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Herpesvírus humanos – HSV-1 e HSV-2

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Editora: Thais Yuri Miura

Colaboradoras: Elisa Correia e Laíssa Mara R. Teixeira

IntroduçãoEditar

Os herpesvírus humanos consistem em vírus herpes simples dos tipos 1 e 2 (HSV-1 e HSV-2), vírus varicela-zoster (VZV), vírus Epstein-Barr, citomegalovírus (HCMV), herpesvírus humano 6 e 7 (HHV-6 e HHV-7) e herpesvírus humano 8 (HHV-8), associado ao sarcoma de Kaposi.

Estrutura Editar

Herpes 1.jpg

Estrutura geral do herpesvírus humano

Os herpesvírus são grandes e apresentam DNA linear de fita dupla (os vírions consistem em um capsídeo icosaédrico revestido por um envelope de lipoproteínas). Entre o envelope e o capsídeo, há o tegumento, que contém enzimas codificadas pelo vírus e fatores de transcrição que são essenciais para o início do ciclo infeccioso, mas sem polimerases. Há pouca homologia na sequência de nucleotídeos e pouca semelhança antigênica entre as espécies. Os herpesvírus são sensíveis aos ácidos, aos solventes, aos detergentes e ao ressecamento.



ClassificaçãoEditar

α-herpesvirinae: ciclo de crescimento relativamente rápido, são citolíticos e com latência nos gânglios nervosos. O HSV-1 e HSV-2 e o vírus varicela-zoster (VZV) pertencem a este grupo. 

β-herpesvirinae: ciclo de replicação lento, que resulta na formação de células gigantes multinucleadas características no hospedeiro. A latência é estabelecida em tecidos não-neurais, especialmente em células linforreticulares e nos tecidos glandulares. Os vírus HCMV e os HHV-6 e HHV-7 pertencem a este grupo.

γ-herpesvirinae (grupo linfoproliferativo): replicam-se no epitélio mucoso, onde estabelecem infecções latentes (depois, induzem a proliferação celular nas células linfoblastóides). O EBV e HHV-8 são os representantes.

ReplicaçãoEditar

Os herpesvírus se replicam no núcleo, sendo que a regulação da transcrição dos herpesvírus se dá por “controle em cascata”, em que a expressão de um primeiro conjunto de genes é necessária para a expressão de um segundo conjunto.

Herpesvirus.png

Ciclo de replicação do herpesvírus. Fornte: http://dc346.4shared.com/doc/aXPxoMev/preview.html

Adsorção e penetração do vírus - as glicoproteínas do envelope viral promovem a fusão do envelope com a membrana plasmática da célula, depositando o nucleocapsídeo e as proteínas do tegumento no citosol. Há indução da RNase, que degrada o mRNA celular, inativando a síntese de proteínas pela célula do hospedeiro. 

Replicação do DNA viral e montagem do nucleocapsídeo - o nucleocapsídeo é transportado a um poro nuclear e o DNA viral é liberado no núcleo. Proteínas do tegumento ativam a RNA polimerase celular, que inicia a transcrição dos genes virais iniciais imediatos. Depois, os genes iniciais tardios são expressos, codificando principalmente enzimas necessárias para a replicação do DNA viral, como a DNA polimerase, a helicase e a timidina quinase virais.

Aquisição do envelope viral - as proteínas do envelope recém-sintetizadas se acumulam em placas na membrana nuclear e há fusão do envelope com os nucleocapsídeos. O vírus completo e as cópias adicionais das glicoproteínas do envelope são transportados por um vacúolo até a superfície da célula (adquirem determinantes antigênicos do herpesvírus). Essas glicoproteínas também podem causar a fusão das células vizinhas, em alguns casos produzindo células gigantes multinucleadas. O resultado desse ciclo produtivo é a morte da célula, resultante do desligamento de grande parte das rotas sintéticas celulares.

Transcrição e síntese de proteínas do genoma viral - segue 3 fases

  1. Proteínas precoces imediatas (α): importantes na regulação da transcrição gênica e controle da célula (incluem a DNA polimerase DNA-dependente e uma timidina quinase). Também iniciam a degradação de RNAm e DNA celulares.
  2. Proteínas precoces (β): consistem em fatores de transcrição e enzimas, incluindo a DNA polimerase.
  3. Proteínas tardias: consistem principalmente em proteínas estruturais geradas após o início da replicação do genoma.

Latência - todos os herpesvírus podem entrar em um estado latente do qual eles podem ser reativados posteriormente. O tipo celular em que isso ocorre não costuma ser o mesmo tipo celular em que a infecção produtiva e citocida ocorrem. 

Vírus Herpes simples tipo 1 e 2Editar

HSV-1 e HSV-2 são os únicos herpesvírus humanos que compartilham muitas características comuns em replicação, produção de doença e latência.


EstruturaEditar

Codifica 80 proteínas, sendo que uma metade é necessária para replicação viral e a outra para facilitar a interação do HSV com as células do hospedeiro. O seu genoma codifica enzimas como a DNA polimerase DNA dependente, a timidina quinase, a ribonucleotídeo redutase e a protease. HSV codifica pelo menos 10 glicoproteínas que atuam como proteínas de adesão viral, proteínas de fusão (como a gB), proteínas estruturais e proteínas de evasão imune. 


ReplicaçãoEditar

HSV-1 liga-se às células com interação ao heparan sulfato e a sua penetração na célula precisa da interação com a nectina-1α, que é encontrada na maioria das células (como nos neurônios).

PatogêneseEditar

HSV-1 e o HSV-2 se multiplicam nas células epiteliais da superfície mucosa em que foram inoculados, resultando na produção de vesículas ou úlceras rasas, contendo vírus infecciosos. Nos indivíduos imunocompetentes, a infecção epitelial permanece localizada porque os LT citotóxicos reconhecem os antígenos específicos do HSV na superfície das células infectadas e matam essas células antes se multipliquem. 

HSV-1 é mais encontrado nas lesões (gengivoestomatite, faringite ou amigdalite) da parte superior do corpo. Causam infecções primárias ou recorrentes na região orofaríngea, são acompanhadas pela liberação de vírus na saliva. Frequência de recidivas orofaríngeas sintomáticas é variável. As lesões ocorrem em grupos de vesículas no bordo dos lábios (herpes labial) e se curam sem deixar cicatriz em 8 a 10 dias.

HSV-2 é mais comum nas lesões do trato genital, o vírus está presente nas secreções do trato genital. HSV – 2 pode causar maior viremia. Reativação das infecções genitais ocorrem com frequência maior e muitas vezes é assintomática, mas resulta em disseminação viral. Parceiros sexuais ou os bebês recém-nascidos podem apresentar risco aumentado de infecção devido à falta de precauções contra a transmissão. 

O HSV pode causar infecções líticas de fibroblastos e nas células, infecções persistentes em linfócitos e macrófagos, e infecções latentes em neurônios. A citólise resulta da inibição, pelo vírus, da síntese celular de macromoléculas, da degradação do DNA da célula hospedeira, da ruptura do citoesqueleto e da senescência da célula. Também são produzidos corpos de inclusão intra-nucleares acidófílicos do tipo Cowdry. E há formação de sincícios. 

Reativação.png

Latência e reativação do herpesvírus. Fonte: http://dc346.4shared.com/doc/aXPxoMev/preview.html

O HSV replica-se nas células na base da lesão e infecta o neurônio que inerva a área, atinge o gânglio (gânglios trigeminais para HSV oral e os sacrais para o HSV genital).  São necessárias respostas imunes associadas a células T auxiliares 1 e citotóxicas para destruir as células infectadas e promover a regressão da doença. 

O vírus bloqueia a inibição da síntese de proteínas virais induzida por interferon e impede que peptídeos sejam introduzidos no retículo endoplasmático, o que bloqueia sua associação a moléculas do complexo de histocompatibilidade de classe I e impede o reconhecimento das células infectadas por células T CD8.  O vírus pode escapar à eliminação por anticorpos através da disseminação direta célula-célula e por permanecer latente no neurônio. 

  • Infecções latentes são estabelecidas no gânglio regional, como resultado da entrada de vírions infecciosos nos neurônios sensoriais que terminam no local da infecção, milhares de cópias do genoma viral estão presentes como moléculas de DNA circulares não integradas nos núcleos. Não resulta em lesões detectáveis. 
  • Fatores como alterações hormonais, febre e lesão física aos neurônios induzem a reativação e replicação do vírus latente. Lesões características são produzidas na mesma área geral que as lesões primárias. A presença de anticorpo não previne esta recorrência. Os sintomas como dor e formigamento frequentemente precedem o surgimento das lesões. Lesões recorrentes são menos graves, mais localizadas e de duração mais curta devido à natureza de disseminação e à existência de respostas imunes de memória.

EpidemiologiaEditar

Transmissão é por contato direto com secreções contendo vírus ou com lesões nas superfícies mucosas ou cutâneas.  O vírus pode ser inativado pelo ressecamento, por detergentes ou pelas condições do trato gastrointestinal. 

O HSV-1 é transmitido por contato oral ou compartilhamento de objetos contaminados com saliva. A auto-inoculação pode causar a infecção dos olhos. Mais de 90% das pessoas que vivem em áreas subdesenvolvidas apresentam anticorpos contra HSV-1 aos 2 anos de idade, isso pode ser resultado de um ambiente superpovoado ou insalubre. 

O HSV-2 é transmitido por contato sexual ou auto-inoculação, e transmissão da mãe para o recém-nascido durante a passagem pelo canal de parto. A infecção por HSV-2 está relacionada com o grau de atividade sexual. A inativação parcial do genoma de HSV-2 com luz ultravioleta permite que o vírus imortalize células em cultura de tecidos.


Síndromes clínicasEditar

  • Lesão clássica consiste em uma vesícula clara sobre uma base eritematosa, progredindo para lesões pustulares, úlceras e lesões crostosas. Ambos os vírus podem causar morbidade e mortalidade em infecções oculares ou cerebrais e na infecção disseminada de indivíduos imunossuprimidos ou recém-nascidos. 
  • Lesao herpes.jpg

    Herpes oral - lesão no canto da boca

    Herpes oral pode ser causado por HSV-1 ou HSV-2. As lesões consistem em vesículas e úlceras rasas, que podem se disseminar através da boca, envolvendo palato, faringe, gengivas, mucosas bucal e língua. E são acompanhadas por sintomas sistêmicos como febre, mal-estar e mialgia. Pode ocorrer infecção por HSV mesmo sem a ocorrência de uma infecção primária. Ceratoconjuntivite (ceratite herpética) pode causar escoriações na córnea e eventual cegueira. Se a infecção pelo HSV se disseminar ao SNC, pode causar encefalite e apresentar destruição do lobo temporal, resultando em convulsões, anormalidades neurológicas focais e outras características. 
  • Paroniquia hep.jpg

    Paroníquia herpética

    Paroníquia herpética é a infecção de um dedo e geralmente ocorre em profissionais da saúde que atendem pacientes com infecções por HSV, em crianças que chupam o dedo e em pessoas com infecções genitais por HSV. E herpes gladiatorum (“herpes de lutador”), uma infecção no corpo, é adquirido durante a pratica de lutas ou rúgbi. 
  • Lesões de infecções primárias do trato genital são similares àquelas da orofaringe, no entanto, a maioria das infecções é assintomática. Quando sintomática (herpes genital), os sintomas locais incluem lesões vesicoulcerativas dolorosas na vulva, na cérvice e na vagina ou no pênis.  Febre, astenia, mialgia e adenite inguinal são sintomas associados a uma viremia transitória. As recorrências são precedidas por queimação ou formigamento na área onde as lesões surgirão, podem ocorrer a cada 2 ou 3 semanas ou ser episódicas. Uma pessoa infectada pode liberar o vírus assintomaticamente, pode ser vetor para a disseminação do vírus. Herpes neonatal ocorre durante a passagem no canal de parto, como esses recém-nascidos não têm anticorpo materno protetor, ocorre uma infecção disseminada, frequentemente envolvendo o SNC, podendo causar sequelas neurológicas. O recém-nascido também pode se infectar por contato com dedos contaminados ou saliva, e por infecção in útero, mas é raro.
  • Eczema herpético é adquirido por crianças com eczema ativo, promove a disseminação da infecção ao longo da pele e para as glândulas adrenais, o fígado ou outros órgãos.


Identificação laboratorialEditar

Não é necessária para o diagnóstico das lesões características em indivíduos normais. Em paciente imunocomprometidos, a infecção por HSV deve ser diferenciada daquela por VZV, de exantemas similares causados por outros vírus, bactérias ou reações alérgicas não-infecciosas. 

  • Efeitos citopatológico (ECPs) característicos podem ser identificados em esfregaço de Tzanck, um exame de Papanicolau ou uma amostra de biópsia. Os ECPs incluem sincícios, citoplasma vacuolado e inclusões intranucleares do tipo Cowdry. 
  • Imunofluorescência ou coloração com imunoperoxidase podem detectar células infectadas individuais.
  • Detecção direta do DNA viral por hibridização líquida ou in situ é mais sensível.
  • Análise por PCR de líquido cefalorraquidiano usado no diagnóstico de encefalite herpética.
  • Isolamento do vírus é o critério mais definitivo para o diagnostico de infecção por HSV. As amostras são obtidas por aspiração do líquido da lesão ou pela aplicação de um cotonete nas vesículas e sua inoculação direta em culturas de células.
  • Sorologia: úteis apenas para o diagnostico de uma infecção primária por HSV e para estudos epidemiológicos.


TratamentoEditar

  • Aciclovir é seletivamente efetivo contra o HSV, pois é um inibidor ativo da síntese de DNA somente após ser fosforilado inicialmente pela timidina quinase do HSV.
  • É a droga de escolha para qualquer infecção primária por HSV.
  • É importante no tratamento para encefalite herpética, de herpes neonatal e de infecções disseminadas em pacientes imunocomprometidos.
  • Outras drogas são efetivas no tratamento de herpes simples como fanciclovir e o penciclovir tópico (ativo contra HSV-1, HSV-2 e VZV). Nenhuma destas drogas pode curar uma infecção latente, mas elas podem minimizar a disseminação viral assintomática e as recorrências dos sintomas.
  • Aciclovir, valaciclovir, penciclovir e famciclovir são relativamente atóxicos, são efetivos no tratamento de apresentações graves de doença por HSV e episódios iniciais de herpes genital e são utilizados no tratamento profilático.


PrevençãoEditar

  • Evitar contato com lesões com potencial de disseminar vírus e por práticas sexuais seguras. Quando lesões genitais são evidentes na mãe é recomendado cesárea para evitar a infecção neonatal.
  • A terapia profilática da mãe e do recém-nascido com aciclovir pode ser empregada se a presença do HSV for detectada antes ou no momento do nascimento.
  • Não há vacina.

Referências bibliográficasEditar

MURRAY, P. R.; ROSENTHAL, K. S.; PFALLER, M. A. . Microbiologia médica. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier; 2006 979 p. 

CHAMPE, P. C.; FISHER, B. D.; HARVEY, R. A. Microbiologia ilustrada. 2. ed. São Paulo:  Artmed;2008  448 p.

JAWETZ, E.; MELNICK, J. R; ADELBERG, E. A. Microbiologia médica. 25 ed. Rio de Janeiro: Guanabara-Koogan, 2012. 813 p.

MIURA, T. Y. Anotações da aula da disciplina Microbiologia e Parasitologia. UNIVILLE. 04/10/13.

Links relacionadosEditar

Vídeo sobre Herpes Genital - Dr. Drauzio Varella

Vídeo - O que é HSV-1? (em inglês)

Aula sobre Herpes

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