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Aula prática: provas de identificação bacteriana aplicadas na microbiologia clínica

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Editora: Thais Yuri Miura

Colaboradoras: Andressa de Oliveira Coiradas, Laíssa Mara R. Teixeira

IntroduçãoEditar

Para fazer a identificação das bactérias são consideradas as características morfológicas da bactéria, sendo os estreptococos cocos Gram positivo em arranjo de cadeia longa e os estafilococos cocos Gram positivos em cachos de uva.

Realiza cultivo primário, em placa de ágar sangue de carneiro, incubadas em 5% de tensão de CO2, por 24 horas.


Diferenciação entre as espécies Editar

Prova da catalase: em uma lâmina coloca-se uma gota de H2O2 a 3% e mistura parte da colônia a ser testada.
Catalase.jpg

Fonte: http://blogdafarmaceutica.blogspot.com.br/2012/06/catalase-e-coagulase.html#.Ua-OEUBvN1I

Staphylococcus spp tem catalase positiva, ou seja, há formação de bolhas ou efervescência.

Streptococcus spp tem catalase negativa.


Características de estafilococos em ágar de sangue:Editar

Colônias grandes, convexas;
Estafilococos.jpg

Fonte: http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/controle/rede_rm/cursos/boas_praticas/modulo4/isol_sta.htm

Coloração branco-porcelana a amarelo;

Podem apresentar hemólise ou não.


Identificar as espécies de Staphylococcus sppEditar

Coagulase positiva: formação de coágulo, identifica Staphylococcus aureus.
Coagulase negativa: não há coágulo, identifica outras espécies de Staphylococcus.


  • Crescimento em ágar de manitol
Manitol positivo: formação de halo amarelo.
Manitol negativo: não há formação de halo, meio incolor.



  • Staphylococcus aureus fermenta o manitol em meio contendo 7,5% de NaCl, as outras espécies não fermentam. S. aureus apresenta caogulase positiva e manitol positivo.


  • Teste de resistência a novobiocina (5µg): usada para diferenciar as  espécies de Staphylococcus spp de coagulase negativa.
Sensível: tem halos de inibição, ≤ 16 mm. 
Resistente: sem halo.
Ureia.jpg

Fonte: http://www.microclinica.ufsc.br/index.php/metodo/agar_base_ureia/

  • Prova da urease (meio uréia de Christensen): analisar se bactéria é produtora de enzima urease.
Uréia positiva: cresce e o meio fica pink.
Uréia negativa: cresce e o meio fica amarelo.


  • Prova da ornitina: analisar se a bactéria faz descarboxilação da ornitina.
Ornitina positiva: meio fica roxo.
Ornitina negativa: meio fica amarelo.



Identificação das espécies de Staphylococcus de coagulase negativa

Espécie Novobiocina PYR Uréia Ornitina
S.epidermidis Sensível Negativo Positivo Negativo
S. lugdunensis Sensível Positivo Positivo/Negativo Positivo
S. haemolyticus Sensível Positivo Negativo Negativo
S. saprophyticus Resistente (urina) Negativo Positivo Não testar

Características de estreptococos:Editar

Colônias pequenas puntiformes;

Algumas espécies apresentam hemólise.

Anaeróbios facultativos

Não produtores de catalase e de citocromo-oxidase. 

Figura17.jpg

α-hemólise Fonte: http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/controle/rede_rm/cursos/boas_praticas/modulo4/intr_stre2.htm

  


Identificar espécies de Streptococcus spp.: faz leitura da hemólise. 

Figura15.jpg

β-hemólise Fonte: http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/controle/rede_rm/cursos/boas_praticas/modulo4/intr_stre2.htm

Hemólise beta: lise total dos eritrócitos (cor transparente).

Hemólise alfa: lise parcial dos eritrócitos (cor esverdeada).

Hemólise gama: não ocorre hemólise.

Figura16.jpg

γ-hemólise Fonte: http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/controle/rede_rm/cursos/boas_praticas/modulo4/intr_stre2.htm


Identificação de Streptococcus beta-hemolíticosEditar

  • Prova de PYR (L-Pirrolidonil-β-Naftilamida): o substrato é hidrolisado, liberando β-naftilamida, formando um composto cor pink.
PYR positivo: pink
PYR negativo: amarela


  • Prova de CAMP: proteína “Fator CAMP” reage com a hemolisina produzida pelo S. aureus, causando um sinergismo das hemólises.
CAMP positivo: ocorre um aumento da zona de lise na área de intersecção entre as sinergismo formando uma ponta de flecha.
CAMP negativa: não há sinergismo entre as hemólises.



Identificação das espécies de Streptococcus spp beta-hemolíticos

Bactéria Bacitracina PYR CAMP
S. pyogenes Sensível Positivo Negativo
S. agalactiae Resistente Negativo Positivo
S. grupo C, F, G Sensível/Resistente Negativo Negativo


Identificação de Streptococcus alfa-hemolíticoEditar

Não é feita por métodos sorológicos, pois a maioria não possui antígenos de Lancefield.


  • Teste da optoquina (5µg – Cloridrato de etil hidrocupreína): optoquina lisa a parede de S. pneumoniae, impedindo seu crescimento.
Positivo: formação de halo de inibição, ≥ 14 mm.
Negativo: não há formação de halo.
Bactéria  Optoquina
S. viridans Negativo
S. pneumoniae Positivo


Identificação de Streptococcus gama-hemoliticosEditar

Podem não apresentar nenhuma hemólise.


Positiva: crescimento com a produção de cor preta.
Negativa: crescimento sem alteração de cor.


  • Prova de tolerância ao NaCl 6,5%: analisar a capacidade da bactéria crescer em concentrações elevadas de sal.
Positivo: meio fica amarelo.
Negativo: sem crescimento, meio fica roxo.
Bactéria MTS Bile esculina PYR
Enterococcus spp Positivo Positivo Positivo
S. complexo bovis Positivo Negativo Negativo


Estudo dirigido - StaphylococcusEditar

1- Staphylococcus aureus é o principal patógeno envolvidos nas infecções de pele. Por que?

O Staphyloccus aureus é um potencial patógeno que está na microbiota normal da pele de 15% das pessoas. Dessa forma, lesões cutâneas, como queimaduras, incisões cirúrgicas, eczema e cortes são porta de entrada para esses cocos. Além disso, algumas cepas produzem enzimas e toxinas com atividade proteolítica, que dissolvem as conexões entre as células e causam separação destas, permitindo a entrada e disseminação da bactéria no tecido. As principais infecções cutâneas incluem foliculite simples, impetigo bolhoso, furúnculos e carbúnculos.


2 – O S. epidermidis isolado em hemocultura deve ser valorizado em que situação?

O S. epidermidis produz o glicocálice (substância limosa extracelular) que promove a aderência da bactéria a dispositivos plásticos e forma um biofilme que impede a passagem de antibióticos. O S. epidermidis isolado em hemocultura deve ser valorizado quando encontrado em materiais como cateteres, válvulas cardíacas, próteses articulares ou outros dispositivos plásticos inseridos no corpo, pois podem causar sérias infecções e até evoluir para um caso de sepse. 


3 - As cepas de Staphylococcus caspsuladas são ditas mais virulentas. Por que?

A cápsula é um exopolissacarídeo que pode impedir a fagocitose do Staphylococcus pelos leucócitos polimorfonucleados. Isso acontece porque a cápsula reveste os receptores que estimulam a atividade fagocitária. Além disso, a cápsula pode facilitar a aderência dos microrganismos às células do hospedeiro.


4) O Staphylococcus saprophyticus tem maior prevalência em que tipo de infecção? Qual a população? Por que?

O Staphylococcus saprophyticus é um patógeno oportunista que tem maior prevalência em infecções do trato urinário por causa do seu tropismo positivo pelo tecido uroepitelial (capacidade de aderir às células do epitélio do trato urinário).

Atinge principalmente mulheres jovens, sexualmente ativas. Esta população é mais susceptível porque o S. saprophyticus é encontrado no reto e, mais freqüentemente, no trato genital das mulheres com menos de 40 anos (não sendo encontrados em mulheres mais velhas, nem em homens de 13 a 40 anos). Isto sugere que o intróito vaginal seria o provável reservatório dessa bactéria. Além disso, as alterações hormonais do hospedeiro favorecem a reprodução de bactérias na vagina, acarretando maior suscetibilidade à contaminação por Staphylococcus saprophyticus.


Referências bibliográficasEditar

Anvisa. Módulo 4: Gram-positivos. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/controle/rede_rm/cursos/boas_praticas/modulo4/intr_sta.htm>. Acesso em: 18 de maio de 2013.

VERMELHO, Alane Beatriz (Et. al). Práticas de microbiologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006 239 p.

Koneman, E.W. et al. Diagnostico microbiologico - Texto e atlas colorido. 5ª edição. Rio de Janeiro: Ed médica. Guanabara, 2001

Links relacionadosEditar

Streptococcus

Staphylococcus aureus

Provas de identificação 

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