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Doença de Chagas

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Editora: Maria Eduarda Kostecki

Colaboradoras: Ana Gabriella Tessarollo e Thais Yuri Miura

Agente etiológicoEditar

Trypa3.jpg

Trypanossoma cruzi

O agente etiológico da doença, o Trypanossoma cruzi, é um protozoário sanguíneo flagelado.

Possui mais de 60 linhagens ou cepas de diferentes variações morfológicas, ecológicas e patogenicidade variável. Algumas linhagens nem chegam a ser nocivas ao ser humano.
O protozoário foi descoberto e descrito por Carlos Chagas e seu nome foi dado em homenagem a Osvaldo Cruz.


O vetorEditar

O vetor do Trypanossoma cruzi é o inseto hematófago do gênero Triatoma infestans ou triatomíneo.
Chagas1.jpg

Triatoma infestans (barbeiro)

Esse invertebrado é popularmente conhecido como barbeiro, bicho-de-parede, bicho-de-frade, gaudério, chupança, rondão ou procotó.

O movimento das suas asas é característico e suas cores (amarelo e preto) auxiliam na identificação.

O barbeiro tem hábitos noturnos e pode ser encontrado em vários lugares, mais comumente em casas de barro ou de madeira onde há frestas para ele se esconder.


Ciclo biológico no hospedeiro invertebrado (barbeiro)Editar

O triatomíneo se infecta ao sugar o sangue de uma pessoa com tripomastigotas circulantes. No estômago do inseto elas se tranformam em epimastigotas. Essa é a forma responsável pela manutenção da espécie dentro do vetor. Permanecem lá durante toda a vida do inseto e não tem capacidade infectante. As epimastigotas se aderem ao intestino do barbeiro e multiplicam-se por divisão binária.
Na porção final do intestino ou nas fezes as epimastigotas se diferenciam em tripomastigotas metacíclicas.  Essa forma não tem capacidade reprodutiva (não sintetiza DNA), mas é altamente infectante para os vertebrados. As tripomastigotas metacíclicas são resistentes a temperatura de 37° C e não conseguem penetrar em células teciduais.


Ciclo biológico no hospedeiro vertebrado (homem)
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Chagas ciclo orig - Cópia.gif

Ciclo biológico da Doença de Chagas. Fonte: http://resumao-e02.blogspot.com.br/2011_08_01_archive.html

No ato da picada o vetor libera proteases e substâncias anticoagulantes (heparina) e vasodilatadoras. Ele suga o sangue da pessoa e defeca no local eliminando tripomastigotas metacíclicas. Essa picada causa um prurido (coceira) e o fato da pessoa coçar o local facilita a entrada do parasito na corrente sanguínea.  Como já falado, essa forma não tem capacidade de invadir células teciduais e também não permanece muito tempo na corrente sanguínea.

As tripomastigotas metacíclicas são fagocitadas por macrófagos. As enzimas lisossômicas presentes no macrófago não conseguem digerir o parasito. Dentro do macrófago as tripomastigotas metacíclicas se transformam em amastigotas (formas ovais e sem flagelo) que tem capacidade reprodutiva, sofrem divisão binária.

Ocorre o rompimento do macrófago, então as amastigotas já vão ter uma cauda e passam a ser chamadas de tripomastigotas circulantes (tripomastigotas delgadas ou vertebradas). As tripomastigotas circulantes têm a capacidade de invadir tecidos e também outros macrófagos. 

Quando a forma circulante invade uma célula, seja do sistema imunológico (macrófagos) ou tecidual, ela sempre vai se diferenciar em amastigota para sofrer divisão binária. Lembre que a forma amastigota é a que tem capacidade reprodutiva e não tem flagelo. Depois da reprodução, ocorre o rompimento da célula (macrófago ou tecido) e a partir daí são chamadas de tripomastigotas circulantes, com flagelo e com capacidade de infectar novas células ou outro barbeiro.
O tempo de diferenciação de amastigota em tripomastigota circulante pode levar anos, tudo depende do sistema imunológico da pessoa.


Mecanismos de transmissão
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- Picada do inseto: Penetração de tripomastigotas metacíclicos eliminados pelas fezes do barbeiro.

- Transfusão sanguínea

- Congênita: Ocorre quando existem ninhos de amastigotas na placenta que causam um processo inflamatório e liberam tripomastigotas circulantes que chegam a circulação fetal. Geralmente os bebês nascem com problemas cardíacos.

- Acidentes de laboratório: Penetração do parasito na pela lesada.

- Oral: Penetração do parasito na mucosa oral íntegra ou lesada. Lembrar do surto em SC, por ingestão de caldo de cana que possivelmente foi triturado com a presença do inseto parasitado.

- Coito e leite materno: Não é muito esclarecido.

- Transplante: Para indivíduos que recebem órgãos infectados.

A doençaEditar

O período de incubação oscila entre 5 a 15 dias e em caso de transmissão transfusional, de 30 a 40 dias.
Romaña.jpg

Sinal de Romanã e chagoma. Fonte: http://www.medcenter.com/medscape/content.aspx?id=26169&langType=1046&page=5

A fase aguda da doença pode ser assintomática. Se for sintomática pode iniciar através de manifestações locais quando o T. cruzi penetra na conjuntiva (sinal de Romanã) ou na pele (chagoma de inoculação ou chagoma cutâneo). Essas lesões ocorrem em 50% dos casos e podem regredir em um ou dois meses.

Os pacientes podem estar febrios, com mal estar e com falta de apetite podendo confundir com outro quadro. Podem ocorrer processos inflamatórios de caráter focal (sinal de Romanã ou chagoma cutâneo) ou em um determinado órgão ou vários. Aumento dos gânglios, do baço (esplenomegalia), do fígado (hepatomegalia) e distúrbios cardíacos.

A fase crônica pode conter uma fase indeterminada ou latente, na qual os pacientes podem passar por um longo período assintomático de 10 até 30 anos. Após isso podem apresentar diversos problemas:

- Cardíacos: Geralmente Insuficiência Cardíaca Congestiva (ICC) devido a diminuição da massa muscular que se encontra destruída pelo rompimento de suas células.

- Digestivos: Alterações no esôfago (megaesôfago) ou no intestino grosso (megacólon) podendo causar náuseas, vômitos, emagrecimento e dores.

- Neurológicos: Lesões inespecíficas que causam alterações psicológicas, comportamentais e perda de memória.

DiagnósticoEditar

É feito com base na história clínica do paciente. Também com o auxílio do microscópio para buscar o parasita no sangue do paciente (parasitemia alta), o que é possível apenas na fase aguda após cerca de 2 semanas depois da picada.
Xenodiagnóstico: No qual o paciente é intencionalmente picado por barbeiros não contaminados e, quatro semanas depois, seu intestino é examinado em busca de parasitas; ou pela inoculação de sangue do doente em animais de laboratório e verificação se desenvolvem a doença aguda.
Na fase crônica pode-se pesquisar anticorpos no soro do paciente pelo método ELISA. Ou biopsiar órgãos infectados.


Tratamento
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O tratamento é feito com o medicamento Benzonidazol. Esse fármaco é contra-indicado em gestantes. O médico terá de achar outra alternativa para para tratar mulheres grávidas.
O tratamento ainda é parcialmente ineficaz e por isso a Fiocruz está em pesquisas para buscar outras opções terapêuticas.

ProfilaxiaEditar

Ainda não há vacina para a prevenção da doença. A prevenção está centrada no combate ao vetor, o barbeiro, principalmente através da melhoria das moradias rurais a fim de impedir que lhe sirvam de abrigo. A melhoria das condições de higiene e a limpeza frequente das palhas e roupas são eficazes. Uma forma possível de prevenir as complicações dessa doença é sendo um doador de sangue regular, pois nas áreas endêmicas fazem gratuitamente o exame para identificar Chagas em todas amostras coletadas e enviam uma carta nominal com os resultados.
Basicamente, a prevenção se dá pela eliminação do vetor, o barbeiro, por meio de medidas que tornem menos propício o convívio deste próximo aos humanos, como a construção de melhores habitações, pois este inseto vive nas frestas das casas de pau-a-pique, ninhos de pássaros, tocas de animais, casca de troncos e sob pedras.
O uso do inseticida extremamente eficaz, porém tóxico, o DDT está indicado em zonas endêmicas, já que o perigo dos insetos transmissores é muito maior.

Referências bibliográficasEditar

NEVES, D. P. Parasitologia Humana. 11 ed. São Paulo: Atheneu, 2005.

KOSTECKI, M. E. Anotações da aula da Disciplina de Microbiologia e Parasitologia. UNIVILLE. 08/08/2013

T. cruzi. Disponível em: <http://www.ufrgs.br/para-site/siteantigo/Imagensatlas/Protozoa/Trypanosomacruzi.htm> Acesso em 18/08/2013

Links relacionadosEditar

Doença de Chagas - Fiocruz

Doença de Chagas - Resumo

Doença de Chagas - Portal do Ministério da Saúde

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