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Rotavírus

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Editora: Andressa de Oliveira Coiradas

Colaboradoras: Thais Yuri Miura e Elisa Correia

Aspectos geraisEditar

Os rotavírus pertencem a família Reoviridae, gênero Rotavirus. São agentes infecciosos do trato gastrointestinal descobertos em 1973. São classificados em sete espécies, Rotavirus A, B, C, D, E, F e G. Os membros do grupo A são os mais relevantes, segundo a epidemiologia, já que é responsável por aproximadamente 40% dos casos de diarreia em lactentes.

O vírus é esférico com 100 nm de diâmetro, possui simetria icosaédrica, não são envelopados e podem se replicar no citoplasma.Os rotavírus estão presentes em uma grande variedade de hospedeiros. 

Os rotavírus possuem aspecto de “rodas”, com aros irradiados do centro e um bordo externo mais liso.

Virologia MolecularEditar

Rotavírus.jpg

Estruturas do rotavírus. Fonte: http://bmb.oxfordjournals.org/content/90/1/37/F2.expansion

O genoma desses vírus é constituído por 11 segmentos de RNA fita dupla (rara característica da família Retroviridae), cada um codifica pelo menos uma proteína, sendo algumas delas:

-Não estruturais: VP1 que é a polimerase viral; VP3 que tem atividade guanilil transferase;

-Estruturais: VP2 (responsável pela ligação do RNA ao interior do capsídeo e necessária para a atividade de replicase da VP1)  e VP6(que possui propriedades imunogênicas), ambas nas camadas internas do capsídeo. A VP7(glicoproteína G) está presente na camada externa do capsídeo, sendo esta a mais importante em relação a métodos diagnósticos. A VP4 (glicoproteína P – sensível a protease) representa as espículas da partícula viral.

As proteínas VP4 e VP7 constituem os principais antígenos envolvidos na neutralização viral e são responsáveis pela definição dos diferentes sorotipos.

Há 15 tipos de sorotipos G de rotavírus do tipo A, tendo prodominância do sorotipo G1P[8]. Os sorotipos G2P[4], G3P[8], G4P[8] e G9P[8] são os de maior frequência no mundo (SSSP-2006).O sorotipo G5 é característico de suínos.Em São Paulo, observou-se também a circulação de G12. 

EpidemiologiaEditar

No mundo, cerca de 125-135 milhões de episódios diarreicos por rotavírus ocorrem a cada ano, causando entre 600.000 a 870.000 óbitos, sendo que o Brasil representa aproximadamente 2.000 casos. São raros os casos no Brasil ao contrário da Índia e Ásia, podendo ser associado a condições de hábitos de vida.

A maioria dos casos ocorrem entre 6 meses e 6 anos de idade, sendo maior que 90% dos casos de gastroenterite na faixa de 1-3 anos de idade.

Segundo Datasus, no ano de 2003, ocorreram 269.195 internações por diarreia em crianças menores de cinco anos, sendo 91.526 devido aos rotavírus. No estado de São Paulo, o custo anual estimado às diarreias por rotavírus é superior a US$ 1 milhão.

O maior número de casos ocorre entre outono e a primavera, em função da aglomeração de pessoas, além do clima seco e frio.

TransmissãoEditar

Penetração rotavírus.jpg

Invasão pelo rotavírus. Fonte: http://www.nature.com/nrmicro/journal/v10/n3/fig_tab/nrmicro2673_F2.html

A forma de transmissão mais frequente é fecal-oral, de pessoa-pesoa.Já foi demonstrado também transmissão via fômites.Pode ocorrer reinfecção por sorotipos diferentes, ou seja, a infecção de um sorotipo não o protege dos outros sorotipos.

Os surtos de rotavírus são difíceis de controlar, já que é altamente contagioso, é infeccioso em doses baixas e pode sobreviver durante dias em superfícies do ambiente e nas fezes durante meses à temperatura ambiente.O período de incubação do rotavírus é de 1-3 dias, sendo que a excreção do vírus pode preceder o aparecimento dos sintomas e continu

ar após a resolução da doença. Os casos mais graves ocorrem em crianças de 3 -24 meses de idade. 

Manifestações clínicasEditar

Scientificamerican0406-46-I3.jpg

Ação do rotavírus no intestino. Fonte: http://www.nature.com/scientificamerican/journal/v294/n4/box/scientificamerican0406-46_BX3.html

Geralmente início abrupto, com diarreia profusa, com característica aquosa, aspecto gorduroso e caráter explosivo, podendo ocorrer até 10 episódios por dia, duração de 3-8 dias, resultando em desidratação na maioria dos casos.Os enterócitos são infectados e não permitem a absorção intestinal de nutrientes pelas vilosidades. A luz intestinal fica rica em polissacarídeos resultando em hiperosmolaridade, provocando a diarréia.A eliminação do vírus pode ocorrer em até duas semanas.

Em 50% dos casos ocorrem vômitos e em 30% há febre alta. 




Diagnóstico LaboratorialEditar

A técnica diagnóstica desenvolvida foi a de identificação direta dos vírus nas fezes, onde são encontrados em grande quantidade ( cerca de 10¹¹ partículas virais/grama de fezes).A coleta do material fecal deve ser feita na fase aguda da doença (4 primeiros dias) e as técnicas não imunológicas mais utilizadas são: a microscopia eletrônica e a eletroforese do genoma dsRNA em gel de poliacrilamida; capazes de identificar o grupo viral. Das técnicas imunológicas podemos destacar o ensaio imunoenzimático  (ELISA) e a aglutinação de partículas de látex; capazes de identificar apenas rotavírus do grupo A.

Para a sorotipagem do rotavírus, utilizam-se reações imunoenzimáticas com anticorpos monoclonais específicos para grupo, subgrupo e sorotipo. Com o avanço da biologia molecular, algumas técnicas puderam ser aprimoradas fornecendo resultados mais específicos sobre os rotavírus, sendo uma delas a reação de transcrição reversa(RT) seguida pela reação em cadeira pela polimerase(PCR) e o sequenciamento genômico.Estas duas técnicas podem ser usadas para os genótipos G(VP4) e P(VP7) e além de melhor caracterização, podem detectar misturas de genótipos em uma amostra.

TratamentoEditar

Soro caseiro.gif

Preparo do soro caseiro. Fonte:http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=755&sid=8

Devido caráter autolimitado da infecção pelos rotavírus, a tendência é de cura espontânea.Sendo assim, o tratamento da diarreia é de suporte, tendo em vista a prevenção e o tratamento da desidratação/distúrbios hidro-eletrolíticos  ocasionada pela perda de fluidos e eletrólitos. Isto pode ser feito através da terapia de re-hidratação oral (TRO) ou fluidos intravenosos.

Não é recomendado o uso de antimicrobianos. O paciente deve manter a dieta usual.

PrevençãoEditar

Saneamento básico e higiene são medidas importantes na prevenção dos rotavírus. A amamentação também se mostra relevante.A mãe fornece pelo leite materno lactobacilos que vão revestir o intestino, dessa forma, os bebês que não são alimentados com leite materno tem colonização do epitélio intestinal mais tardio, ficando desprotegido por mais tempo de microorganismos patogênicos, sendo esta uma das possíveis razões de se considerar a amamentação como forma de proteção.

Entretanto, fatores como o elevado potencial disseminador dos rotavírus, a grande variedade de cepas circulantes,os conglomerados urbanos de alta densidade populacional, a convivência em ambientes fechados evidenciaram que a perspectiva real de controle seria a introdução de uma vacina eficaz e segura no calendário de imunização infantil.Dessa forma, seriam previnidas cerca de 352.000 – 592.000 mortes de crianças a cada ano.

VacinasEditar

-RotaShield®, do laboratório Wyeth Lederle Vaccines, Philadelphia: foi a primeira vacina licenciada (1998) nos EUA, era tetravalente(composta por quatro vírus vivos, sendo um atenuado e três recombinantes) para os sorotipos G1 a G4.A aplicação era feita em três doses orais 2,4 e 6 meses de idade.Esta vacina foi suspensa em 1999 devido ao aumento do número de casos de invaginação intestinal, observado nos lactentes vacinados.


Rotarix e rotateq.jpg

Comparação entre Rotarix e Rotateq. Fonte: http://www.nature.com/nrmicro/journal/v5/n7/fig_tab/nrmicro1692_F3.html

-Rotateq®, do laboratório Merck  Sharp & Dohme, EUA: foi a alternativa à primeira vacina.Contém cinco vírus(pentavalente) atenuados, obtidos por recombinação genética, com rearranjo bovino.Conferem proteção final contra os genótipos G1, G2, G3, G4 e P1A[8], que representam 75% dos casos de rotavírus do mundo todo.Mostrou eficácia na prevenção de gastroenterites por rotavírus de 74% e 98% contra as formas graves.A administração da vacina é via oral em três doses, aos 2, 4 e 6 meses de idade.


14Aug2013GAVI-supported-RV-introductions-by-WHO-region.png

Países com implantação recente da vacinação contra o rotavírus. Fonte: http://sites.path.org/rotavirusvaccine/about-rotavirus/rotavirus-vaccines/

-Rotarix®, do laboratório GlaxoSmithKline: vacina monovalente e preparada com uma amostra de rotavírus humano atenuado G1P[8]. É a mais usada atualmente, tem elevada imunogenicidade, eficácia( prevenção de 70% das gastroenterites por rotavírus e 85% contra as formas mais graves) e segurança. Sua administração é feita por via oral.Em 2006 foi aderida ao calendário vacinal no Brasil.

No esquema vacinal brasileiro, são recomendadas duas doses, aos 2 e 4 meses de idade, simultaneamente às vacinas “Tetravalente (DTP/Hib)” e “Sabin”.O intervalo mínimo entre as duas doses é de quatro semanas.A idade máxima recomendada para aplicação da 1ª dose da vacina é de 3 meses e 7 dias devido ao risco aumentado de invaginação intestinal em relação à idade.

Como efeitos adversos podemos citar: irritabilidade, perda de apetite, diarréia, vômitos, flatulência, dor abdominal, regurgitação de alimentos, febre branda e fadiga. 

Resumo rotavírus.jpg

Resumo: rotavírus. Fonte: http://www.olharvital.ufrj.br/ant/2005_09_15/materia_saudeemfoco.htm









Questões sobre o artigo "Decline in Diarrhea Mortality and Admissions after Routine Childhood Rotavirus Immunization in Brazil: A Time-Series Analysis"Editar

1) Quais índices foram usados para corroborar a eficácia da vacina contra a diarreia severa em crianças brasileiras? 

Foram analisados os índices de internação por diarreia e mortes por diarreia em um período pré e pós vacinação, comparando os resultados das macrorregiões nos dois momentos. 


No total, durante 2007-2009, cerca de 1.500 mortes diarréicas a menos foram observados no Brasil em relação ao esperado (sem um programa de vacina) entre crianças menores de 5 anos de idade.


No geral, durante 2007-2009, houve uma redução de 17% ou cerca de menos 130.000 admissões hospitalares diarréicas (~ 42.480 por ano), foi observada em comparação com o número de admissões esperado na ausência de vacinação entre as crianças menores de 5 anos de idade no Brasil.


2) Em relação a taxa de óbitos, quais duas macrorregiões observaram maior eficácia? 


Nordeste e Norte.


3) Quais as possíveis razões foram apontadas pelos autores para o aumento das internações hospitalares relacionadas a diarreia na região sul do Brasil em 2008?


Duas razões levantadas relacionadas à vacina foram descartadas, pelo fato de não ter sido observado aumento em outras regiões que também utilizavam a vacina. Uma possível explicação para o número maior de internações do que o esperado relacionadas à diarreia em 2008 no Sul do Brasil é a circulação de outros patógenos entéricos, causando uma epidemia regional da diarreia.


Referências bibliográficasEditar

ALTERTHUM, F.; TRABULSI, L. R. Microbiologia. 4ª ed. São Paulo: Atheneu, 2004.

MURRAY P. R.; ROSENTHAL K. S.; KOBAYASHI G. S.; PFALLER M. A.; Microbiologia médica. 5ª ed.Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.

COIRADAS, A. O. Anotação da aula da Disciplina de Microbiologia e Parasitologia. UNIVILLE. 18/10/2013

Rotavirus: Identification, Treatment, and Prevention. Disponível em: < http://www.indmedica.com/journals.php?journalid=3&issueid=58&articleid=718&action=article> Acesso em 25/10/2013

Decline in Diarrhea Mortality and Admissions after Routine Childhood Rotavirus Immunization in Brazil: A Time-Series Analysis.Disponível em < http://globalresearchnurses.tghn.org/articles/decline-diarrhea-mortality-and-admissions-after-routine-childhood-rotavirus-immunization-brazil-time-series-analysis/ > Acesso em 25/06/2013


Links relacionadosEditar

Ministério da Saúde - Rotavírus

Artigo - Rotavírus e sua epidemiologia nas infecções diarréicas

Rotavírus

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