                                                    Classificação:

Tabela 2.jpg

Classificação William Sheldon. Fonte: Ana Luyza Santin

Ectomorfo mesomorfo endomorfo.jpg

Classificação Sheldon. Fonte: http://exercicioesaude.wordpress.com/2011/04/17/biotipos/

                  

Método deficiente: estudo baseado mais em experiências do que na biologia.

Constituição e temperamento: estudos longitudinaisEditar

Apesar da definição de temperamento pressupor que esta existe desde o nascimento, apenas em 1950, com a inauguração do New York Longitudinal Study por Alexander Thomas e Stella Chess, é que se iniciaram as pesquisas de temperamento com bebês.

PesquisasEditar

Tomas e Chess: 

Método: Acompanhamento de 100 crianças, desde o nascimento até a adolescência.

Avaliaram características como: atividade, humor geral, duração de atenção e persistência.

Classificaram os temperamentos em: bebês fáceis (brincalhões e adaptáveis), bebês difíceis (negativos e inadaptáveis) e bebês de aquecimento lento (lentos em reatividade e moderados em suas respostas).

Resultados: Verificaram conexão entre o temperamento inicial e as características posteriores de personalidade. Relacionaram o ambiente parental como influente no tip

o de temperamento do bebê. Exemplo: Bebês difíceis apresentavam maior dificuldade de adaptação quando cresciam.

Arnold Buss e Robert Plomin:

Definiram quatro dimensões do temperamento: emocionalidade, atividade, sociabilidade e impulsividade. Esta última dimensão foi retirada da pesquisa por não ser muito clara para análise. Apesar de ter sido feito estudo entre gêmeos dizigoticos e monozigóticos, a pesquisa não é validada pois a avaliação das característcas de personalidade foi feita pelos pais das crianças e não pelos próprios pesquisadores.


Constituição e temperamento: a pesquisas de Kagan sobre crianças inibidas e desinibidasEditarEditar

Jerome Kagan (1944; 1999) se diferenciou por tentar utilizar meios objetivos para as pesquisas de temperamento.  Focou seu trabalho em dois perfis evidentes de personalidade, que foram conceituados por ele como inibido e desinibido.

Bebe rindo.jpg

Bebe rindo Fonte: http://pt.depositphotos.com/2305544/stock-photo-Smiling-baby.html

Bebe-chorando.jpg

Bebe chorando Fonte: http://togravida.com.br/2012/11/os-primeiros-sintomas

Pesquisa - Kagan:Editar

Hipótese: Bebês herdam diferenças biológicas que os fazem  reagir mais ou menos à novidades. Essas diferenças se mantém estáveis durante o crescimento.

Método: Filmou o comportamento de bebês com quatro meses que foram estimulados com brinquedos, luzes, vozes diferentes, rosto da mãe. Acompanhou e estimulou os mesmos bebês com quatorze meses, vinte um meses, quatro anos e meio e oito anos.

Classificação dos bebês: 20% altamente reativos (choravam, arqueavam as costas, expressão facial infeliz) 40% pouco reativos 40% mistura de respostas. 

Resultados: Consistência de perfis. Os bebês mais reativos, ao longo do seu crescimento, apresentavam-se mais inibidos, tímidos e receosos a novidades. Houve estabilidade no comportamento dos bebês. Kagan considerou pequenas alterações comportamentais e também a influencia do ambiente no temperamento.

Teoria evolucionista e personalidade: a síntese moderna - Parte IEditar

Psicólogos evolucionistas acreditam que os mecanismos psicológicos básicos passaram por uma seleção, ou seja, as melhores adaptações contra os problemas de nossos ancestrais garantiram a sobrevivência e reprodução deles e passaram por gerações.  

Os componentes básicos da natureza humana, então, são considerados evoluídos. Os nossos sentimentos e emoções podem ser compreendidos a partir da adaptação que tiveram.

Os pontos a serem considerados no valor adaptativo são o sucesso reprodutivo e a transmissão de genes.  As adaptações referem-se à forma de vida de séculos atrás e são influenciadas pelo contexto, por exemplo, o gosto por gordura se relaciona com a escassez dessa fonte nutritiva no passado.

Diferenças nas preferências de homens e mulheres com relação a seus parceirosEditar

Teoria Evolucionista de Darwin

Teoria do investimento parental: As mulheres apresentam maior investimento parental na prole do que os homens porque tem período limitado de fertilidade, logo, o “custo de reposição” delas é maior e por isso procuram um homem que ofereça recursos e proteção . Já os homens se concentram mais no potencial reprodutivo da fêmea, como por exemplo, sua juventude.

Probabilidade de paternidade: Essa questão refere-se ao fato de que as mulheres sempre podem ter certeza de que são as mães de seus filhos, já os homens não tem a mesma certeza de paternidade. Dessa forma, o homem se preocupa em gastar investimento em um filho que não é seu e acaba criando rivalidades sexuais e valorizando a castidade da fêmea.

Hipóteses derivadas das teorias de DarwinEditar

Para o homem, “o valor como parceira” será medido pela sua capacidade reprodutiva, juventude, atração física e castidade.

            Para a mulher, “o valor como parceiro” será medido pela quantidade de recursos que o homem pode oferecer, através de características como a capacidade de ganhar dinheiro, a ambição e a diligência.

Em relação ao ciúme, homens são mais ciumentos com infidelidade sexual e ameaça a probabilidade parental e mulheres se preocupam com vínculos emocionais e perda de recursos.

Pesquisa - David M. BussEditar

Diferenças entre homens e mulheres no que concernem as causas do ciúme.

Resumo dos estudos realizados por David M. Buss com estudantes universitários em graduação:

Pergunta: Você experimentaria maior perturbação em resposta a infidelidade sexual ou a infidelidade emocional? Homens - 60% Infidelidade sexual Mulheres – 83% Infidelidade emocional

Medidas fisiológicas de perturbação através da imaginação de dois cenários: um em que seu parceiro se envolvia sexualmente com outra pessoa e outro em que seu parceiro se envolvia emocionalmente com outra pessoa. Novamente os homens foram mais perturbados pela cena de infidelidade sexual, enquanto que as mulheres se incomodavam com a infidelidade emocional.

A teoria Evolucionista e as Cinco Grandes Dimensões da PersonalidadeEditar

Goldberg (1990) argumenta que as pessoas fazem cinco perguntas fundamentais e universais quando interagem com outra pessoa:

1)    X é ativo e dominador ou passivo e submisso?

2)    X é agradável ou desagradável?

3)    Posso contar com X?

4)    X é louco ou são?

5)    X é esperto ou estúpido?

       Essas cinco questões correspondem às cinco grandes dimensões da personalidade defendidas pela teoria evolucionista. Porém existem diferenças individuais que influenciam nos processos de evolução por seleção natural, como, por exemplo, a extroversão e a estabilidade emocional que podem interferir na seleção de parceiros.

Há também a visão biológica de semelhança entre humanos e primatas. Além de 98% de compatibilidade entre os genes, mais sete traços são compartilhados: nível de atividade, receio, impulsividade, sociabilidade, nutrição, agressividade e dominação.

Genes e personalidade: a síntese moderna - Parte IIEditar

Para compreender a relação dos genes é importante entender que não existem genes comportamentais, como “gene da introversão” ou “gene na extroversão”.             Há três tipos de estudos que relacionam o Comportamento x Genética: estudos de acasalamento seletivo, estudo de gêmeos e estudos da adoção. 

Estudos de acasalamento seletivo:

Amostragem: animais 

Método: Animais com características específicas são selecionados e cruzados até que se produza uma linhagem com a característica desejada consistente. Também podem ser estudados animais com características diferentes, e relacionar as diferenças com a influência do meio.

Uso: Cavalos de corrida.

Estudos de gêmeos: O estudo com gêmeos permite avaliar o efeito do ambiente em gêmeos monozigóticos, fraternos e irmãos não gêmeos. Se duas pessoas possuem os mesmos genes, gêmeos monozigóticos, as suas diferenças são reflexos da influência do ambiente em que viveram. Já os indivíduos que não são geneticamente iguais, gemêos dizigóticos e irmãos não gêmeos, que compartilharam o mesmo ambiente, expressam diferenças relacionadas com a diferença genética.

Estudos da adoção: Também relacionam influência do ambiente e genes. A similaridade das crianças e os pais biológicos, diz respeito à hereditariedade dos genes. Já a similaridade das crianças com os pais adotivos, diz respeito à influência do ambiente. Nesses estudos, devem-se considerar os graus variados de similaridade.

Interações Ambientais e entre genes e ambientesEditar

Em 1958, Cooper e Zubeck fizeram um experimento com ratos para identificar a interação ambiental sobre a personalidade e temperamento. Os animais eram testados em um labirinto, os que tinham melhores habilidades e facilidade para se locomover, foram identificados como “espertos”, o restante dos ratos foram denominados “estúpidos”.  Os ratos foram separados, e os ratos “estúpidos” foram colocados em um ambiente enriquecido que os estimulava a melhor se locomover dentro do labirinto e os ratos “espertos” ficaram em um ambiente empobrecido. Os dois pesquisadores, após algum tempo, reavaliaram as habilidades dos ratos, o resultado foi que os “espertos” continuaram no mesmo nível de habilidade que possuíam antes, já os “estúpidos”, apesar de não alcançarem o nível dos “espertos”, incrivelmente evoluíram suas habilidades e se locomoviam mais facilmente no labirinto.

Ambiente Compartilhado e Não CompartilhadoEditar

Ambiente Compartilhado: ambientes compartilhados por irmãos, pelo fato de crescerem na mesma família.

Ambiente Não-Compartilhado: não são compartilhados por irmãos que crescem numa mesma família.

            Vale ressaltar para entendimento do ambiente não-compartilhado, que este ambiente pode ser diferente devido a fatores como: diferença de sexo, doença ou diferença de idade entre os filhos, levando a um modo de criação específico e não compartilhado entre os irmãos. Outro ponto importante é o fato dos irmãos geralmente possuírem amizades diferentes.

            Nos estudos de ambientes, deve se considerar o trabalho feito por Robert Plomin, em 1990. Esses estudos são baseados na avaliação da semelhança de personalidade em função do ambiente e do fator genético. Se o ambiente compartilhado fosse considerado como grande fator de similaridade, irmãos que cresceram numa mesma família seriam muito parecidos entre si e com seus pais. Porém, o que se observa é uma grande diferença de personalidade entre irmãos que compartilham ambientes. A resposta para essa questão está no ambiente não-compartilhado, Plomin sugere que além dos 40% de influência de fatores genéticos na personalidade, 35% correspondem a efeitos de ambientes não-compartilhados.

            A interpretação desses estudos é de que a família e o ambiente compartilhado têm influência sim na personalidade da criança, porém as experiências únicas de cada um são mais importantes na definição de temperamento e personalidade.

Três tipos de interação entre hereditariedade e ambienteEditar

1.    As mesmas experiências ambientais podem ter efeitos diferentes sobre os indivíduos com genótipo diferente. Ex: pai ansioso tem respostas diferentes ao tratar o filho irritável e o filho calmo.

2.    Indivíduos com diferenças genotípicas podem evocar respostas diferentes no ambiente. Ex: A criança calma consegue uma resposta diferente da criança irritável na relação com os pais. Características como beleza, também influenciam nas diferentes respostas

3.    Indivíduos diferentes selecionam e criam ambientes diferentes. Ex: o extrovertido busca ambientes diferentes do introvertido.

Neurociência e PersonalidadeEditar

Dominância dos Hemisférios Esquerdo e Direito

Davidson (1994,1995,1998) sugere que a ativação da região frontal esquerda do cérebro está associada com emoções relacionadas com aproximação e são geralmente positivas. Já a dominância da região frontal direita do cérebro está relacionada com emoções de retraimento e são normalmente negativas.

ReferênciasEditar

Santin, AL. Anotações da Aula de Psicologia Médica -19/03/2013

Pervin, Lawrence A. Personalidade: teoria e pesquisa. Artmed Editora, 2004

Estudo sobre a personalidade. Disponível em: http://config.no.sapo.pt/psicologia5.htm. Acessado em: 15/04/2013.

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