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Bactérias gram negativas: gênero Haemophilus

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Haemophilus influenzae cultivo.jpg

http://www.microbiologyinpictures.com/haemophilus%20influenzae.html

Editora: Elisa Cristina Correia Mota

Colaboradora: Thais Yuri Miura


Haemophilus são cocobacilos gram negativos pleomórficos (têm formato variável), anaeróbios facultativos, oxidase positivos, fastidiosos (nutricionalmente exigentes, tendo bom crescimento em ágar sangue ou chocolate) e necessitam de helmina (fator X) e nicotinamida adenina dinucleotídeo (NAD ou fator V) para crescerem. Esses fatores podem ser adicionados em discos aos meios de cultivo, favorecendo o crescimento. São capnofílicas (têm afinidade pelo CO2), imóveis (não apresentam flagelo) e não esporulam. Podem apresentar cápsula. Colonizam o trato respiratório humano.

Haemophilus influenzaeEditar

Os capsulados dividem-se em seis sorotipos (a - f), com diferenças na composição de suas cápsulas. O sorotipo B tem maior virulência e incidência. Há também a possibilidade de classificação dessas bactérias a partir de testes bioquímicos, classificando-as em biotipos de 1 a 8. As cepas não capsuladas são identificadas pela falha em reagir ao anti-soro contra os sorotipos capsulares e são denominadas "não tipáveis". 

Biotipo 3: forte tropismo pelo epitélio conjuntival. Entre os componentes está o H. influenzae biogrupo aegyptius, causador da febre purpúrica brasileira

Biotipo 4 do H. influenzae: forte tropismo pelo o epitélio genital.  
Haemophilus2.jpg

http://www.medicinapratica.com.br/tag/haemophilus-in%EF%AC%82uenzae/


Fatores de virulênciaEditar

  1. Cápsula: o principal fator de virulência. Protege a bactéria contra a fagocitose. É composta por polirriboril fosfato (PRP), que tem alta carga negativa e pode repelir células fagocitárias, além de inibir a fixação de anticorpos e complemento à superfície capsular. No cromossomo bacteriano, existe o lócus capcuja duplicação fornece grande potencial de recombinação e geração de cepas mutantes. Essas mutações podem manter a cápsula bacteriana, ou permitir que novas bactérias não a apresentem.
  2. Lipooligossacarídeo: (LOS) é o lipopolissacarídeo (LPS) característico dessas bactérias. É composto por glicose, lactose, galactose, fosfocolina (Chop) e ácido siálico. Atua como endotoxina e favorece adesão (pelos resíduos de fosfocolina) às células do hospedeiro e resistência à atividade bactericida do soro (através do ácido siálico e da galactose). 
  3. Peptideoglicano: tem efeitos citotóxicos e inflamatórios importantes em meningites e otites.
  4. Fímbira Hif: promove adesão às hemácias e células in vitro. A fímbria tem distribuição peritríquia e os genes responsáveis por sua biossíntese são Hif A,B,C,D e E.
  5. Proteínas da membrana externa: HMW1, HMW2, Hia, Hip, P5 e outras. Promovem adesão da bactérias às células.
  6. Proteínas secretadas: IgA1 protease serina (serina-protease) inativa a IgA1. 
  7. Obtenção de ferro: o ferro participa da síntese de enzimas respiratórias da bactéria. As enzimas responsáveis por sua captação são transferrina, hemoglobina e hemopexina. Encontram-se na membrana externa ou são secretadas para o meio ambiente. 


PatogêneseEditar

  1. Inalação de aerossóis do H. influenzae;
  2. Colonização das vias aéreas superiores (nasofaringe) e evasão de movimentos ciliares e outros mecanismos protetores na superfície das mucosas;
  3. Lesão do epitélio respiratório, a partir da destruição do muco;
  4. Entrada na corrente sanguínea;
  5. Tropismo pelos pulmões (em busca de O2). Na ausência de anticorpos específicos, há bacteremia com disseminação para as meninges e outros focos distais.  


Doenças causadas Editar

Sorotipo b: meningite (especialmente em crianças de 3 a 8 meses), epiglotite (mais comum em crianças de 2 a 4 anos), pneumonia, celulite (bochecha e região periorbital), bacteremia e artrite séptica

Não tipáveis: otite média, sinusite (em crianças muito debilitadas), pneumonia, septicemia e conjuntivite.


DiagnósticoEditar

Cultura em ágar chocolate e exame bacterioscópico. Em casos de meningite, podem ser detectados antígenos capsulares no lícor. Estes podem ser identificados em testes de aglutinação em lâmina. A identificação também considera o tipo de hemólise e o processamento de glicose, lactose e manose, além da dependência dos fatores X e V. 
H.influenzae agar chocolate.gif

http://bmtjournal.blogspot.com.br/2007/12/particulars-of-patient-name-tong-wei.html


TratamentoEditar

Administração de antibióticos beta-lactâmicos.Se a bactéria não produzir beta-lactamase, pode-se usar a ampicilina. Se a bactéria produzir a enzima, utiliza-se cloranfenicol (porém, existem espécies reistentes à medicação). Em surtos epidêmicos, recomenda-se o uso de rifampicina.

Outras espécies de HaemophilusEditar

O prefixo "para" identifica espécies que necessitam apenas do fator V. 

H. parainfluenzae: tem menor incidência que o influenzae. Além dele, heamolyticus, paraheamolyticus, aphrophilus e paraprhophilus são componentes da biota normal das vias aéreas superiores, mas podem causar infecções (otite, bronquite, sinusite e pneumonia). O parainfluenzae também é associado a endocardites, artrites e abscessos cerebrais. 


H. ducreyi: bacilo gram negativo pleomórfico, causador de doenças do trato genitourinário. Causa a DST cancro mole, caracterizada por ferida de alta sensibilidade (lesão semelhante à da herpes genital). A mulher portadora pode ser assintomática. O processo inflamatório inclui infiltração dos linfóctios CD4+, podendo facilitar a instalação do vírus HIV. O diagnóstico é feito por cultura em ágar chocolate, junto à vancomicina. Há também técnicas com RT-PCR e imunoflorescências. O tratamento é feito com antibióticos, como eritromicina e azitromicina, ou quimioterápicos como a ciprofloxacina. 
H.ducreyi.jpg

H. ducreyi http://www.allposters.com/-sp/Haemophilus-Ducreyi-the-Pathogen-That-Causes-Chancroid-Tem-X74-000-Posters_i9006213_.htm




Referências bibliográficasEditar

TRABULSI, Luiz Rachid; ALTERTHUM, Flavio. Microbiologia médica. 5. ed. São Paulo: Atheneu, 2008. 

MOTA, E.C.C. Anotações da aula da Disciplina de Microbiologia e Parasitologia. UNIVILLE. 07/06/2013

WILSON, Walter R; SANDE, Merle A. Doenças infecciosas: diagnóstico e tratamento. Porto Alegre: Artmed, 2004. 

Links relacionadosEditar

Vacinação contra Haemophilus influenzae tipo b

Animação: mecanismo da sinusite (em inglês)

Animação: mecanismo de ação de antibióticos beta-lactâmicos e resistência bacteriana (em inglês)

Haemophilus influenzae

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