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Insuficiência Cardíaca

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PEditora: Carmem Luiza Lucht Gascho

DefiniçõesEditar

  • Síndrome clínica complexa e progressiva, que pode resultar de qualquer distúrbio funcional ou estrutural do coração, que altere a sua capacidade de enchimento e/ou ejeção levando a uma incapacidade de manter o débito tecidual adequado;¹
  • É um tipo de insuficiência onde o coração é incapaz de bombear a quantidade de sangue adequada às necessidades teciduais;²
  • Insuficiência na qual o coração é incapaz de manter um débito cardíaco suficiente para os requisitos metabólicos dos tecidos e órgãos do corpo;³
  • Conhecida também como insuficiência cardíaca congestiva ou ICC, a qual se constutui em uma insuficiência acompanhada da congestão dos tecidos corporais;3,4

EtiologiaEditar

A IC é uma patologia que apresenta diversos tipos de etiologias, pois é considerada uma evolução natural das diversas formas de doenças cardiovasculares. Porém todos os tipos de doenças cardiovasculares existentes, de uma maneira ou outra, acabam desencadeando alguma alteração nos seguintes fatores de desempenho ventricular4:

  • Pré-carga cardíaca: é o grau de tensão da fibra muscular cardíaca antes de iniciar a contração muscular, isto é, a pressão diastólica final. Dentro dos limites fisiológicos, aumentos do volume diastólico final provocam uma distensão do músculo cardíaco que gera um aumento na força de contração durante a sístole (Lei de Frank-Starling);²
  • Pós-carga cardíaca: pressão contra a qual o sangue é ejetado do coração, isto é, a resistência ou pressão arterial sistêmica;²
  • Contratilidade: É a capacidade intrínseca do músculo cardiáco de gerar força em um determinado comprimento muscular. É altamente dependente da concentração intracelular de cálcio. Catecolaminas circulantes e o sistema nervoso simpático possuem efeitos inotrópicos positivos sob o músculo cardíaco;²
  • Frequência Cardíaca: Em condições normais é a velocidade de despolarização do nodo sinoatrial. Constitui-se como um dos mecanismos mais importantes para a alteração do débito cardíaco (DC=FCxVS);²

Alguns livros dividem a IC em duas grandes raízes etiológicas:

  • IC devido a distúrbios de função cardíaca: patologias micocárdicas (miocardiopatias, miocardite, insuficiência coronariana e infarto do miocardio), valvulopatias cardíacas (valvulopatia por estenose e valvulopatia por regurgitação), defeitos cardíacos congênitos e pericardite constritiva;
  • IC devido a demandas de trabalho excessivas do coração: aumento da pressão (hipertensão arterial sistêmica, hipertensão pulmonar e coarctação da aorte), aumento do volume sanguíneo (administração de líquidos endovenosos excessivamente) e aumento da perfusão tecidual (tireotoxicose e anemia).
CARDIO2.jpg

Causa da Insuficiência Cardíaca.SUSAN L. Enfermagem em cardiologia. Disponível em: <http://books.google.com.br/books?isbn=8520412343>. Acesso em: 27 de abril de 2013



Classificações da ICEditar

Insuficiência Cardíaca de Alto Débito e Baixo DébitoEditar

  • A insuficiência cardíaca de alto débito é aquela causada por uma necessidade excessiva de débito cardíaco pelo tecidos do corpo. Está associada a uma alta demanda metabólica desses tecidos. Suas causas são anemia grave, tireotoxicose (hipertireoidismo), fístulas arteriovenosas entre outras.4Nesse tipo de IC a patologia é gerada por grandes aumentos das demandas sanguíneas teciduais.³Já IC de baixo débito, que represnta a grande maioria dos casos, a causa se encontra nos distúrbios que afetam a capacidade de bombeamento do coração, como cardipatias isquêmicas e miocardiopatias.4

Insuficiência Cardíaca Sístolica e DiastólicaEditar

  • Na IC sistólica há uma incapacidade de o ventrículo se esvaziar ou ejetar o sangue durante a sístole. Nesse caso, o volume sistolico (VS) e, consequentemente, o débito cardíaco (DC) diminui devido a fraqueza da contração ventricular, além da fração de ejeção (porcentagem de sangue do ventrículo que é ejetada durante a sístole) diminuir de 65% para até 20%.² Entre as causas estão os problemas que alteram o desempenho contrátil do coração (cardiopatias isquêmicas e miocardiopatias), que produzem sobrecarga de volume (insuficiência valvar, anemia) e que geram sobrecarga de pressão (hipertensão, estenose valvar).
  • Na IC diastólica ocorre uma deficiência no relaxamento ventricular ou no seu enchimento.5Caracteriza-se pelo menor tamanho da câmara ventricular, hipertrofia ventricular e baixa complacência ventricular.4 Entre as causas estão as patologias que restringem o enchimento diastólito (estenose mitral), as que aumentam a espessura da parede e reduzem o tamanho da câmara ventricular (miocardiopatias hipertróficas) e aquelas que retardam o relaxamento diastólico (cardiopatia isquêmica do envelhecimento).
  • Em uma análise radiográfica a diferença entre os dois tipo de patologia (sistólica e diastólica) encontra-se no fato da aréa cardíaca estar aumentada na insuficiência sistólica.

Insuficiência Cardíaca Direita e EsquerdaEditar

  • Classifica a insuficiência cardíaca de acordo com o lado do coração atingido. Lembrar que a insuficiência prolongada afeta, geralmente, ambos os lados do coração.

Insuficiência Cardíaca Crônica versus AgudaEditar

  • Aguda: sintomas de instalação súbita (1-2 semanas), ocorre uma redução súbita do débito cardíaco (hipotensão severa e congestão pulmonar com ausênica de edema periférico). Causas principais: infarto agudo do miocardio com grande perda de área ventricular esquerda e insuficiência valvar aguda, miocardites, quimioterápicos, miocardiopatia periparto.
  • Crônica: instalação lenta e aparecimento dos sintomas de forma gradativa.A pressão arterial tende a se manter normal, ocorre congestão pulmonar e edema. Causas: doença isquêmica crônica, valvulopatia crônica, hipertensão arterial sistêmica, álcool e drogas.
  • A manifestação clínica da IC depende muito da velocidade de desenvolvimento da anormalidade cardíaca anatômica ou funcional e especificadamente se houver tempo suficiente para ativação de mecanismos compensatórios. Quando determinada anormalidade cardíaca desenvolve-se gradualmente ou quando um paciente sobrevive a uma lesão aguda (infarto agudo do miocárdio, p. ex.) vários mecanismos compensatórios ativam-se e permitem ao sistema cardiovascular adaptar-se à contratilidade miocárdica reduzida ou a carga hemodinâmica aumentada.

Mecanismos Compensatórios CardiovascularesEditar

  • Ativação dos sistemas neuro-humorais: (1) Liberação do neurotransmissor norepinefrina pelo sistema nervoso simpático, o que aumenta a frequência cardíaca (efeito cronotrópico positivo), a contratilidade cardíaca (inotrópico positivo) e a resistencia vascular periférica. (2) Ativação do sistema renina-angiotensina II- aldosterona. O débito cardíaco diminuido provoca uma redução da perfusão renal, que sensibiliza o sistema justaglomerular dos rins, aumentando a liberação de renina. Essa converte o angiontensinogênio em angiotensina I no plasma, que logo após -através da enzima conversora de angiotensina, ECA- é convertida em angiotensina II. A angiotensina II realiza vasoconstrição e, através da aldosterona, retém sódio e água, aumentando o volume sanguíneo.3,4
Figura4 33.jpg

Sistema regina-angiotensina II-aldosteronaCOSTANZO, L.Fisiologia.Disponível em:<http://www.studentconsult.com.br

  • Mecanismo de Frank-Starling: com o decorre da IC existe a tendência de aumentar a pressão diastólica final ou pré-carga, devido ao aumento do volume sanguíneo na câmara cardíaca.De acordo com a lei de Frank-Starling, o aumento do estiramento das fibras musculares cardíacas faz com que o músculo cardíaco contraia-se com mais força, aumentando o débito cardíaco. Porém essa dilatação da parede ventricular vai até certo limite, após isso o estiramento é tanto, que associado com as necessidade de oxigênio do miocárdio, gera uma IC descompensada.³
  • Alterações na estrutura do miocárdio, incluindo aumento da massa muscular (hipertrofia): É um mecanismo compensatório a longo prazo, resultado de um aumento da necessidade de trabalho. As células miocárdicas adaptam-se aumento o número de elementos contráteis no seu interior -sarcômeros. Nas IC que apresentam sobrecarga de pressão ( p.ex. hipertensão arterial, estenose valvar) a hipertrofia caracteriza-se por diâmetro aumentado das fibras musculares individuais, o que leva a uma hipertrofia concêntrica (aumento simétrico do comprimento e largura do músculo; espessura da parede ventricular aumenta sem o aumento do tamanho da câmara). Já nas IC com sobrecargas de volume (p. ex. regurgitação valvular) é o comprimento individual das fibras musculares que aumenta, o que resulta na hipertrofia excêntrica (aumento da espessura da parede e do comprimento de forma desproporcional).
  • A hipertrofia tem um custo elevado para as células cardíacas. As necessidades de oxigênio em um músculo hipertrófico se elevam devido basicamente a três fatores: aumento da massa de células cardíacas, aumento da tensão na parede ventricular e a maior força de contração. Como o leito capilar não aumenta na mesma velocidade de crescimento do músculo cardíaco ou das necessidades de oxigênio das fibras musculares hipertróficas, o miocárdio fica mais vulnerável à lesões isquêmicas. 3,4

Tipos de Insuficiência CardíacaEditar

Insuficiência Cardíaca DireitaEditar

Causas mais comunsEditar

  • Esteno ou regurgitação das valvas tricúspides ou pulmonar, infarto de ventrículo direito, miocardiopatias, insuficiência esquerda persistente e patologias pulmonares agudas ou crônicas (pneumonia, embolia, hipertensão pulmonar, que causam uma IC direito conhecida como "cor pulmonale". Todas essas patologia têm em comum a restrição do fluxo sangíneo aos pulmões.²,³
Cor.jpg

Patologia "cor pulmonale".Disponível em:<http://www.netterimages.com>. Acesso em: 27 de abril de 2013

FisiopatologiaEditar

  • O coração direito tem a função de enviar sangue vindo da circulação sistêmica aos pulmões  a fim de ser oxigenado. Quando o coração direito entra em insuficiência, devido a alguma das patologias acima citadas, há acúmulo de sangue venoso nos ventrículos, posteriormente nos átrios, o que por fim irá gerar um represamento de sangue no sistema venoso sistêmico.²

Sinais e sintomasEditar

  • Fadiga, edema (principalmente de membros inferiores), distensão das veias jugulares, engurgitamento hepático (devido ao fato do sangue vindo das veias hepáticas não conseguir drenar para a veia cava inferior), dores no quadrante superior direito, ascite, engurgitamento do baço, cianose, elevação da pressão venosa periférica, queixas de mal-estar gastrointestinais.4

Frase-chaveEditar

  • A insuficiência cardíaca direita é mais comumente causada por insuficiência cardíaca esquerda ou por doenças pulmonares primárias.Associa-se com edema periférico e congestão visceral.³

Insuficiência Cardíaca EsquerdaEditar

Causa mais comunsEditar

  • Cardiopatia isquêmica (infarto agudo do miocárdio), doenças valvares aórtica e mitral (em particular esteno aórtica calcificada e cardiopatia reumática) e miocardiopatias.

FisiopatologiaEditar

  • O lado esquerdo do coração é o responsável em receber o sangue oxigenado vindo da circulação pulmonar e conduzí-lo para a circulação sistêmica. Caso esse mecanismo não funcione adequadamente devido a alguma das patologias mencionadas anteriormente, existirá uma diminuição do débito cardíaco, aumento do volume sistólico final e, posteriormente, acúmulo de sangue na câmara atrial esquerda. Isso por fim levará a uma congestão pulmonar. 4

Sinais e sintomasEditar

  • Dispnéia de esforço (dispnéia relacionada com o aumento da atividade), ortopnéia (falta de ar que ocorre quando a pessoa está em decúbito), dispnéia paroxística noturna (ataque súbito de dispnéia que ocorre durante o sono), tosse, escarra tingido de sangue, cianose (sinal do distúrbio das trocas gasosas pulmonares), elevação da pressão capilar pulmonar.4

Frase-chaveEditar

  • A insuficiência cardíaca esquerda é mais comumente causada por cardiopatias isquêmicas, hipertensão sistêmica, doença valvar mitral ou aórtica e doenças primárias do miocárdio. Os sintomais são primeiramente relacionados à congestão e edema pulmonar.


CARDIO.jpg

Sinais e Sintomas da Insuficiência Cardíaca Esquerda e Direita. Disponível em <http://books.google.com.br/books?isbn=8520417108>. Acesso em 27 de abril de 2013.

Métodos DiagnósticosEditar

  • Os métodos diagnósticos na insuficiência cardíaca são voltados para o estabelecimento da causa do distúrbio e a determinação do grau de disfunção. Para facilitar a identificação do grau da IC a New York Heart Association elaborou um guia que classifica a patologia em quatro níveis crescentes de complexidade:4
  • Classe 1: pacientes com patologia cardíaca, mas sem as consequentes limitações na atividade física. A atividade física habitual não causa fadiga excessiva, palpitações, dispnéia ou dor de angina;
  • Classe 2: paciente com patologia cardíaca que acarreta ligeiras limitações da atividade física. Os pacientes ficam confortáveis em repouso. A atividade física habitual provoca fadiga, palpitações, dispnéia e dor de angina;
  • Classe 3: pacientes com patologias cardíacas que acarreta limitações acentuadas da atividade física. Os pacientes ficam confortáveis em repouso. Uma atividade física menor que o habitual, causa fadiga, palpitações, dispnéia ou dor de angina;
  • Classe 4: pacientes com patologia cardíaca que acarreta incapacidade de executar atividade física sem desconforto. Os sintomas de IC ou da síndrome anginosa podem estar presentes mesmo em repouso. O desconforto aumenta pela realização de qualquer atividade.

Tipos de métodos diagnósticos4Editar

  • História do paciente: deve estar incluído informações relacionadas à dispnéia, tosse, nictúria, fadiga generalizada entre outros sinais e sintomas;
  • Exames físicos: avaliação da frequência cardíaca e pressão arterial, análise das veias jugulares e ausculta para verificação de bulhas cardíacas;
  • Estudos laboratoriais: diagnóstico de anemia e dos distúrbios de equilíbrio eletrolítico e detecção de sinais de congestão hepática crônica;
  • Eletrocardiograma: para diagnosticar se existe sinais de hipertrofia atrial ou ventricular, distúrbios de ritmo cardíaco ou anormalidades na condução do impulso cardíaco;
  • Radiografias do tórax: para verificar o tamanho e a forma do coração, bem como a vascularização pulmonar;
  • Ecocardiografia: verifica as anormalidades anatômicas e funcionais do coração, em especial o tamanho e a função das valvas cardíacas, movimento de ambos os ventrículos e a fração de ejeção ventricular.

Métodos de TratamentoEditar

  • O tratamento da IC tem por objetivo melhorar a qualidade de vida e aliviar os sintomas a ela associados.Para isso existem diversas alternativas: (1) Correção das causas reversíveis (anemia, tireotoxicose); (2) Reparo cirurgíco de defeito ventricular ou valvular; (3) Controle farmacológico; (4) Modificações das atividades e do estilo de vida.4

Tratamento FarmacológicoEditar

  • É aplicado geralmente nos casos de IC moderada ou grave e a escolha da droga farmacológica depende do distúrbio que dão origem a insuficiência cardíaca. As principais classes são:4
  • Diuréticos: promovem a excreção do líquido de edema, ajudam a manter o débito cardíaco e a perfusão tecidual pela redução da pré-carga;
  • Digitálicos: melhoram a função cardíaca, aumentando a força e a potência da contração cardíaca;
  • Inibidores da ECA: impedem a conversão da angiotensina I em angiotensina II, o que diminui a vasoconstrição e a retenção de água e sódio, devido a queda na liberação de aldosterona.
  • Bloqueadores beta-adrenérgicos: seu uso é um pouco contraditório. Diminuem a frequência e a força de contração cardíaca, além de inibir a vasoconstrição periférica.

ReferênciasEditar

1.HO KKL, PINSKY JL, KEMEL WB.The epidemiology of heart failure: The Framingham Study. J. Am. Coll Cardiol. 1993;22 Suppl A: 6A-13A.

2.GANONG W.Fisiologia Médica. Lange: Porto Alegre. 22 ed. 2010.

3. KUMAR V, PERKINS J. Robbins e Cotran patologia: bases epidemiológicas das doenças. 8 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010.

4.PORTH C, MATFIN G. Fisiopatologia. 7ªedição.

5.MINDON ME, REIS MAC.Insuficiência Cardíaca. Disponínel em:<http:// www.hospitalregional.ms.gov.br>. Acesso em: 27 de abril de 2013.

Links AlternativosEditar

1.Fisiopatologia de la insuficiencia cardiaca congestiva. Disponível em<http://http://www.youtube.com/watch?v=Va24jFAFa4c&list=PLF8D55F24C03A23D3>.

2.Insuficiência Cardíaca:Saiba tudo sobre a doença. Disponível em: <http://http://www.youtube.com/watch?v=y2_Uc59XTZI>.

3.Fármacos Utilizados na Insuficiência Cardíaca. Disponível em<http://http://www.youtube.com/watch?v=l5BIYuldIK4>.


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