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Delineamento de Estudos Científicos (Tipos de Delineamento)

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Editor: Augusto Radünz do Amaral

Colaboradores: Bruna da Silva Ferreira, Fernanda C. Zanotti e Felipe Starling Jardim

Relatos de casos & Séries de relatos de casosEditar

O relato de caso é, sem dúvida, um dos tipos mais comuns de estudos científicos, além de ser um dos meios pelos quais se descreve novas doenças ou fatores de risco para determinados agravos. Embora não seja considerado uma fonte científica de grande evidência, configura - se como uma grande fonte de informação. Como o próprio nome sugere, trata-se da descrição de um caso clínico, a qual inclui idade do paciente, sinais, sintomas, complicações, fatores de risco e causas. É um estudo descritivo muito importante quando se tem em mãos doenças de baixa incidência ou raras.

Exemplo: Descrição sobre a associação do sarcoma de Kaposi e AIDS realizada por um grupo de pesquisadores. Foi o primeiro relato dessa característica associada a infecção pelo virus HIV.


Obs: Uma série de relatos de caso é muito semelhante ao relato propriamente dito. A diferença está na quantidade de indivíduos relatados, uma vez que um relato simples se refere a um só indivíduo e a série a dois ou mais.

Estudos ecológicosEditar

Configura - se como uma pesquisa que visa a comparação de estatísticas de populações. Nesse caso específico a unidade de estudo não é o indivíduo, mas um grupo. Os indivíduos são mais frequentemente agregados em função de fatores geográficos ou temporais.

Aspectos positivos do estudo:

  • Gerador de hipóteses;
  • Baixo custo;
  • Facilidade operacional;
  • Rápida execução.


Aspectos negativos do estudo:

  • Não se pode testar hipóteses;
  • É altamente dependente da qualidade das informações existentes.


Exemplo de estudo ecológico:

Foram reunidos dados sobre taxas de mortalidade por doença coronariana em 18 países, de modo a estudar a relação entre esta e vários fatores econômicos, nutricionais e relacionados com os serviços de saúde prestados em cada um desses países. Uma das conclusões inesperadas desse estudo foi a forte associação negativa entre a mortalidade por doença coronariana e o consumo de vinho. Este estudo levantou a hipótese de que o consumo de vinho podia ser um fator protetor em relação à doença coronariana. Perceba que nesse caso, a comparação se deu entre grupos de indivíduos (países) e não sujeitos individuados. Essa é a grande marca dos estudos ecológicos, a avalição de sujeitos agregados.

Estudos de coorte (cohort studies)Editar

O estudo de coorte começa com a indivíduos expostos, ou seja, uma determinada característica que se deseja avaliar. O pesquisador então acompanha os indivíduos ao longo do tempo e indentifica quais daqueles selecionados desenvolverão determinada doença. Perceba que nesses estudos, afora a característica pelas quais  foram selecionados, os indivíduos apresentam outras qualidades que os diferenciam (ex: sexo, idade, raça). Isso é extremamente valioso uma vez que o desfecho, nesse caso, a doença, poderá se desenvolver em indivíduos mais velhos ou em determinado sexo com maior frequência. Isso é especialmente importante, pois em um estudo de coorte é possível identificar outros fatores de risco além do fator expositivo através dos quais os indivíudos foram selecionados.

Aspectos positivos do estudo:

  • Mede a incidência;
    Coorte.jpg

    Fonte: Oliveria, CA. 2013

  • Capaz de mensurar a exposição antes do início da doença;
  • Permite estudar o efeito de mudança na exposição;
  • Permite estudar a história natural da doença.


Aspectos negativos do estudo:

  • Associações podem ser afetadas por variáveis de confusão;
  • As perdas de acompanhamento podem prejudicar o estudo;
  • São demorados e caros;
  • Não servem para doenças raras;
  • Não permitem testar novas hipóteses.


Exemplo - Estudo de Coorte

Um dos exemplos clássicos de estudo de coorte no Brasil é a coorte de crianças estudadas em Pelotas, em 1983. Todos os nascimentos ocorridos em Pelotas, em nível hospitalar, foram acompanhados e, uma subamostra dessas crianças foi visitada aos trinta dias de vida, aos três meses, aos seis meses, ao completarem um ano e aos quatro anos. A partir das quais pode identificar as que desenvolveram e as que se mantiveram livres de uma determinada doença.


Obs: A coorte pode ainda ser retrospectiva. Isso ocorre quando as informações são coletados de um banco de dados de um pesquisador que já tenha realizado uma coorte prospectiva. Nesse tipo de coorte há uma redução dos custos da pesquisa e rapidez na obtenção dos resultados, uma vez que os dados já foram coletados por outro em um outra pesquisa.

Estudos caso - controle (case - control studies)Editar

O estudo caso - controle começa com um desfecho de interesse (doença, por exemplo) e trabalha de maneira retrospectiva até as causas. Os indivíduos são divididos em grupo caso (possuem a doença) e grupo controle (não possuem a doença). O pesquisador irá averiguar se os indivíduos do grupo caso e os indivíduos do grupo controle apresentavam determinado fator de risco. Perceba que os indivíduos são escolhidos pelo desfecho e então verifica - se se eles apresentavam os fatores de risco (causas) do desfecho. É uum tipo de estudo muito interessante quando se trata de uma doença rara, visto que seria extremamente dificil e caro selecionar sujeitos com um fator de risco e esperar que ele desenvolvesse uma doença que, como mencionado, apresente baixa incidência e baixa prevalência.

Aspectos positivos do estudo:

  • Custo relativamente baixo;
  • Número de casos não precisa ser grande;
    Caso - controle.jpg

    Fonte: Oliveira, CA. 2013

  • Estatisticamente eficiente;
  • Permite testar hipóteses;
  • Útil para doenças raras.


Aspectos negativos do estudo:

  • Dificuldade de escolher os controles;
  • Exposições são no passado;
  • Não mede prevalência nem incidência;
  • Susceptível a uma série de viéses.


Exemplo de estudo caso - controle:

Um estudo deseja avaliar a associação entre diéta rica em fibras e o desenvolvimento de câncer de cólon. Um grupo de pacientes com câncer de cólon será comparado com um grupo controle (sem câncer de colon), ambos os grupos com características muito semelhantes, exceto pelo câncer. Então será comparado a consumo diário de fibras dos indivíduos pertencentes aos dois grupos. Perceba que, dessa forma, é possível fazer associação entre o consumo de alimentos ricos em fibras com o desenvolvimento do câncer de cólon.

Estudos de corte transversal (cross - sectional studies)Editar

Também chamado de estudo de prevalência, tem o objetivo de avaliar a frequência (número de casos) de uma determinada característica (desfecho ou evento). É, sem dúvida, um dos estudos mais realizados em epidemiologia. Perceba que, como o nome sugere, o estudo se caracteriza pela transversalidade, ou seja, o pesquisador tem contato uma só vez e então registra as informações pertinentes ao seu estudo.

Aspectos positivos do estudo:
Cross Sectional Study.jpg

Fonte:ephedrinewheretobuy.com

  • Rapidez;
  • Baixo custo;
  • Maior facilidade operacional.


Aspectos negativos do estudo:

  • Não são adequados para doenças raras;
  • Difícil de saber se a exposição precedeu a doença;
  • Não medem incidência.


Exemplo de estudo de corte transversal:

Realizou - se um estudo através de questionário para avaliar a utilização de drogas entre indivíduos de baixa classe social e indivíduos de média e alta classe social. A partir dos resultados, pode - se avaliar a associação entre classe social e consumo de drogas. Perceba que, nesse tipo de delineamento, o pesquisador não tem certeza da relação de causalidade entre as variáveis. Entretanto, pode - se avaliar a associação entre as características estudadas.

Ensaio clínico controlado e randomizadoEditar

São normalmente divididos em fases (0, 1, 2 , 3 e 4), a partir das quais se busca aplicar um determinado tipo de tratamento e averiguar se há melhora do paciente. São classificados como estudos de intervenção, uma vez que se altera a conduta do paciente. Esse tipo de delineamento tem altíssimo valor científico pela sua prospecção e correção dos fatores de confundimento, sendo considerados "padrão ouro" na pesquisa científica.

Obs: As fases e o ensaio clínico propriamente dito serão mais detalhadamente explicados na página "Ensaios Clínicos - Fases".

ReferênciasEditar

1 - AMARAL, Augusto Radünz. Anotações da aula da Disciplina de Epidemiologia Geral. UNIVILLE. 03/07/2013.

2 - CHIZZOTTI, Antonio. Pesquisa em ciência humanas e sociais. São Paulo: Cortez, 2006.

3 - DESCARTES, René. Discurso do método. Tradução, prefácio e notas de João Cruz Costa. São Paulo: Ed de Ouro, 1970.

4 - GOLDSBY, Richard A., KINDT, Thomas J., OSBORNE, Barbara A. Kuby Imunologia. 4 ed. Rio de Janeiro: Revinter, 2002.

5 - GRIMES, David, SCHULZ Kevin. An overview of clinical research: the lay of the land. The Lancet 2002; 359:57-61.

6 - LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia científica. São Paulo: Atlas, 2007

Links externosEditar

1 - Conceitos Básicos em Epidemiologia e Bioestatística

2 - OpenIntro Statistics

3 - Elaboração do Projeto de Pesquisa

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