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Giardíase - Giardia

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Editora: Thais Yuri Miura

Colaboradoras: Elisa Correia e Laíssa Mara R. Teixeira

Giardia é um parasita intestinal. Em indivíduos residentes em países em desenvolvimento, a giardíase é uma das principais causas de diarreia infecciosa e causa mais frequente de surtos epidêmicos de diarreia associados à água para consumo. 

MorfologiaEditar

GiardiaLambla.png

Giardia lamblia

Giardia
é um protozoário flagelado, apresenta núcleo delimitado pela carioteca, citoesqueleto complexo e composto por microtúbulos e a presença de vacúolos lisossômicos. Estão ausentes mitocôndria, peroxissomos e complexo de Golgi. Apresenta duas formas evolutivas:

Trofozoíto: encontrado no intestino delgado, é a forma responsável pelas manifestações de sinais e sintomas da infecção. Tem forma de pera, simetria bilateral, 4 pares de flagelos (um par anterior, um ventral, um posterior e um caudal). Apresenta face dorsal (lisa e convexa) e face ventral (côncava). A face ventral tem um disco adesivo (semelhante a uma ventosa), presente apenas em protozoários do gênero Giardia, composto por microtúbulos e microfilamentos e proteínas denominadas giardinas, que possibilitam a adesão do parasito à mucosa intestinal. Encontrados principalmente na porção superior do intestino delgado, bem como o intestino grosso. O duodeno é seu habitat preferencial.

Cisto: responsável pela transmissão do parasito, é oval. Apresenta uma parede externa glicoproteica (N-aceilgalactosamina), denominada parede cística, que torna os cistos resistentes a variações de temperatura e umidade, ação de desinfetantes. Internamente, há 2 ou 4 núcleos.

Ciclo biológicoEditar

Giardiase.jpg

Ciclo biológico da Giardia lamblia

Parasita monoxênico e ciclo biológico direto. Via normal de infecção é a ingestão de cistos (10 a 100 formas são suficientes para iniciar a infecção). Após a ingestão, ocorre desencistamento, em que o cisto sofre a digestão no estômago (pH ácido) e completa-se no duodeno e jejuno. Cada cisto maduro libera um forma oval com 8 flagelos e denominado excitozoíto. Cada excitozoíto sofre duas divisões nucleares sem replicação de material genético e, depois, este organismo divide-se e origina quatro trofozoítos binucleados. Os trofozoítos multiplicam-se por divisão binária e então, colonizam o intestino, onde permanecem aderidos à mucosa por meio do disco adesivo. O ciclo se completa pelo encistamento do parasito e sua eliminação para o meio externo junto com as fezes do hospedeiro. Este processo pode ter inicio no íleo, mas o ceco é considerado o principal sítio de encistamento. Fatores como pH intestinal, concentração de sais biliares e o destacamento do trofozoíto da mucosa estimulam o encistamento, pois esses estímulos levarão à expressão de genes responsáveis pela codificação de organelas secretoras envolvidas no transporte, secreção e organização dos constuintes deste envoltório.  Ao redor do trofozoíto é secretada pelo parasito uma membrana resistente (quitina). Os cistos permanecem viáveis por vários meses no meio ambiente, em condições favoráveis de temperatura e umidade.


TransmissãoEditar

Sem títuloo.png

Formas de transmissão da Giardia lamblia

Ocorre por via fecal-oral. Transmissão indireta: ingestão de cistos presentes na água, nos alimentos ou no ambiente contaminado com fezes. Transmissão direta de pessoa a pessoa por meio de mãos contaminadas é comum em locais de aglomeração humana (creches, orfanatos, escolas).





SintomatologiaEditar

A maioria das infecções é assintomática e afeta adultos e crianças. O indivíduo pode eliminar cistos nas fezes por um período de até 6 meses, enquanto outros podem apresentar sintomas decorrentes de uma infecção aguda ou crônica. Em indivíduos que estão em contato pela primeira vez com o parasito e ingerem um elevado número de cistos, podem ter diarreia aquosa, explosiva, de odor fétido, gases, distensão e dores abdominais.  Essa forma aguda dura poucos dias e seus sintomas podem ser confundidos com quadros associados às diarreias virais e bacterianas.

Infecções crônicas: sintomas podem persistir por muitos anos, com episódios de diarreia contínuos, intermitentes ou esporádicos. Em muitos casos, principalmente em crianças, a diarreia crônica podem ser acompanhada de esteatorreia, perda de peso e problemas de má-absorção. Principais agravamentos da giardíase crônica estão ligados à má absorção de gordura e de nutrientes (vit. A, D, E, K, B12; ferro; lactose; xilose). Em crianças pode ocorrer comprometimento do desenvolvimento físico e mental por causa da deficiência nutricional.

PatogeniaEditar

Mecanismos patogênicos da giardíase são multifatoriais, podendo ser determinados por fatores relacionados ao parasito (cepa, carga infectante) e ao hospedeiro (dieta, associação à microflora intestinal, pH do suco gástrico, concentração de sais biliares, resposta imune).

Giardia 1.jpg

Evolução da colonização por Giardia lamblia

Giardia
faz alterações morfológicas e fisiológicas do epitélio intestinal sem que haja invasão tissular e celular. O parasito altera a organização das microvilosidades do epitélio intestinal, tornando-as achatadas ou atrofiadas. A área de absorção diminui, podendo resultar num quadro de má-absorção. Há um aumento de linfócitos intraepiteliais nas infecções. E a ativação de linfócitos T pode induzir a retração das vilosidades, o que, seria um dos mecanismos responsáveis pela deficiência de dissacaridases e má absorção associadas aos quadros de diarreia. Quando presentes em grandes quantidades, os trofozoítos cobrem todo o duodeno, reduzindo a ação das dissacaridases e prejudicando a absorção de vitaminas lipossolúveis, vitamina B12, ácidos graxos, ácido fólico, glicose, sódio e água. Com essa deficiência na absorção, pode haver esteatorreia.

Há evidencias de que substancias secretadas ou excretadas pelos trofozoítos possam atuar como toxinas sobre a mucosa duodenal do hospedeiro, alterando as vilosidades e inibindo a  absorção de nutrientes e a atividade enzimática. 

DiagnósticoEditar

Clínico: é baseado na sintomatologia. Em crianças de 8 meses -12 anos, a giardíase apresenta diarreia com esteatorreia, irritabilidade, insônia, náuseas e vômitos, perda de apetite (acompanhada ou não de emagrecimento) e dor abdominal. 

Laboratorial: exame parasitológico das fezes para identificar trofozoítos e/ou cistos. Alguns fatores podem interferir na eficiência deste método, entre eles, o aspecto e a consistência da amostra fecal, uma vez que em fezes formadas e fezes diarreicas apresentam cistos e trofozoítos, respectivamente. Os cistos são encontrados nas fezes da maioria dos indivíduos com giardíase. 

O padrão de excreção dos cistos varia, pois os cistos não são eliminados de forma contínua. Há o período negativo, em que pode não haver  eliminação por até 10 dias. Por isso, é recomendado a coleta de 3 amostras fecais obtidas em dias alternados. A positividade do exame é de 85%.

Em pacientes com diarreia crônica, o exame de fezes pode dar negativo, apesar da presença de trofozoítos no duodeno. Assim, é indicado o método Entero-Test. 

EpidemiologiaEditar

Segundo a Organização Mundial da Saúde (2000) há 200 milhões de pessoas com giardíase sintomática no mundo e 500 mil novos casos registrados anualmente na Ásia, África e América Latina. 

A transmissão hídrica é preocupante em países onde a água destinada ao consumo não passa por tratamentos adequados, a transmissão pessoa a pessoa é preocupante em locais de aglomerações (creches, escolas). Prevalência de 20 % a 60% é encontrada em creches, onde as crianças infectadas transmitem as outras; e 20 a 25% dos funcionários e familiares em contato com essas crianças podem se infectar.

A G. lamblia é a única que infecta os humanos, é um dos parasitos intestinais mais frequente em gatos e cachorros. O homem e outras espécies de mamíferos podem ser infectados por genótipos identificados como A e B. Genótipo C e D foram identificados em cães, genótipo E em ruminantes e os genótipos F e G em cães e gatos.

TratamentoEditar

Metronidazol: 15 a 20mg/kg durante 7-10 dias, para crianças, via oral. Dose de 250mg, duas vezes ao dia, para adulto. É a droga mais utilizada no tratamento da giardíase.

Tinidazol: dose única de 2g para adulto e 1g para crianças, sob forma líquida. Repetir a dose uma semana depois.

Furazolidona: 8 a 10mg/kg (máximo de 400mg/dia) por 7 dias, para crianças. Para adultos, dose de 400mg em 24 horas, em 2 ou 4 vezes por dia, durante 7 dias.

Secnidazol: 2g em dose única para adultos. Crianças com menos de 5 anos: 125 mg, 2 vezes em 24 horas, por 5 dias.

Albendazol: dose de 400mg ao dia, durante 5 dias. 

Nitazoxanida: 500mg, 2 vezes ao dia, para adultos e crianças acima de 12 anos. Crianças de 4 a 12 anos, dose de 200 mg, 2 vezes ao dia, durante 3 dias.

ProfilaxiaEditar

Higiene pessoal (lavar as mãos);

Esgoto e tratamento da água;

Proteção dos alimentos;

Tratamento precoce dos doentes.

Referências bibliográficasEditar

Parasitologia - Giardíase. Disponível em: <http://www.uft.edu.br/parasitologia/pt_BR/parasitologia/giardiase/>. Acesso em: 18/08/2013

NEVES, D. P.; MELO, A. L. de et al. Parasitologia humana. 12. ed. São Paulo: Atheneu, 2011. 494 p.

Giardia lamblia/Giardíase. Centro de Vigilância Epidemiológica - CVE - São Paulo. Disponível em: <http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/hidrica/Giardiase.htm>. Acesso em: 18/08/2013. 

Links externosEditar

Vídeo: ciclo da Giardia (em inglês) 

Giardíase

Aspectos epidemiológicos da giardíase

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