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Reações de Hipersensibilidade do Tipo I (imediata)

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Editora: Ana Carolina Simoneti

Colaboradoras: Ana Laura Milhazes, Beatriz Cernescu, Gabrielly de Araújo e Sophia Martins Barbosa

IntroduçãoEditar

Os distúrbios que são causados pelas respostas imunes são chamados de doenças de hipersensibilidade. Dessa forma, a hipersensibilidade é um reflexo de respostas imunes excessivas ou aberrantes. As doenças de hipersensibilidade são comumente classificadas com base no mecanismo imunológico principal que é responsável pela lesão tecidual e a doença, e podem ser causadas por dois tipos de respostas imunes anormais:

  1. As respostas para os antígenos estranhos podem ser desreguladas ou não controladas, resultando em lesão tecidual;
  2. As respostas imunes podem ser direcionadas contra antígenos próprios (autólogos), como um resultado da falha na tolerância própria. Tais respostas são chamadas de autoimunidade.

Hipersensibilidade do tipo I (IMEDIATA)Editar

A hipersensibilidade imediata é uma reação rápida da musculatura lisa e vascular, mediada por IgE e pelos mastócitos, geralmente seguida por inflamação (reação tardia), que ocorre em alguns indivíduos quando do encontro com certos antígenos estranhos, aos quais foram expostos previamente. As reações de hipersensibilidade imediata são também chamadas de alergia ou atopia.

Geralmente a hipersensibilidade do tipo I se manisfesta por:

  • febre;
  • alergia aos alimentos;
  • asma brônquica;
  •  anafilaxia.

Mecanismo de açãoEditar

A epiderme compõem-se por cinco camadas: córnea, lúcida, granulosa, espinhosa e basal. Os queratinócitos são as células mais numerosas da epiderme e são responsáveis pela produção de queratina. A ativação dos queratinócitos através de uma escarificação da epiderme (destruição da epiderme por prurido, substâncias químicas ou físicas, por exemplo), inicia a possibilidade de penetração dos alérgenos. Associado a isso, há processos infecciosos, como uma infecção por S.aureus, que também constitui uma porta de entrada.

Os alérgenos são moléculas de baixo peso molecular que penetram na pele e se ligam ás proteínas transportadoras, formando um complexo proteína-hapteno (alérgeno) que funciona como antígeno. O alérgeno, por possuir estruturas semelhantes a alguns patógenos, é identificado por receptores Toll-like (reconhecem padrões moleculares- PAMPS). As células dendríticas da pele, denominadas de células de Langerhans, representam um componente essencial do sistema imunológico, localizam-se nos tecidos periféricos não linfoides quando imaturas, e são reativas a sinais característicos de um processo infeccioso ou inflamatório, ou ainda de destruição de tecidos. Assim, essas células conseguem internalizar os alérgenos, através desses receptores Toll-like. Como a nossa pele não é um órgão lindoide, as células dendríticas migram através dos vasos linfáticos para os linfonodos regionais, sofrem maturação, e apresentam os alérgenos a linfócitos T auxiliares.


OBS:

  • Os queratinócitos participam da ativação das células dendríticas através da Linfopoetina Estromal Tímica (TSLP), expressa por eles. As células dendríticas expressam OX40L que se ligará ao OX40 no LT, essas estruturas desempenham um papel complementar na proliferação e produção de citocinas pelos linfócitos T e promovem respostas HLA de classe II.
  • 45% dos indivíduos que desenvolvem alergias apresentam uma deficiência da proteína filagrina, presente na pele, a qual possui a função de proteção pelo empacotamento dos queratinócitos e assim a formação de uma rede protetora na região. A deficiência de filagrina também constitui outro fator que possibilita a entrada de uma substância alergênica, já que torna o indivíduo susceptível.
  • As citocinas produzidas pelas células Th2 inflamatórias ( IL-4, IL-5, IL-13 e TNF-alfa) iniciam a inflamação alérgica, aumenta a produção de IgE, de muco e eosinofilia. IL-10 NÃO é produzida.

A produção pelos linfócitos T auxiliares de citocinas do tipo II, no contexto de dermatite atópica, ocorre devido á indução dessa resposta pelas células dendríticas. Estudos com anticorpos monoclonais em que há um bloqueio da estrutura OX40L-OX40, reduzem drasticamente a produção dessas citocinas.

Produção de anticorpos IgEEditar

Nos indivíduos que apresentam tendência a alergias, o encontro com alguns antígenos resulta na ativação das células Th2 e na produção de IgE. A hipersensibilidade imediata se desenvolve como uma consequência da ativação das células Th2 em resposta aos antígenos proteicos ou substâncias químicas que se ligam ás proteínas. Os antígenos que evocam as reações de hipersensibilidade imediata (alérgica) são chamados de alérgenos.
OX40L-OX40.jpg

Mecanismo de ação- hipersensibilidade imediata

Duas das citocinas secretadas pelas células Th2, IL-4 e IL-13, estimulam os linfócitos B específicos para os antígenos estranhos a mudarem para as células produtoras de IgE. Portanto, os indivíduos atópicos produzem grandes quantidades de anticorpo IgE em resposta aos antígenso que não evocam as respostas IgE na maioria das pessoas. Sabe-se que a propensão ao desenvolvimento Th2 da produção de IgE e a hipersensibilidade imediata têm uma forte base genética.

Ativação de mastócitos e secreção de mediadoresEditar

O anticorpo IgE produzido em respostas a um alérgeno se liga aos receptores Fc de alta afinidade dos mastócitos, Esse processo de revestimento dos mastócitos com IgE é chamado de "sensibilização", porque o revestimento com IgE específico para um antígeno torna os mastócitos sensíveis á ativação pelo encontro subsequente com esse antígeno. Os mastócitos estão presentes em todos os tecidos conjuntivos, e os mastócitos do corpo que são ativados pela ligação cruzada da IgE específica do alérgeno em geral dependem da rota de entrada do alérgeno. Os mastócitos são sempre revestidos com IgE ligada a FcԐRI, mesmo em indivíduos normais. O receptor de FcԐ de alta afinidade, denomidado de FcԐRI se liga muito fortemente á porção Fc da cadeia pesada Ԑ(as outras duas cadeias do receptor são de protéinas sinalizadoras).

Uma teoria que explica a ocorrência de sensibilização é a "teoria da higiene", que relaciona a predisposição genética com uma série de fatores como ambientes livre de germes, antibioticoterapia, vacinação e industrialização. Tudo isso seria, de acordo com essa teoria, responsável pela grande ocorrência de alergias em nossos tempos.

Quando os mastócitos sensibilizados pela IgE são expostos ao alérgenos, as células são ativadas para secretar seus mediadores. Assim, as reações de
Imunoo.jpg

Hipersensibilidade Imediata- Abbas

hipersensibilidade imediata ocorrem após a exposição inicial a um alérgeno que evoca a produção de IgE, e a exposição repetida ativa os mastócitos sensibilizados. A ativação do mastócito resulta da ligação do alérgeno a dois ou mais anticorpos IgE no mastócito, em seguida as moléculas de IgE e de Fc&RI que carregam a IgE se entrecruzam, gerando sinais químicos. Os mastócitos respondem, então, com três tipos de respostas:
  1. Degranulação e liberação dos conteúdos dos grânulos;
  2. Síntese e secreção dos mediadores de lipídios;
  3. Síntese e secreção de citocinas.

OBS:

  • Após a ativação dos LT, estes sofrem diferenciação em LTH2 efetores e LTH2 de memória (contexto fundamental para a memoização mediada pelo sistema imune no contexto das alergias). Principalmente os LTH2 efetores, migram dos linfonodos para o local lesionado, e ativam os LB á produzirem IgE (essa última ativação pode ocorrer tanto em nível de linfonodos, como em nível de pele em um segundo momento).
  • Sensibilização: primeiro contato com o alérgeno seguido de revestimento do mastócito com IgE alérgeno-específico.

Os mediadores mais importantes produzidos pelos mastócitos são as aminas vasoativas (histamina) e proteases que são liberadas dos grânulos, produtos do metabolisno do ácido aracdônico (prostaglandinas e leucotrienos) e citocinas.

  • A histamina se liga aos receptores H1 das células endoteliais e tem os seguintes efeitos: dilatação das arteríolas de menos calibre; constrição das artérias de maior calibre; aumento da permeabilidade das vênulas; formação de fendas venulares; contração do músculo liso e quimiotaxia para eosinófilos.
  • As principais ações das prostaglandinas são: vasodilatação, edema, febre e dor.
  • As principais ações dos leucotrienos são: quimiotaxia, agregação de neutrófilos, vasoconstrição e broncoespasmo.
As citocinas produzidas pelos mastócitos estimulam o recrutamento dos leucócitos, que causam a reação de fase tardia (reção inflamatória). O TNF derivado do mastócitos e a IL-4 promovem a inflamação rica em neutrófilos e eosinófilos. Quimiocinas produzidas pelos mastócitos e pelas células epiteliais nos tecidos também contribuem para o recrutamento dos leucócitos. Os eosinófilos estão presentes em muitas reações alérgicas, e podem causar lesão tecidual nessas reações. Essas células são ativadas pela IL-5, produzida por células Th2 e mastócitos. Mastócitos na mucosa
Imuno.jpg

Degranulação do Mastócito

nasal produzem histamina, as células Th2 produzem IL-13 e esses dois mediadores agem nas células epiteliais das vias aéreas estimulando a secreção de muco.

O contato posterior da pele com o mesmo hapteno desencadeia, no espaço de 24 a 48 horas, uma reação imuno-inflamatória aguda da pele que pretende eliminar o antígeno detectado. O "estacionamento" dos IgE na superfície dos mastócitos pode perdurar por até 6 meses. Então, se o indivíduo entrar em contato com o alérgeno durante esse período, ocorrerá a degranulação dos mastócitos que será intensa caso tenha duas IgE justapostas.

Síndromes clínicas e tratamentoEditar

Reações de hipersensibilidade imediata têm características clínicas e patológicas diversas, todas atribuíveis a mediadores produzidos por mastócitos em diferentes quantidades e tecidos.

As principais síndromes clínicas são: rinite alérgica, sinusite, alergias alimentares, asma brônquica, anafilaxia (antígeno sistêmico).

A terapia das reações de hipersensibilidade imediata objetiva: inibição da degranulação dos mastócitos, antagonismo dos efeitos mediadores dos mastócitos e diminuir a inflamação.

É importante destacar que os níveis de IgE de indivíduos normais e alérgicos são os mesmos, uma vez que a IgE dos alérgicos que leva ás respostas de hipersensibilidade está ligada aos mastócitos. No entanto, os alérgicos apresentam uma maior concentração de receptores solúveis de baixa afinidade.

Indivíduos atópicos desenvolvem ( não necessariamente) as seguintes características:

  1. Alta quantidade de citocinas tipo II;
  2. IgE até 100x o número encontrado em indivíduos normais;
  3. A concentração de mastócitos também é alta.

OBS

  • Quanto maior a quantidade de IgE, maior a probabilidade de degranulação pelos mastócitos;
  • Quanto mais frequente for o contato com o alérgeno, maior será a resposta imune (geralmente);
  • A clínica do indivíduo desenvolve-se apenas depois da sensibilização deste num primeiro contato. 

Links externosEditar

Referências BibliográficasEditar

  • ABBAS, Abul K.; LICHTMAN, Andrew H.; PILLAI, Shiv. Imunonologia celular e molecular, 7a edição, Elsevier 2011
  • IMUNOLOGIA MÉDICA Sttites, D.P.; Terr, A.I; Parslow, T Guanabara Koogan 10ª Ed 2004
  • Janeway, A.C., Travers, P., Walport,M., Shlomchik,M. J. Imunobioloia. O sistema imune na saúde e na doença. Ed 6, Editora Artmed 2007.
  • SIMONETI, Ana C.,  Anotações da aula da Disciplina de Imunologia. UNIVILLE


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