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Ascaridíase ou Ascaríase

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Editora: Thais Yuri Miura

Colaboradoras: Elisa Correia e Laíssa Mara R. Teixeira

Ascaris lumbricoides é um helminto, conhecido popularmente por lombriga. É considerado um parasita intestinal. O verme pode ser localizado em quase todo o mundo e sua presença depende de condições climáticas, ambientais e da situação socioeconômica da população.

MorfologiaEditar

Homem e mulher ascaris.jpg

Morfologia A. lumbricoides

As formas adultas são longas, cilíndricas e apresentam as extremidades afiladas. O tamanho depende da quantidade de vermes no intestino delgado e do estado nutricional do hospedeiro.

Machos: 20-30 cm de comprimento. A boca é contornada por três lábios com serrilha de dentículo e, segue-se o esôfago musculoso, o intestino retilíneo e o reto. Tem um testículo filiforme e enovelado que se diferencia em canal deferente, canal ejaculador e cloaca. A extremidade posterior é encurvada.

Fêmeas: 30-40 cm de comprimento. A boca e aparelho digestivo são semelhantes ao do macho. Apresentam 2 ovários filiformes e enovelados que se diferenciam em úteros e se une em uma vagina. A extremidade posterior é retilínea. 

Ovos 2.jpg

Ovo de A. lumbricoides

Ovos: são grandes e com cápsula espessa, formada por membrana externa mamilonada, secretada pela parede uterina e formada por mucopolissacarídeo; membrana média proteica; membrana interna, delgada e impermeável à água, formada por proteínas e lipídeos.  A membrana mamilonada facilita a aderência dos ovos a superfícies proporcionando sua propagação. E a membrana mais interna confere ao ovo grande resistência às condições adversas. 

Habitat: intestino delgado, principalmente no jejuno e íleo, mas podem ocupar todo o intestino delgado em infecções severas. Podem ficar presos à mucosa, com auxílio dos lábios ou migrarem pela luz intestinal.



Ciclo biológicoEditar

É do tipo monoxênico, ou seja, possuem um único hospedeiro. Cada fêmea é capaz de colocar aproximadamente 200.000 ovos não embrionados. Os ovos férteis em presença de temperatura entre 25°C a 30°C, umidade mínima de 70% e oxigênio em abundância originam as larvas em meio externo. 

Image.jpg

Ciclo biológico do Ascaris lumbricoides. Fonte: http://fcfrp.usp.br/dactb/Parasitologia/Arquivos/Genero_Ascaris.htm

A primeira larva (L1) é formada dentro do ovo e é do tipo rabditoide (possui o esôfago com duas dilatações). Após uma semana, ainda no ovo, a L1 se transforma em L2 e em seguida, sofre nova transformação tornando-se L3 infectante com esôfago filarioide (esôfago retilíneo).  A L3 dentro do ovo é a forma mais virulenta do A. lumbricoides, e permanecem no solo por vários meses podendo ser ingeridas pelo hospedeiro. Após serem ingeridos, os ovos larvados (L2 e L3) têm sua casca amolecida no estômago e sofrem ação dos sucos digestivos no duodeno, onde liberam suas larvas. Fatores como agentes redutores, pH, temperatura, sais, concentração de CO2 influenciam na destruição da casca no intestino delgado. As larvas liberadas atravessam a parede intestinal na altura do ceco, caem nos vasos linfáticos e veia mesentérica superior, atingindo o fígado por meio da veia porta entre 18 e 24 hrs após a infecção. Em 2/3 dias atingem o átrio direito, pela veia cava inferior e após 4/5 dias são encontradas nos pulmões (ciclo de Loss). Aproximadamente 8 dias após a infecção, as larvas sofrem nova transformação para L4, rompem os capilares e caem nos alvéolos (maior concentração de O2), onde mudam para L5. Ascendem pela árvore brônquica e traqueia, chegando até a faringe. Podem então ser expelidas com a expectoração ou serem deglutidas, passando pelo estômago e fixando-se no intestino delgado. Isso acontece principalmente à noite, pois a pessoa está com a musculatura relaxada, tendo menor risco para ser expelido do organismo. Sofre maturação para verme adulto e se reproduzem. No meio externo há eliminação de ovos embrionados (50% dos ovos são férteis e 50% inférteis). Os vermes adultos vivem um a dois anos.

Tem parte do ciclo que acontece fora do intestino, é o ciclo no pulmão (transformação de L4 e L5) --> ciclo de Loss. 

Nunca vai ter estagio L4 ou L5 nas fezes, pois eles precisam de O2 para se desenvolver.



Transmissão: oral e fecalEditar

Ingestão de água ou alimentos contaminados com ovos contendo L2 e L3. Ovos de A. lumbricoides possuem alta aderência a superfícies, o que representa um fator importante na transmissão.

PatogeniaEditar

Larvas: em infecção baixa , não se observa nenhuma alteração. Em infecção maciça pode ter lesões hepáticas (pequenos focos hemorrágicos, abcessos, hepatomegalia) e pulmonares (focos hemorrágicos, edemaciação dos alvéolos pulmonares com infiltrado inflamatório por neutrófilos e eosinófilos). A migração das larvas pelos alvéolos pode indicar Síndrome de Löeffler (pneumonia com febre, tosse, dispneia, manifestações alérgicas, bronquite e eosinofilia). Na tosse com muco pode ter sangue e larvas. Estas manifestações geralmente ocorrem em crianças e estão ligadas ao estado nutricional e imunitário.

Vermes adultos: 

Infecção baixa: 3-4 vermes, não há alterações clínicas e são assintomáticos. 

Infecção média (30-40 vermes) ou maciça (mais de 100 vermes): indivíduo pode ter problemas intestinais (constipação) ou problemas pulmonares. Tosse seca, irritação na garganta devido ao movimento das larvas.

Ação espoliadora: vermes consomem proteínas, lipídeos, carboidratos e vitaminas A e C, levando o paciente, principalmente crianças, à subnutrição e esgotamento físico e mental;

Ação tóxica: reação entre antígenos parasitários e anticorpos do hospedeiro, causando edema, urticária e convulsões;

Ação mecânica: provocam irritação na parede e podem enovelar-se na luz intestinal, levando à obstrução. As crianças são mais propensas principalmente pelo menor tamanho do intestino delgado e pela intensa carga parasitária.

Localização ectópica: nos casos de pacientes com altas cargas parasitárias ou ainda em que o verme sofra alguma ação irritativa, o verme desloca-se de seu habitat normal atingindo locais não habituais. São os “Ascaris errático”. Locais ectópicos: apêndice cecal (apendicite aguda), duto colédoco (obstrução), duto pancreático (pancreatite aguda), eliminação do verme pela boca e narinas. 

Em crianças é comum o aparecimento de manchas circulares no rosto, tronco e braços, são popularmente chamadas de “pano”. As manchas estão relacionadas com a grande quantidade de vitamina A e C consumida pelo parasito, provocando despigmentações circunscritas.

DiagnósticoEditar

Clínico: não se consegue obter, por ter poucos ou nenhum sintomas, sendo a gravidade da doença determinada pelo número de parasitas presentes. Como o parasita não multiplica dentro do hospedeiro, a exposição contínua a ovos infectados é a única fonte responsável pelo acúmulo de vermes adultos no hospedeiro.

Laboratorial: é feita 3 coleta de fezes em dias alternados. No exame parasitológico é utilizado o método de sedimentação espontânea ou de Hoffman: os ovos pesados ficam retidos embaixo. Larvas e cistos são difíceis de identificar. Positividade chega a 100%. Metodologia simples e econômica, é eficiente para pesquisa de ovos e larvas de helmintos e cistos de protozoários. 

TratamentoEditar

Ascaridil: dose única (80mg) via oral para crianças e adultos (150mg) dose única.

Albendazol: dose única (400mg) adulto e crianças. Este fármaco inibe a tubulina polimerase, prevenindo a formação de microtúbulos e impedindo a divisão celular e, ainda, impedindo a captação de glicose inibindo a formação de ATP que é fonte de energia para o verme. A droga age diretamente no trato gastrointestinal.

Mebendazol (100mg) por via oral, pela manhã e noite durante 3 dias. Dose única (500mg) via oral. 

Porcentagem de cura é de 99%-96% para todos medicamentos.

EpidemiologiaEditar

Importante problema de saúde pública, especialmente nos países em desenvolvimento (saneamento básico, insalubridade das habitações coletivas, crescimento desordenado da população).

Estima-se que 1,5 bilhão de pessoas (1/4 da população mundial) estejam infectadas por este nematódeo, chegando a uma prevalência de 73% no Sudeste Asiático e cerca de 8% nas Américas Central e do Sul.

No Brasil, a prevalência na Região Sul é baixa, no Norte é mais elevada.

Interdependência de fatores que interferem na prevalência desta parasitose:

o Humanos (socioeconômicos e culturais)
o Ambientais (temperatura, umidade, tipo de solo, etc)
o Dispersão fácil de ovos pelas chuvas, ventos, insetos e aves;
o As fêmeas liberam milhares de ovos diariamente;
o Ovos permanecem infectantes no solo por até um ano;

ControleEditar

Tratamentos em massa com drogas ovicidas dos habitantes de áreas endêmicas;

Tratamento das fezes humanas que eventualmente, possam ser utilizadas como fertilizantes;

Saneamento básico;

Educação sobre saúde e higiene.


Imagens do ciclo biológicoEditar

2002-21-142-13-i001.jpg

Ciclo biológico do A. lumbricoides








Ciclo-do-ascaris-lumbricoides.jpg

Ciclo biológico do A. lumbricoides









Referências bibliográficasEditar

MIURA, T. Y. Anotações da aula da Disciplina de Microbiologia e Parasitologia. UNIVILLE. 09/08/13

NEVES, D. P.; MELO, A. L. de et al. Parasitologia humana. 12. ed. São Paulo: Atheneu, 2011. 494 p.

Parasitologia - Estudo dos parasitas. Disponível em: <http://www.uft.edu.br/parasitologia/pt_BR/parasitologia/ascaridiase/conceito/index.html>. Acesso em 17/08/2013.

Links relacionadosEditar

Ascaris lumbricoides

Vídeo: ciclo do Ascaris lumbricoides (em inglês) 

Ascaris lumbricoides: aspectos epidemiológicos

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