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Strongyloides stercoralis

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Editora: Ana Gabriella Tessarollo

Colaboradoras: Elisa C. Mota e Laíssa Mara R. Teixeira

Strongyloides stercoralisEditar

S stercoralis freeliving-224x300.jpg

Strongyloides stercoralis http://www.virology.ws/2011/03/03/twip-23-strongyloides-stercoralis-a-most-unusual-parasite/

Filo: Nematoda

Classe: Secernenta

Família: Strongyloididae

Gênero: Strongyloides


É uma verminose causada pelo nematóide Strongyloides stercoralis que habita o intestino delgado do homem. A forma adulta parasitaria é a fêmea partenogenética que mede cerca de 2 a 3 mm. Os ovos eliminados pela fêmea eclodem rapidamente no intestino. liberando as larvas rabditoides que saem com as fezes. Essas larvas no meio exterior originam machos e fêmeas de vida livre e também as larvas filarioides infectantes.



Ciclo biológicoEditar

As larvas rabditoides eliminados nas fezes do indivíduo podem seguir 2 ciclos:


  • Direto ou partenogenético
  • Indireto, sexuado ou de vida livre.

As fêmeas partenogenéticas são parasitas triploides e podem produzir simultaneamente 3 tipos de ovos, dando origem a três tipos de larvas rabditoides:

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Ciclo biológico do S. stercoralis

1)      Larvas rabditoides triploides (3n) que se diferenciam em larvas filarióides triploides infectantes, completando o ciclo direto;

2)     Larvas rabditoides diploides (2n) que originam as fêmeas da vida livre;

3)      Larvas rabditoides haploides (n) que evoluem para macho de vida livre, onde as duas ultimas completam um ciclo indireto.

A fase dos ciclos que se passa no solo exige condições semelhantes ás dos ancilostomídeos: solo arenoso, umidade alta, temperatura entre 25 e 30ºC e ausência de luz solar direta.

Ciclo direto As larvas rabditoides no solo ou sobre a pele da região perianal, após 24 a 72 horas se transformam em larvas filarioides infectantes.

Ciclo indireto

As larvas rabditoides sofrem quatro transformações no solo e após 18 a 24 horas, produzem fêmeas e machos de vida livre.

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Ciclo do S. stercoralis

Os ovos originados do acasalamento das formas adultas de vida livre são triploides, e as larvas rabditoides evoluem para larvas filarioides (3n) infectantes. As larvas filarióides não se alimentam e devido á ausência de bainha, são menos resistentes que as larvas filarioides dos ancilostomídeos, podendo permanecer no solo durante quatro semanas.

Os ciclos direto e indireto se completam pela penetração ativa das larvas L3 na pele ou mucosa oral, esofágica ou gástrica do hospedeiro. Estas larvas secretam metaloproteases, que as auxiliam, tanto na penetração quanto na migração através dos tecidos, que ocorre numa velocidade de 10 cm por hora.  Algumas morrem no local, mas o ciclo continua pelas larvas que atingem a circulação venosa linfática e através destes vasos seguem para o coração e pulmão. Chegam aos capilares pulmonares, onde se transformam em L4, atravessam a membrana alveolar e por meio de migração pela arvore brônquica, chegam a faringe. Podem ser expelidos pela expectoração, ou serem deglutidas, atingindo o intestino delgado, onde se transformam em femeas partenogenéticas que depositam poucos ovos por dia, na mucosa intestinal. Neste local, as larvas rabditoides maturam, alcançam a luz intestinal e são eliminadas com as fezes do paciente, constituindo a forma diagnóstica que é visualizada em microscopia de luz.

O período pré-patente, isto é, o tempo decorrido desde a penetração da larva filarioide na pele até que ela se torne adulta e comece a eliminar ovos larvados e eclosão das larvas no intestino é de aproximadamente 15 a 25 dias. 

Transmissão

São três as principais formas de transmissão pelo S. stercoralis:

Heteroinfecção ou Primoinfecção:

As larvas filarióides infectantes (L3) penetram através da pele do hospedeiro, podendo também apresentar penetração através das mucosas oral, esofágica e gástrica. Nas pessoas que não usam calçados, a penetração ocorre através da pele dos pés (nos espaçõs interdigitais). Este modo de transmissão parece ser o mais frequente.


Autoinfecção externa ou exógena:

Este modo de infecção pode ocorrer em crianças, idosos ou pacientes internados que defecam na fralda, roupa ou ainda em indivíduos, que, por deficiência de higiene, deixam permanecer restos de fezes em pelos perianais.

As larvas rabditoides presentes na região perianal de indivíduos infectados transformam-se em larrvas filarioides infectantes e aí penetram, completando o ciclo direto.

Autoinfecção interna ou endógena:


As larvas rabditoides podem evoluir para larvas filarioides infectantes ainda na luz intestinal (íleo ou cólon). Esse mecanismo pode cronificar a doença por vários meses ou anos.

DiagnósticoEditar

Clínico

Este diagnóstico é dificultado, uma vez que em aproximadamente 50%  dos casos não há sintomas. Quando existentes, são comuns em outras helmintoses intestinais. A tríade clássica de diarreia, dor abdominal e urticária é sugestiva.


Laboratorial

O diagnóstico de estrongiloidiase pode ser realizado através dos exames laboratoriais seguintes:

- Exame parasitológico de fezes (EPF): 

Realiza-se a pesquisa de larvas, em fezes sem conservantes, pelos métodos de Baermann-Moraes e de Rugai. Estes métodos se baseiam no hidro e termotropismo das larvas, necessitando de três a cinco amostras de fezes, colhidas em dias alternados, para confirmação da presença de larvas rabditoides. Ocasionamente, podem ser visualizadas larvas filarioides em fezes envelhecidas ou em casos com ritmo intestinal lento, ou em fezes frescas de indivíduos hiperinfectados.

Tem sido demonstrado que uma única amostra de fezes falha em detectar larvas em até 70% dos casos. Repetidos exames de fezes aumentam a chance de encontrar os parasitos, elevando a sensibilidade para 50% com três amostras e aproximadamente para 100% com sete amostras fecais seriadas.

Apresentam como vantagens a simples e rápida execução e como desvantagens a necessidade de fezes frescas e a possibilidade de contaminação do manipulador devido à motilidade das larvas.

- Diagnóstico por imagem:

Raio X de tórax, identificando a síndrome  de Löeffler e de trato digestivo, demonstrando aceleração do trânsito intestinal, ou apagamento difuso do relevo mucoso duodenojejunal e imagem de tubo rígido nos casos graves. Ultrassonografia e tomografia computadorizada também podem ser requisitadas.

- Sorológico

As técnicas sorológicas, principalmente as imunoenzimáticas, podem ser uma boa alternativa para o diagnóstico da estrongiloidíase.

Uma das principais limitações encontradas no desenvolvimento de testes sorológicos mais sensíveis e específicos é a dificuldade de se obter quantidades suficientes de antígenos que permitam seu posterior fracionamento e sua análise.

As principais técnicas sorológicas são: ensaios imunoenzimáticos (ELISA), imunofluorescência e teste de aglutinação em partículas de gelatina.

TratamentoEditar

Das infecções causadas por nematoides, a estrongiloidose é a mais difícil de ser tratada. O mebendazol, em doses eficazes para outros parasitos, não atua sobre S. stercoralis, mas se o esquema for prolongado (100 mg, 2x ao dia por 4-5 dias repetidos por no mínimo 2 vezes) a droga torna-se eficaz.

Tiabendazol Atua somente sobre as fêmeas partenogenéticas, provavelmente inibindo o desencadeamento das vias metabólicas do parasito. Na estrongiloidose crônica é recomendado na forma líquida para crianças, (dose de 30 mg/kg/dia) e na, forma de comprimidos, para adultos (dose de 50 mg/kg/dia, divididas em duas tomadas, por dois ou três dias). Atinge o pico sérico em uma hora, é metabolizado no fígado e eliminado na urina, quase completamente nas primeiras 24 horas, devendo ser utilizado com cautela nos indivíduos com insuficiência hepática grave. A eficácia é maior que 90%. Nos casos de hiperinfecção e na doença disseminada, o tratamento deve ser mantido por 10 ou mai dias.

Os efeitos colaterais observados são: náuseas, vômitos, diarreia, tonturas, cefaleias, sonolência e erupções cutâneas, que regridem com a suspensão do tratamento.

Cambendazol Atua sobre fêmeas partenogenéticas e sobre larvas. Apresentando sob as formas líquidas e comprimidos, sendo recomendada a dose única de 5 mg/kg tanto para crianças como para adultos. Os efeitos colaterais são raros, quando presentes observam-se: cólicas, náuseas, vômitos, diarreia e sonolência.

Albendazol Atua sobre as fêmeas partenogenéticas e sobre as larvas. Apresentado sob as formas líquidas e de comprimidos, é recomendado tanto para crianças acima de dois anos como para adultos na dose de 400 mg/dia durante três dias consecutivos (eficácia em torno de 60%), ou 800 mg/dia durante três dias (eficácia de 90%). Os efeitos colaterais observados são: cefaleia, tonturas e desconforto gastrointestinal.


Referências bibliográficasEditar

ANSCHAU, J. Estrongiloidíase: artigo de revisão. Revista conhecimento online. Vol.1. Abril, 2013.

NEVES, D. P. Parasitologia Humana. 11 ed. São Paulo: Atheneu, 2005

TESSAROLLO, A.G. Anotações da aula da Disciplina de Microbiologia e Parasitologia. UNIVILLE.16/08/2013

STRONGYLOIDES SPP./ESTRONGILOIDÍASE. Disponível em: <http://www.cve.saude.sp.gov.br/htm/hidrica/Strongiloides.htm> Acesso em 05/09/2013

Links relacionadosEditar

Estroingiloidíase

Estrongiloidíase - Artigo de revisão

Método de Baermann-Moraes

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