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Fígado

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Editor: Rafael de Geus Koerber 

Colaboradores: Giórgio Conte Tondello, Kurt Neulaender Neto, Lucas Andrei Muehlbauer, Carlos Ehr  e Tiago Vasconcelos Xavier.

FígadoEditar

Em primeiro lugar, deve-se observar brevemente a anatomia macroscópica do fígado, apenas a fim de recapitulação para um melhor entendimento acerca do funcionamento fisiológico do fígado.

Vasculatura abdominal.jpg

Fonte: Netter

 
Liver.jpg

Fonte: Netter















Posteriormente, devemos tecer alguns comentários breves a cerca da anatomia fisiológica do fígado, para a melhor compreensão de fisiologia propriamente dita. Sendo assim, cabe destacar que o fígado está dividido em 50.000 a 100.000 lóbulos individuais (menor unidade funcional desse órgão).  A anatomia do lóbulo pode ser observada na figura a seguir:

Showimage.jpg

Fonte: Guyton

As vênulas portais fazem a comunicação da veia porta com os sinusoides hepáticos, e desse modo alimentam continuamente esses com o sangue proveniente do trato gastrointestinal. Já as arteríolas hepáticas tem a função de suprir com sangue arterial os sinusoides e o tecido septal (entre os lóbulos adjacentes).

As células de Kupffer (ou reticulo endoteliais) e as células endoteliais típicas que revestem os sinusoides hepáticos são macrófagos de caráter residente que são capazes de fagocitar bactérias, bem como outras impurezas da circulação sinusoidal. Elas desempenham um importante papel de eliminação das bactérias provenientes da circulação porta, sendo assim, menos de 1% das bactérias que provem do TGI e passam pela veia porta conseguem atingir a circulação sistêmica.

Os espaços de Disse (também denominados perissinusoidais) recebem o excesso líquido proveniente dos septos interlobulares, através de canais linfáticos. Além disso, recebem uma quantidade de proteínas proveniente da circulação dos sinusoides devido a grande porosidade da parede epitelial desses.

FLUXO SANGUÍNEO PELO FÍGADO

Devido a suas importantes funções metabólicas o fígado apresenta um elevado fluxo sanguíneo, aproximadamente 1,35 l por mim ou 27% do débito cardíaco em repouso. Deve-se resaltar ainda, que o fígado possui uma baixa resistência vascular que gera uma diminuição de algo em torno de 9 mmhg entre a veia porta e a veia hepática.

Entretanto, na ocasião de um quadro de cirrose hepática, devido a substituição do tecido normal por tecido fibroso, a resistência vascular hepática pode aumentar consideravelmente. Além disso, pode haver a formação de um coágulo na veia porta, causando uma hipertensão portal severa e aumento da pressão nos capilares sanguíneos do TGI, ocasionando a perda de líquido para o lúmem. Esse quadro pode levar o paciente a óbito.

ARMAZENAMENTO SANGUÍNEO

O fígado tem a capacidade de se expandir e armazenar uma quantidade significativa de sangue quando necessário. Normalmente ele armazena 450 ml de sangue, no entanto, com o aumento da pressão esse voluma pode ser acrescido de 0,5 a 1 l extra. Essa situação é característica da insuficiência cardíaca congestiva, onde o aumento da pressão no átrio causa edema periférico e hepático.

FLUXO LINFÁTICO

A elevada permeabilidade dos sinusoides hepáticos permite a formação de uma grande quantidade de linfa rica em proteínas (concentração pouco abaixo da do plasma) no fígado. Sendo assim, no caso de oclusão parcial ou total da veia cava inferior, poderá haver um aumento excessivo na produção de linfa, a qual pode extravazar através da superfície da cápsula hepática, causando ascite. Um efeito semelhante pode ser observado na oclusão da veia porta, contudo nesse caso é o TGI que tem sua produção de linfa aumentada.

REGENERAÇÃO

Os hepatócitos possuem uma capacidade surpreendente de regeneração em caso de hepatectomia parcial ou lesões agudas, contanto que não haja inflamação ou infecção. Pouco se conhece sobre o mecanismo que possibilita tal façanha, contudo há fortes indicações da participação de IL-6, TNF, fator de crescimento epitelial e HGF (fator de crescimento dos hepatócitos, que é produzido pelas células mesenquimais do fígado e outros tecidos). Ao atingir o tamanho ideal o fígado para de se regenerar, esse processo é influenciado pela secreção de fator de crescimento transformante beta.

FUNÇÕES METABÓLICAS

Os processos citados a seguir já foram explicados com maior propriedade em arquivos anteriores, contudo achamos por bem colocar esse adendo como forma de contextualiza-los no que se refere as funções do fígado.

METABOLISMO DE CARBOIDRATOS

1. Armazena glicogênio;

2.Converte frutose e galactose para glicose;

3.Gliconeogênese;

4.Formação de outros produtos;

O fígado desempenha a função de tampão de glicose, a qual consiste em armazenar glicose em forma de glicogênio ou quebrar esse glicogênio de acordo com os níveis de glicose séricos. Além disso, a gliconeogênese auxilia na manutenção da glicose em períodos de jejum mais prolongados, através da coversão de aminoácidos e glicerol dos triglicerídeos em glicose.

METABOLISMO DE LIPÍDIO

1.Oxidação dos ácidos graxos;

2.Síntese de colesterol,fosfolipídios e de lipoproteínas;

3.Síntese de gordura a partir de proteínas e carboidratos;

O fígado é responsável pela maior parte do metabolismo lipídico, a beta-oxidação ocorre com mais rapidez nas células hepáticas. Esse processo forma acetil-CoA que é convertida em parte em ácido acético e levado a outras partes do corpo para ser novamente convertido em acetil-CoA.

Quanto a formação de colesterol, cerca de 80% do que é sintetizado no fígado é convertido em sais biliares e o restante é distribuído pelas lipoproteínas no plasma. Os fosfolipídios formados também serão transportados pelas lipoproteínas até as células de todo o corpo. Ainda, quanto a síntese de lipídios, pode-se afirmar que serão sintetizados no fígado e transportados pelas lipoproteínas para o tecido adiposo onde serão armazenadas.

METABOLISMO DE PROTEÍNAS

1. Desaminação de aminoácidos;

2.Remoção da amônia através da formação de ureia;

3.Conversão de aminoácidos e formação de compostos a partir deles;

4. Formação das proteínas plasmáticas;

O processo de  desaminação hepática é essencial para que possa haver a transformação de aminoácidos em carboidratos e lipídios, ou mesmo, para sua utilização como fonte de energia. Esse processo, também pode tomar parte nos rins, contudo com um grau de importância muito menor.

A desaminação forma como subproduto a amônia, metabólito altamente tóxico, que deve ser removida da circulação com eficiência. Sendo assim, o fígado deve converter a amônia em algo menos tóxico e de melhor eliminação, a uréia.

Outra função de destaque nesse órgão é a produção de cerca de 90% de todas as proteínas plasmáticas, com uma velocidade de aproximadamente 15 a 50g por dia. O restante dessas proteínas são produzidas no tecido linfático do corpo e são denominadas gamaglobulinas.   Portanto, as doenças hepáticas crônicas podem ocasionar uma depleção grave dessas proteínas, enquanto uma diminuição na concentração plasmática dessas pode promover mitose dos hepatócitos e aumento do tamanho do fígado.

A síntese dos aminoácidos não essenciais também toma parte no fígado e é de grande importância para o correto funcionamento do organismo.  Para tal, ocorre a produção de um cetoácido de composição química semelhante a do aminoácido a ser formado, posteriormente, o processo de transaminação transfere o radical amina para o cetoácido, tomando o lugar do oxigênio.

ARMAZENAMENTO DE VITAMINAS

Já a muitos anos o fígado é reconhecido como uma importante fonte de vitaminas, isso devido a sua capacidade de armazenamento desses compostos em grandes quantidades.  Por exemplo, as quantidades de vitamina A estocadas são suficientes para um período de 10 meses, de vitamina D por 3 a 4 meses e de B12 por 12 meses.

ARMAZENAMENTO DE FERRO

Se deixarmos de lado o ferro presente na hemoglobina, com certeza a maior reserva de ferro do organismo está sobre a forma de ferritina nos hepatócitos. Esse armazenamento funciona como um tampão de ferro sanguíneo, onde , se necessário, pode haver maior ou menos ligação do ferro com a apoferrina nos hepatócitos. Determinando assim uma estabilidade nas concentrações sanguíneas desse íon.

COAGULAÇÃO

Através da vitamina K o fígado é capaz de produzir alguns dos fatores envolvidos no processo de coagulação, sem os quais não seria possível a formação de coágulos. Entre eles estão o fibrinogênio, protrombina, globulina aceleradora e fator VII.

EXCREÇÃO DE FÁRMACOS E HORMÔNIOS

O fígado é capaz de excretar através da bile inúmeras substâncias presentes no organismo humano. Entre elas podemos citar o cálcio (principal via de excreção), tiroxina e os hormônios esteroides.  Além disso, ele também é capaz de excretar fármacos por essa mesma via, entre eles estão as sulfonamidas, a penicilina, ampicilina e eritromicina. 

Links Externos

http://www.youtube.com/watch?v=70jedgAX9f8

http://www.youtube.com/watch?v=L61Z2uV-jOw

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-86502006000700013&lang=pt

ReferênciasEditar

HALL, John E.; GUYTON, Arthur C. Tratado de Fisiologia Médica. Elsevier, 12ª edição, RIO DE JANEIRO, 2011

CONSTANZO, Linda S. Fisiologia. Guanabara Koogan, 4ª edição, RIO DE JANEIRO, 2008

KOERBER, Rafael de Geus. Anotações da disciplina de Fisiologia. Univille 2013

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