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Imunização e Vacinas

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Editora: Gabrielly de Araújo

Colaboradoras: Sophia Martins Barbosa, Ana Laura Milhazes, Ana Carolina Simoneti, Beatriz Poliseli Cernescu

Vacinas e Imunizações Editar

"Vacinas são imunobiológicos utilizados para indução de resposta imune (anticorpo) a um agente infeccioso (antígeno), que simule a infecção natural, com pouco ou nenhum risco para seu receptor."

As vacinas são o meio pelo qual adquirimos imunização. Elas são responsáveis por aumentar os níveis de anticorpos circulantes, bem como promover a ativação da memória imunológica, relacionada aos Linfócitos. Atualmente, com o avanço das tecnologias, as imunizações não são realizadas não apenas com o intuito de se previnir/tratar doenças infecciosas, mas também contra outras patologias, a exemplo das neoplasias, o que será explicado mais adiante.

Em se tratando das imunização, pode-se dizer que há dois tipos dela, que são a Imunização Ativa e a Imunização Passiva.

  • Imunização Passiva: quando os anticorpos são inoculados/transferidos já prontos a um indivíduo, pois já foram previamente produzidos em um outro organismo. A imunização passiva pode ocorrer de duas formas, que são a Natural, por exemplo quando anticorpos são passados da mãe para o feto através da via transplacentária, e a Artificial, que ocorre quando há injeção de anticorpos, caso da Soroterapia para tratamento contra veneno de cobras/aranhas/escorpiões, em que os anticorpos são anteriormente produzidos no corpo de outros animais (geralmente cavalos) e retirados sob a forma de soro. Em alguns casos, em um segundo momento, o organismo que recebe anticorpos por soroterapia pode ter seu Sistema Imune estimulado a produzir anticorpos próprios, contra os anticorpos que foram injetados, gerando a chamada Doença do Soro, em que ocorre formação de imunocomplexos anticorpo-anticorpo que se alojam principalmente nas microvasculaturas renal e sinovial, gerando complicações nessas áreas. Outros exemplos de imunização passiva:
    1. ​Eritroblastose Fetal: anticorpos anti-Rh+ são inoculados na mãe, até 72 horas após o parto, para impedir maiores contaminações sanguíneas.
    2. No caso de transplantes, Anticorpos Monoclonais são injetados, contra linfócitos T do receptor.
    3. Anticorpos Monoclonais contra certos antígenos tumorais.
  • Imunização Ativa: quando o organismo é estimulado a produzir anticorpos contra o patógeno/toxinas deste. Também pode ocorrer produção de respostas celulares mediadas por macrófagos e linfócitos (principalmente). No entanto, o tempo de formação dos anticorpos na imunização ativa pode ser considerado um impasse, pois há um período após a aplicação da vacina, chamado período de retardamento dos Linfócitos B, em que não há produção dos anticorpos. Esse período dura aproximadamente 14 dias e, nesse tempo, o indivíduo pode vir a desenvolver a doença, caso a vacina seja produzida com organismos vivos inteiros atenuados, o que será explicado a seguir.

Produção de VacinasEditar

O desenvolvimento de vacinas depende principalmente de dois fatores, que são o conhecimento dos mecanismos do sistema imune que levarão à resposta frente ao contato com o patógeno, e os mecanismos de patogênese que estarão envolvidos naquela vacina. Assim, para uma vacina ser considerada "boa", ela deve apresentar algumas características fundamentais: 

  • Segurança: deve apresentar pouco ou nenhum efeito indesejado, bem como não trazer doença ao indivíduo que fizer uso dela.
  • Proteção: deve proteger contra a infecção gerada pelo patógeno contra qual a vacina foi elaborada.
  • Longevidade da Proteção: a vacina é melhor quanto maior for o tempo de duração de sua proteção.
  • Mecanismos de Ação: consta como a produção de Linfócitos T e B (memória imunológica), anticorpos, antitoxinas, opsoninas, lisinas, por exemplo.
  • Viabilidade: além de todas as características físicas já citadas, a vacina também deve ser financeiramente viável ao mercado, além de apresentar estabilidade e fácil administração.


Composição das Vacinas: 

Na produção de uma vacina são utilizados vários componentes, e dentre eles podemos citar: 

  • Antígeno: este depende do tipo de vacina, e como veremos adiante, pode estar sob várias formas
  • Solvente: é o meio em que o antígeno é colocado. Geralmente é aquoso, mas também podem-se utilizar proteínas como a albumina, por exemplo.
  • Conservantes, Antibióticos, Estabilizadores: que são acrescentados na tentativa de impedir o crescimento bacteriano, bem como para tornar o antígeno mais estável.
  • Adjuvantes: são compostos que intensificam a resposta imunológica contra o patógeno. O adjuvante (artificial, mineral) mais utilizado, por ser um dos únicos com aprovação, é o Hidróxido de Alumínio.


Técnicas mais Utilizadas na Confecção de Vacinas: 

  • Organismos Vivos Inteiros Atenuados: vacina cujo antígeno apresenta-se na forma 
  • Atenuação Viral.jpg

    Processo de confecção de vacinas com organismos vivos inteiros atenuados. Fonte: aula professora Maristela.

    viva atenuada em laboratório, com capacidade de se proliferar no organismo do indivíduo - geralmente sem potencial para causar a doença propriamente dita - para a geração de uma resposta imune. Muito provavelmente, essa resposta será idêntica a que seria gerada em uma infecção pelo patógeno "selvagem", visto que o sistema imune não possui qualidades o suficiente parar diferenciar os dois tipos de patógenos. Dentre as vacinas que são produzidas com organismos vivos inteiros atenuados estão a vacina contra o sarampo, caxumba, rubéola, BCG e varicela.


- Processos de Atenuação de Virulência:

  1. Tradicional: quando o vírus em questão passa por diversos hospedeiros, em variadas condições e temperaturas, transformando-se em um mutante menos virulento para ser inoculado. Os mecanismos dessa atenuação ainda não são muito bem definidos. Entre as desvantagens desse método estão a falta de precisão para repeti-lo, visto que as mutações ocorrem ao acaso, mesmo que as condições às quais o vírus é apresentado sejam as mesmas, e a capacidade que esses patógenos tem de voltarem à forma patogênica.
  2. Biologia Molecular: relacionada com a modificação da virulência do patógeno, por meio de alterações em seu material genético. Essas alterações podem ocorrer por meio de:
    • Inserções: fragmentos genômicos inseridos no DNA viral, com o intuito de reduzir a virulência deste último. Este mecanismo faz com que a replicação viral seja limitada, apesar de suficiente para a produção dos anticorpos. Podem ser utilizados, nesse processo, genes que codifica
      Deleção.jpg

      Processo de Deleção. Fonte: aula Professora Maristela.

      m proteínas com atividade antiviral, a exemplo do TNF, INF e das interleucinas.
    • Deleções: é a retirada de segmentos genômicos, eliminando assim uma ou mais pro
      Antigenicas purificadas.jpg

      Vacinas utilizando polissacarídeos. Fonte: aula Professora Maristela.

      teínas responsáveis pela virulência do patógeno. Visto que muitas vezes o vírus não consegue "recuperar-se" dessa deleção, ela é considerada um meio seguro de se obter mutantes que, apesar da baixa virulência, ainda servem para a imunização.
  • Organismos Inteiros Mortos: é indicada para indivíduos com alguma imunossupressão. É vantajosa porque não permite a multiplicação do organismo, porém possui a desvantagem de não produzir proteínas imunogênicas, as quais aceleram a resposta imune. Ex: Salk (pólio).
  • Subunidades Antigênicas Purificadas: utiliza antígenos (proteínas, polissacarídeos) ao invés do organismo inteiro, e por isso tem risco menor. Vacinas utilizando Polissacarídeos: resulta em respostas que em geral são T Independentes. Assim, por não ativarem LTa, geralmente são inoculadas com "pedaços" de toxinas (proteínas) para melhorar a resposta imune.
  • Antígenos Recombinantes: geralmente nessa processo utiliza-se um organismo "escravo", no qual é inserido um determinado gene. Assim, por meio da técnica do DNA recombinante, esse organismo passará a codificar o que aquele gene "mandar", como por exemplo proteínas, as quais irão interagir com o soro do paciente para formar anticorpos. Ex: vacina contra Hepatite B.
  • Vetores Recombinantes: nesse caso, um vírus é usado como vetor para introduzir o antígeno dentro do hospedeiro desejado. Inocula-se o gene produtor do antígeno dentro do vírus e esse vírus é então introduzido no ser humano. As células humanas então produzirão uma resposta imune, e passarão a produzir anticorpos tanto contra o vetor quanto contra o antígeno presente anteriormente no interior do vírus. Ex: Herpes Simplex.

Conta-indicações de VacinasEditar

Dentre as contra-indicações de vacinas, podemos citar: 

  • Doença aguda (febre >38,5)
  • Reação clínica séria contra dose anterior da vacina
  • Alergia grave à clara de ovo (pois muitas vacinas tem como solvente a albumina)
  • Alergia a certos antibióticos
  • Deficiência imunitária congênita (contra-indica vacinas vivas)
  • Infecção por HIV

FALSAS contra-indicações: 

  • Doenças benignas (por exemplo pequenas infecções respiratórias)
  • Asma, rinite alérgica, febre dos fenos
  • Tratamento com Antibióticos
  • Antecedentes familiares de convulsões
  • Doenças cardíacas, renais, pulmonares ou hepáticas
  • Recém nascido com baixo peso
  • Dermatoses, eczemas ou doenças de pele localizadas
  • Nutrição inadequada
  • Aleitamento materno

Novas Perspectivas sobre VacinasEditar

Quimeras Virais: são partículas que não existem na natureza, sendo portanto obtidas através de introdução de fragmentos de vírus em outro vírus, não necessariamente da mesma família. Exemplos: 

  • Utilização do vírus vacinal da febre amarela para expressar fragmentos de outros flavivírus, como dengue e encefalite japonesa B.
  • Quimeras do vírus da influenza contendo a neuraminidase e a hemaglutinina mais atuais
    Vetor recombinante.jpg

    Utilização de Vetores Recombinantes. Fonte: aula Professora Maristela.

     foram desenvolvidas, embora ainda não tenham sido utilizadas na imunização humana.

Vetores Recombinantes: descritos acima.

Peptídeos Sintéticos: surgiu em resposta ao rápido avanço da clonagem de DNA, mas apresenta muitos problemas, como alto custo e dificuldade de sintese propriamente dita. A resposta imune pode não ser muito satisfatória, mesmo com a utilização de adjuvantes.

DNA em Plasmídeos: trata-se da inoculação de DNA sob a forma de plasmídeos em células 

Dna em plasmideos.jpg

DNA em Plasmídeos. Fonte: aula Professora Maristela.

receptoras - normalmente musculares -, gerando uma forte resposta imune. Essa técnica induz a expressão de peptídeos codificados por este DNA, o qual ativa linfócitos T citotóxicos e auxiliares, e por conseguinte, também ativa produção de anticorpos.

Adjuvantes: uma boa resposta imune e aquela que induz inflamação na região do inóculo. Adjuvantes são substâncias que intesificam a resposta imune, na maioria das vezes porque fazem adsorção do antígeno. Na confecção de vacinas humanas, o adjuvante mais utilizado é o Hidróxido de Alumínio, o qual, ao ser inoculado, induz um processo inflamatório que aumenta a potência da resposta. 


Adjuvantes.jpg

Adjuvantes. Fonte: aula Professora Maristela.









Links ExternosEditar

  1. http://www.youtube.com/watch?v=rdby9EBxyqw
  2. Adjuvantes e Vias de Administração de Vacinas, em <http://www.ufpel.edu.br/biotecnologia/gbiotec/site/content/paginadoprofessor/uploadsprofessor/70759311a0344b1aa01d30c9179b32c2.pdf?PHPSESSID=ae96c8bd52c84baaa39ed1381f845a12>
  3. Vacinas, em <http://www.brasil.gov.br/sobre/ciencia-e-tecnologia/tecnologia-em-saude/vacinas>

ReferênciasEditar

  1. ABBAS, Abul K.; LICHTMAN, Andrew H.; PILLAI, Shiv. Imunonologia celular e molecular, 7a edição, Elsevier 2011.
  2. ARAUJO, Gabrielly de, Anotações em sala disciplina de Imunologia, UNIVILLE 2013.
  3. CERNESCU, Beatriz. Anotações em sala disciplina de Imunologia. UNIVILLE 2013

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