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Gestação, Parto, Puerpério e Criança de Zero a Um Ano

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Editor: Leandro Rosin

Colaboradores: Jessé Vinícius Lana, Ana Luysa Santin, Nicolas Dominico e Renata Dal Bó

GESTAÇÃOEditar

A gravidez é um evento único no qual alterações metabólicas e hormonais causam mudanças estruturais que
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Gravidez. Fonte: http://mulhercomsaude.com.br/gestantes/os-beneficios-da-fisioterapia-para-gestantes/

influenciam o comportamento. O instinto de ser mãe está presente em todas as fases da vida da mulher contribuindo no seu modo de ser, pensar e agir.

No início da gestação surge o sentimento de ter-se tornado finalmente “mulher”, já não é mais uma menina, mas uma mulher. Assim, no primeiro trimestre, apesar de todos os temores, sente-se orgulhosa. A fertilidade eleva a autoestima e aumenta o respeito e a atenção que recebe do companheiro, da família e da sociedade.

Principais elaborações psíquicas giram em torno de: representações da gestante como mulher e mãe; fantasias a respeito do filho e da sua identidade futura; antecipações de dificuldades profissionais e no relacionamento com o marido; e medo da morte e/ou do bebe no parto, bem como de malformações.

A gestação é marcada pela ambivalência dos futuros pais, que tendem a sentirem-se vigorosos por serem férteis, mas angustiados pelas perspectivas de profundas alterações em suas vidas, já que a gravidez é o prenúncio de uma nova fase. 

Assim, como se verificam alterações na gestante seu companheiro também as apresenta, principalmente as psicológicas. Perda de forma física da companheira e temores de lesão ao feto fazem afastar-se sexualmente da mulher, sendo que alguns homens neste momento procuram relacionamentos extraconjugais. Somando-se aos problemas do relacionamento descritos, existe quase sempre um distanciamento amoroso da gestante em relação ao seu companheiro, pois seu afeto está direcionado ao bebê e não mais apenas ao marido. O resultado é uma sensação de frustação e de abandono experimentados pelo homem que deverá aprender a tolerá-la.

O crescimento da barriga provoca uma modificação no ponto de equilíbrio; logo é necessária uma readaptação no modo de caminhar, de sentar e para realização de qualquer movimento.

O período da gestação é crítico para a saúde do feto e do futuro bebê. É fundamental o acompanhamento pré-natal para evitar problemas permanentes futuros tanto de origem materna quanto fetal.

A gestação a termo representa o triunfo do instinto materno sobre todos os obstáculos que se ergueram durante
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Feto. Fonte: http://www.tuasaude.com/desenvolvimento-do-bebe-24-semanas-de-gestacao/

os nove meses e o bebê que nasce vem para corresponder às expectativas dos pais.

PARTOEditar

Nas últimas semanas de gestação há uma antecipação das fases do estresse que ocorrem durante o trabalho de parto. A primeira é representada pelo iminente afastamento do feto que faz que a mãe tema pessoas estranhas e o hospital. A segunda, que chega a um pico durante o trabalho de parto, refere-se aos temores de ser ferida pelos movimentos do bebê. A terceira relaciona-se à fantasia com relação à perda dos genitais que seriam retirados junto com a criança.

Chegada a hora do parto surgem crises de ansiedade e reaparece o temor à dor, à morte, ao parto traumático, ao fórceps, à cesariana, ao filho disforme e à morte dele. Assim, a futura mãe precisa de apoio e tranquilização. É crucial que, durante o trabalho de parto, a paciente não seja deixada sozinha. Ela deve ser acompanhada e incentivada a participar e cooperar o máximo possível. Esta participação é importante, pois dará a futura mãe uma sensação de competência.

Após o parto, sentimentos predominantes são de alívio por terem obtido êxito, gratidão pelo fato de o filho ter nascido, êxtase por ele ser normal e uma sensação gloriosa de querer criar e abraçar aquela criatura pequenina e dependente.

A partir do parto, a mãe começa a passar por um processo de readaptação ao estado de não-gravidez. Estas modificações bruscas podem ser complicadas, difíceis e dolorosas, o que torna o puerpério um momento muito delicado e importante.

PUERPÉRIOEditar

O puerpério inicia-se com a dequitação da placenta e tem duração variável conforme o enfoque: o puerpério legal dura 40 dias; o orgânico pode levar até 90 dias; o social até 120 dias e o psicológico não tem um término preciso.

Essa é uma fase de grandes transformações tanto orgânicas quanto emocionais. Deutsch (1951) e Langer (1981) consideram o puerpério um período intermediário entre gravidez e vida normal, durante o qual o trauma da separação vivido pela mãe é diminuído pelo início da relação maternal com o filho.

A puérpera apresenta fantasias a respeito da saúde de seu filho, sobre o futuro dele e medos que alguma “mulher perversa” venha fazer-lhe mal ou roubá-lo. Além disso, as dúvidas sobre a capacidade de cuidá-lo são muito predominantes. Destaca-se, então, a importância das orientações às mães.

Nesta confusão emocional observada logo após o parto, é frequente a resolução das ansiedades por meio de defesas maníacas, caracterizadas pela diminuição do sono, da fome ou mesmo pela agitação das visitas no quarto da nova mãe. No entanto, isso não é de todo indesejado, já que muitas vezes quando não ocorre esta situação de carinho e festejo pode haver sintomas de depressão puerperal.

No retorno para casa ressurgem as dúvidas em relação à capacidade de tomar conta do bebê, o que também pode provocar ansiedade e depressão. 

À medida que a simbiose emocional pós-parto evolui, a mãe começa a individualizar-se novamente tornando-se cada vez mais segura quanto à sua habilidade de amar e tomar conta de seu bebê. Outro fato importante é o fato de a amamentação amenizar o trauma do nascimento, já que com ela a díade mãe-bebê permanece unida por mais tempo tendo assim uma separação, por meio do desmame, mais lenta e menos traumática.

O puerpério é uma fase difícil para ao marido pela quantidade de frustações e pelo profundo sentimento de abandono que gera. Isso é ainda mais marcante naquele que já se mostrava enciumado e regressivo durante a gestação, pois agora o seu “concorrente” tornou-se real e consome a maior parte do tempo e da atenção da esposa. Como isso não bastasse, ela está bem mais feia do que antes, não pode ter relações sexuais e, frequentemente, não o quer. Por isso, são comuns brigas e relações extraconjugais neste período.

Problemas psicológicos são comuns nesta fase da vida tão importante e tão frequentemente vista como uma crise. As mudanças repentinas que ocorrem no corpo da mulher podem ser vivenciadas por algumas como uma “castração”. Para algumas mulheres a cesariana é uma derrota para a sua autoestima, como se elas tivessem falhado no seu dever de mulher por não terem tido parto normal. Por toda esta “pressão” emocional, é muito comum que pessoas previamente sadias desenvolvam quadros psiquiátricos pós-parto como a depressão.

RECÉM-NASCIDO E OS PRIMEIROS MESES DE VIDAEditar

O bebê é considerado um ser complexo e previsível que interage com os adultos que o cercam. Ele os modela quase tanto quanto é influenciado por eles. É um bebê ativo, possuidor de uma capacidade interna de organização e integração o que faz dele um ser competente e que permite o contato com o ambiente cuidador.

Desde muito cedo, o bebê pode perceber e comunicar-se de diversas maneiras. Ele acompanha com o olhar um objeto sendo muito ativo na percepção de informações visuais e reconhece a voz de sua mãe virando a cabeça em sua direção. O recém-nascido mostra uma nítida preferência visual pelo rosto humano. Sabe-se que o olhar desempenha um importante papel no estabelecimento e fortalecimento do vínculo.

O bebê é capaz desde as primeiras horas depois do parto de voltar os olhos e, às vezes, até a cabeça em direção a um som. A voz humana tem, no recém-nascido, efeitos diferentes de outros sons mostrando que no decurso da segunda semana de vida a voz é suscetível de provocar sorrisos, mais frequentemente do que outros estímulos sonoros.

Parece que as capacidades de detecção e discriminação olfativa de um recém-nascido de quatro dias são quase idênticas às do adulto. O recém-nascido, no plano gustativo sente os quatro sabores primários (doce, salgado, ácido e amargo), mostrando desde o seu nascimento uma preferência por sabores açucarados.

As capacidades motoras do recém-nascido são igualmente surpreendentes. A motricidade mais conhecida é do tipo reflexo. Observam-se: reflexo da sucção, reflexo dos pontos cardeais, o estímulo cutâneo da região perioral provoca um movimento de orientação em direção ao estímulo, reflexo do fechamento da mão. Os movimentos do recém-nascido são geralmente de aspecto incoerente, sem coordenação aparente.

Por volta dos dois meses de idade, as transformações biocomportamentais afetando a natureza e a qualidade das relações sociais começam a se desenvolver. Os ciclos de sono e atividade estabilizam-se, os padrões motores estão mais maduros e os padrões de visão mais expandidos permitem novas estratégias de interação.

Tanto as capacidades motoras como as capacidades perceptivas são dependentes dos estados de vigília em que se encontra o recém-nascido.

Estados de vigilância distinguidos e caracterizados:

· Estado 1 (sono calmo): sem movimento ocular rápido, respiração regular e nenhum movimento corporal, exceto alguns movimentos finos.

· Estado 2 (sono REM): com movimentos oculares rápidos, respiração é irregular e mais rápida e se observam movimentos corporais.

· Estado 3 (sonolência): quando as pálpebras estão fechadas ou semi-abertas, apresentando um olhar vago.

· Estado 4 (alerta quieto): olhar vivo e brilhante do bebê. O recém-nascido está calmo e atento.

· Estado 5 (alerta ativo): alerta com grande atividade motora, o bebê se agita e sua atenção não está fixada.

· Estado 6 (choro): gritos e choros, atividade motora intensa e o rosto está retraído e vermelho.

Diferenças comportamentais são agrupadas sob o conceito de temperamento e podem ser classificadas como níveis de atividade, responsividade, humor e adaptação. O temperamento do bebê parece ser biologicamente determinado e é relativamente estável durante os anos pré-escolares, podendo influenciar o desenvolvimento da criança.

Importante que haja um contato de pele entre mãe e bebê desde os primeiros momentos, pois isso prepara o recém-nascido para um bom desenvolvimento e o ajuda a elaborar a perda da experiência de estar no útero da mãe. Primeiros dias representam um período sensível em que a mãe está particularmente apta para constituir um elo de ligação com o bebê. O aleitamento constitui uma das modalidades essenciais da interação mãe-recém-nascido.

Segundo Spitz, o desenvolvimento não ocorre de forma linear, mas em degraus. São os organizadores psíquicos que representam os sinais indicadores de que o bebê atingiu um determinado grau de organização interna. O primeiro é o sorriso social entre dois e três meses; segundo organizador surge entre sete e oito meses e é caracterizado pela presença de ansiedade diante de estranhos, decorrente de uma angústia ligada à ausência da mãe; terceiro é representado pela aquisição da negação, do ‘não’ que ocorre entre os 11 e 13 meses, fase da deambulação, do aumento da autonomia.

Entre o terceiro e quarto mês produzem-se mudanças fundamentais na mente e no corpo do bebê. O objeto de seu amor e seu ódio é a mesma pessoa e, por meio dessa revelação de totalidade, inicia um processo de desprendimento que o conduzirá à busca do pai e do mundo circundante. Ao redor dos quatro meses, começa a sua atividade lúdica. O bebê começa a ser capaz de controlar seus movimentos, coordenar o movimento com os olhos e já pode tocar nos objetos com as mãos.

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Recém-nascido. Fonte: http://www.mundoindica.com.br/os-cuidados-com-bebe-recem-nascido

Com quatro a seis meses o bebê é capaz de sentar e muda sua relação com os objetos que o cercam. Pode 

apoderar-se do que necessita, levar à boca conforme sua vontade. Chora e enche de raiva se não é atendido, se não o compreendem. O temor da separação é a angústia mais intensa desta idade e toda sua vida emocional está marcada por ela. Começa o doloroso processo de abandonar a relação única com a mãe e aceitar de forma definitiva a presença do pai. A perda do vínculo único com a mãe e a necessidade de um terceiro fazem que o pai esteja presente.

REFERÊNCIAS:Editar

ZIRIK, C (Org) et ali. O Ciclo da Vida Humana: Uma Perspectiva Psicodinâmica. Porto Alegre: Artmed, 2001

Rosin, L. Anotações da Aula de Psicologia Médica.

KAPLAN, H. Compêndio de Psiquiatria. 7 ed. Porto Alegre: Artmed, 1997.

LINKS RELACIONADOS:Editar

http://www.scielo.br/pdf/pe/v13n1/v13n1a07.pdf

http://pt.scribd.com/doc/2985957/7/As-etapas-do-desenvolvimento-humano

http://200.209.151.10/sga/files/materiais/18375_Aula%2003.pdf

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