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Doenças Obstrutivas e Restritivas

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IntroduçãoEditar

A obstrução do fluxo aéreo é um decréscimo do movimento de ar entre os alvéolos e a boca, podendo causar doenças das vias aéreas superiores e inferiores. As vias aéreas superiores são a área acima da ramificação dos bronquios ou seja, carina. Já as vias aéreas inferiores compreendem  a parte abaixo dos brônquios principais. Todas essas doenças provocam estreitamento das vias aéreas.

Doenças das vias aéreas inferioresEditar

Bronquiolo com.jpg

Bronquíolo com alteração devido a DPOC. Disponível em: http://fisiodiario.blogspot.com.br/2010_08_01_archive.html

Asma

DPOC(enfisema, bronquite cronica)

Bronquiectasia

Fribrose cística

Doença das vias aéreas superioresEditar

Tumor

Paralisia das cordas vocais

Corpo estranho

Essas doenças, exceto o enfisema, comprometem as vias aéreas. O enfisema compromete o parênquima pulmonar, leva a destruição a parede alveolo-capilar por um aumento dos espaços alveolares. A bronquite crônica causa a produção diária de espectoração por três meses no decorer de dois anos consecutivos. A bronquiectasia é uma dilatação anormal dos brônquios, ocorrendo destruição dos elementos musculares e elásticos das paredes. A fibrose cística leva a alterações no transporte iônico das vias aéreas, causando acúmulo anormal de secreções nas vias aéreas com infecções bacterianas. A asma é uma doença inflamatória das vias aéreas, resultando na obstrução reversível do fluxo de ar por uma contração da musculatura lisa destas estruturas. 

Os mecanismos de obstrução envolvem alterações no lume, espessamento e compressão da parede e contração da musculatura lisa das vias aéreas. 

Resistência das vias aéreasEditar

Na respiração precisamos de uma pressão mais alta para mover o ar do que somente superar a elasticidade do pulmão e da caixa toraxica. Essa pressão adicional é resultado do atrito entre as moléculas de ar, como entre as moléculas de ar e as paredes das vias aéreas (resistência das vias aéreas), Também é resultante do atrito entre o pulmão e a caixa toraxica(resistencia tecidual). A resistencia das vias aereas corresponde a 80% e a tecidual 20% da resistencia pulmonar total. 

Rva=(Pboca-Palveolo)/taxa do fluxo aereo

Rva~C/R(elevado a quarta potência)

Dessa forma, uma via aérea maior tem uma resistência mais baixa do que uma menor. Com a divisão contínua das vias aéreas, os lumes tornam-se menores, levando a uma maior resistencia das vias de forma individual. Entretanto, com essa divisão progressiva das vias, as estruturas ficam mais curtas, levando a uma área de corte transversal maior, fazendo com que a resistencia pulmonar total tenha um aumento de magnitude pequena. 

Temos duas áreas anatomicas no pulmão, a central e a pariférica. As vias aéreas centrais tem mais de 2mm de diametro, e as perifericas tem diametro inferior a 2mm. A resistencia ao fluxo na vias centrais é responsável por 80 a 90% da resistencia total, já a resistência ao fluxo nas vias periféricas representam 10 a 20% da resistência total. A resistência mais alta nas vias centrais é resultado de  volumes de gás maiores passando por áreas de corte transversal menores das vias aereas superiores, gerando um fluxo turbulento de alta velocidade. 

Nas pequenas vias aereas o fluxo é mais lento em decorrência das áreas de secção transversal mais largas, gerando um fluxo laminar. Desta forma nas pequenas vias aéreas a pressão de propulsão de fluxo não é dependente da densidade do gás, e sim, de sua viscosidade.

Sendo que a maior parte da resistência das vias encontra-se nas vias centrais, suas obstruções levam a um grande aumento da resistência com obstrução do fluxo. Todavia, nas pequenas vias aéreas temos uma área maior de secção transversal, fazendo com que a doença e a obstrução do fluxo sejam menos evidentes.

Mecanismos de obstrução do fluxo aéreoEditar

Anormalidades estruturaisEditar

Pode ser causado por: obstrução do lume(por secreções, por exemplo), espessamento da parede das vias aéreas(por edema, por exemplo), perda da sustentação da sustentação das vias aéreas e contração da musculatura lisa das vias aéreas. Uma ou mais causas podem estar presentes em uma único quadro obstrutivo.

Criança doença obstr.jpg

Obstrução de via aérea causada por inflamação de brônquios. Disponível em: http://www.fisiolistica.com/joomla/index.php/cinesioterapia


Pode-se ter obstrução das vias aéreas superiores, acima da carina, como também podemos ter uma obstrução de vias aéreas inferiores, abaixo da carina. As obstruções de vias aéreas superiores normalmente ocorrem por corpos estranhos, crupe e traqueite, epiglotite, tumor ou doenças neuromusculares. Já as obstruções em vias aéreas inferiores podem ser ocasionadas por asma, bronquite crônica, fibrose cística, enfisema, sarcoidose ou também corpos estranhos nesses locais.

Contração da musculatura lisa das vias aéreasEditar

A musculatura lisa das vias aéreas é a via comum final para processos neuroumorais e celulares inflamatórios. 

Transdução de sinaisEditar

A maioria das substâncias que afetam a musculatura lisa das vias aéreas age por meio de ligação com receptores específicos de superfície celular.

Canais IônicosEditar

Desempenham um importante papel na regulação e contração da musculatura lisa das vias aéreas. 

Sistema de receptores Beta-adrenérgicosEditar

Esse sistema representa uma via reguladora de controle da contração da musculatura lisa das vias aéreas.

Função Pulmonar nas Doenças Obstrutivas das Vias AéreasEditar

Resistência das vias aéreas e taxa de fluxo aéreo expiratóriasEditar

Em pacientes com doenças obstrutivas, há uma dificuldade no processo da expiração - há uma redução da taxa de fluxo aéreo expiratório. Essa redução pode ocorrer em resposta a fatores que as vias aéreas, levando a uma diminuição do diâmetro das vias e aumentando a resistência. a resistencia do fluxo aéreo é inversamente proporcional ao raio das vias elevado à quarta potência, dessa forma, pequenas alterações no raio, por secreções por exemplo, podem acarretar grandes aumentos da resistência do fluxo de ar. 

Curva do Fluxo-VolumeEditar

Essa curva relaciona a taxa de fluxo aéreo e o volume pulmonar. Há duas porções na curva: a porção expiratória (exala da capacidade pulmonar total ao volume residual) e uma porção inspiratória (inala do volume residual à capacidade pulmonar total).

Curva fluxo volume.jpg

Curva Fluxo-volume em diferentes disfunções. Disponível em: http://www.medicinageriatrica.com.br/tag/espirometria/

Na doença obstrutiva difusa, a curva fluxo-volume tem uma porção expiratória côncava e normalmente uma configuração normal da porção inspiratória. o tempo expiratório é prolongado na doença obstrutiva em virtude do aumento da resistência das vias aéreas, que também retarda o esvaziamento dos alvéolos, acarretando aumento dos volumes pulmonares.

Complacência PulmonarEditar

Em pacientes com enfisema, a retração elástica está reduzida e os pulmões são mais facilmente distendidos para uma determinada pressão. Na asma, o volume pulmonar está aumentado em virtude do fechamento alveolar, porém não há alteração da elasticidade pulmonar. Em pacientes com fibrose, os pulmões tem maior dificuldade de se distenderem , pois há presença de tecido cicatricial no interstício.

Trabalho RespiratórioEditar

Está aumentado na obstrução do fluxo aéreo. O paciente precisa superar a resistência aumentada ao fluxo aéreo e as modificações dos volumes pulmonares, que também alteram o aproveitamento mecânico dos músculos respiratórios. A obstrução causa hiperinsuflação , por meio da geração de pressões intratorácicas mais negativas, para superar o aumento da resistência ao fluxo. Esta hiperinsuflação diminui a resistência das vias aéreas, por meio de um aumento do trabalho eslático para conseguir respirar. o aumento da necessidade de trabalho é consequencia da menor complacência e da diminuição do movimento pulmonar com volumes pulmonares mais altos. Respirar com um volume pulmonar maior é mais difícil, desconfortável e necessita de maior trabalho por parte dos músculos respiratórios.

Efeito da Obstrução do Fluxo Aéreo na Função CardíacaEditar

Na obstrução ao fluxo, temos um aumento das pressões intratorácicas, como também tem efeitos na pré e pós-carga. As pressões inspiratórias mais negativas no tórax são transmitidas ao coração, levando a reduções proporcionais das pressões intracardíacas. Isso leva a um pulso paradoxal, que é uma queda transitória com a inspiração e um aumento coma expiração da pressão arterial sistêmica. A gravidade do pulso paradoxal é notificada pela diferença da pressão arterial sistólica entre a expiração e a inspiração.

Alterações da Troca GasosaEditar

Essas alterações podem ocorrer em doenças obstrutivas agudas. Elas levam a uma redução da tensão sanguinea de oxigenio, ou seja, hipoxemia - diminuição a PO2 aterial - ou aumento ou redução da PCO2 - hiper ou hipocapnia. Os mecanismos envolvidos incluem alteração da relação ventilação-perfusão, shunt e hipoventilação.   

Referências:

  • Batista F. Anotações em sala de aula. Univille, 2013.
  • Porth CM, Matfin G. Fisiopatologia. Vol 1, 8ªed, 2010.
  • Criner JG, D'alonzo EG. Fisiopatologia Pulmonar. Material dado pelo professor, 2013.
Relaçãoes ventilações e perfusões.jpg

obstrução das vias respiratórias, no shunt. Obstrução da circulação no espaço morto. Slides Professora.

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