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Reações do Paciente ao Médico, à Doença e ao Tratamento 21/05/2013

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Editor: Jessé Vinicius Lana

Colaboradores: Ana Santin, Leandro Rosin, Nicolas Dominico, Renata Mazzuco

Reações do paciente ao médico, à doença e ao tratamento

A doença é vista pelos pacientes como uma ameaça do destino. Ela desencadeia diversos sentimentos como impotência, apreensão, desesperança, medo e desvalorização. Por isso a doença modifica a relação do paciente frente ao mundo e também consigo mesmo. Ela fere as sensações de imortalidade e onipotência do ser humano.

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Fonte: http://2.bp.blogspot.com/_YLwQD_PtwBw/SX7sUzcqIuI/AAAAAAAAEuM/2zQIbvm0ZGk/s320/hipocond.jpg

Para Botega (2002): “A doença serve para nos lembrar de que nosso corpo é mortal, e que podemos morrer, que não somos mais donos de nós mesmos. O impacto da doença imobiliza e traz a vivência de que houve uma quebra da linha de continuidade da vida, das funções desempenhadas no dia-a-dia e de certa previsibilidade que pensávamos ter do dia de amanhã. É um tempo de suspensão, as preocupações mais imediatas passam a girar em torno do estado corporal e da passagem das horas. A entrada em um hospital motivada por uma doença torna esse impacto ainda mais dramático”.

A forma com que o paciente irá reagir à doença e à internação será influenciado principalmente pelo significado pessoal e subjetivo que a doença física desperta. Este será modulado por características de personalidade, circunstâncias sociais e pela própria natureza da condição patológica e seu tratamento. Em geral, sintomas transitórios, melhoram com apoio psicológico e boa comunicação.

Os sintomas também costumam ceder com a melhora clínica e alta hospitalar, raramente necessitam de psicotrópicos e psicoterapia. Em casos mais graves e prolongados, ou naqueles com dificuldade de diagnóstico e manejo, a avaliação psiquiátrica pode-se fazer necessária.

Tipo e intensidade de reações frente à doença

O tipo e a intensidade de reações frente à doença variam para cada individuo e para cada doença.  Portanto, essas reações dependem de diferentes fatores como:

1) Caratér da doença: Breve ou Duradouro? 

2) Prognóstico da doença: Quais as possibilidades de evolução da doença? Há chance de cura?

3) Personalidade do individuo e sua capacidade de tolerância às más situações e frustrações.

4) Relação do paciente com o médico e os membros da equipe de  saúde.

Diante disso, as reações do paciente seguem três possibilidades. São elas:

●Pacientes que se entregam ao sofrimento, à doença e ao desespero e não lutam por sua melhora.

●Pacientes que banalizam a doença, mesmo que grave.

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Fonte:http://www.cafebiomedico.com/wp-content/uploads/2013/06/consulta-medica-150x150.jpg

●Pacientes que relutam e adaptam suas vidas ao novo estado de saúde.

Apesar de todos esses sofrimentos provocados pelo fato de se estar doente, pode-se dizer que os pacientes têm certos "ganhos" chamados de diretos ou primários e secundários.

Os ganhos diretos ou primários consistem na diminuição de ansiedade e conflitos resultantes da formação de um sintoma. Referem-se ao conflito inicial (interno) que gerou o sintoma psíquico. Para evitar o contato com a ansiedade que o conflito gera a pessoa "desenvolve" o sintoma e concentra sua atenção nele (e não no conflito e na ansiedade).

Já  “ganhos secundários” é o termo utilizado para se referir a benefícios que um transtorno ou doença pode fornecer ao paciente, que possa justificar o desejo do paciente em continuar doente. Exemplos de ganhos secundários são: maior atenção de amigos e familiares, diminuição de responsabilidades, licença no trabalho ou escola, e até uma aposentadoria precoce.

Sendo assim, independente dos "ganhos" obtidos, todo processo de adoecer ativa mecanismos fisiológicos para restabelecer o equilíbrio no organismo e mobiliza defesas psicológicas no paciente. Entre as possíveis reações emocionais podemos destacar: regressão, negação, minimização, raiva e culpa, "depressão", "doctor shopping", rejeição, pensamento mágico e aceitação.

Reações emocionais e mecanismos fisiológicos de defesa

Regressão: é a primeira e mais frequente das consequências psíquicas. O paciente age de maneira infantil, de dependência e egocentrismo. Essa reação é útil quando o paciente se deixa ajudar, renuncia temporariamente as suas atividades habituais e aceita a hospitalização.

Negação: O paciente recusa o fato de estar doente ("Não, não é, não pode ser!").  Esse mecanismo de  defesa é encontrado nas fases iniciais de doenças agudas, como infarto, ou doenças de prognóstico ruim (câncer).

Minimização: o paciente tenta diminuir ou ignora a gravidade do seu problema.

Raiva e Culpa: "Por que logo eu?", "Que foi que eu fiz para merecer isto?". Um dos primeiros alvos é o médico: o paciente questiona a validade do diagnóstico, troca de profissional. Esses sentimentos podem ser dirigidos também a outras pessoas de convívio próximo ou a si próprio.

Depressão: Todo paciente, independente do diagnóstico e da gravidade do seu problema, apresenta um componente "depressivo" consequente à perda de sua saúde. Ocorre devido ao ataque à imagem corporal, à auto estima e ao sentimento de identidade do indivíduo. Cabe ressaltar que o termo "depressão" está sendo utilizado aqui no sentido de desmoralização, e não enquanto doença depressiva.

"Doctor Shopping": o paciente sai em busca de alternativas ou de pessoas que se proponham a restabelecer sua saúde. Faz um verdadeiro "shopping" de médicos.

Rejeição: o paciente já tomou conhecimento de sua doença, tem certeza de sua existência, mas evita falar ou realizar atividades que lembrem a enfermidade.

Pensamento mágico: é a crença de que um ritual pode reverter o seu quadro. Ex: Pacientes que fazem uso de simpatias, garrafadas.

Aceitação: tentativa de buscar uma convivência razoável com a doença. Não significa uma aceitação passiva nem uma submissão à doença, mas sim que a reação depressiva provocada pela doença pode ser elaborada e controlada pelo paciente.

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Fonte:http://meudiariomedico.files.wordpress.com/2010/12/351.jpg

Dessa forma, é dever dos profissionais de saúde ver o paciente como um todo, tratando-o de maneira integralista e enxergando além das doenças fisiológicas. Ter sempre em mente que além de qualquer doença existem todos esses mecanismos psicológicos que se desenvolvem no paciente, e, portanto, o médico deve se mostrar sensível à essas reações, mostrando as perspectivas reais quanto à recuperação e respeitando o tempo interno do paciente sem forçar decisões.

  

Referências Bibliográficas

Lana, J.V. Anotação da aula da disciplina de Psicologia Médica. Univille. 21/05/2013.

GAUDERER, E. Cristian. Abordagem Prática da Pessoa Cronicamente Doente. In: Revista Alergia Pediátrica. V. 1, n. 3, abril/junho, 1997.

ANGERAMI, Camon. E a Psicologia Entrou no Hospital. São Paulo: Pioneira, 1995. p.147

FLAVIANA DALLA VECHIA, MÁRCIA LISBOA.  As reações psicológicas à doença e ao adoecer.  Disponível em: http://www.ccs.ufsc.br/psiquiatria/981-08.html. Acesso em 28/06/2013.

Erika Antunes Vasconcellos. Enfrentando a doença no hospital : uma abordagem de pacientes com doenças crônicas. Disponível em: http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/?code=000182754. Acesso em 28/06/2013.

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